A primeira pesquisa Datafolha realizada inteiramente após a divulgação dos diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, no caso conhecido como Dark Horse, foi publicada em 22 de maio de 2026 e mostrou alteração relevante na corrida presidencial. No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 38% para 40% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro recuou de 35% para 31%. Em cenário de segundo turno, Lula passou de 45% para 47% e Flávio caiu de 45% para 43%, rompendo um empate técnico que vinha desde março. O instituto ouviu 2.004 pessoas em 139 cidades entre os dias 20 e 22 de maio, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
O caso Dark Horse foi revelado pelo site Intercept Brasil em 13 de maio, quando o veículo divulgou mensagens e áudio em que Flávio Bolsonaro pedia recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Vorcaro chegou a transferir 61 milhões de reais para o projeto entre fevereiro e maio de 2025, por meio de um fundo nos Estados Unidos vinculado a um aliado de Eduardo Bolsonaro. Vorcaro está preso e o Banco Master é alvo de um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro. Flávio inicialmente negou o episódio, depois admitiu o pedido de financiamento, confirmou ter se encontrado pessoalmente com o banqueiro após a prisão e defendeu a abertura de uma CPI do Master.
A cobertura de centro, em veículos como Folha de S.Paulo e g1, relatou os números com leitura analítica detalhada dos recortes. A análise da Folha, assinada pelo diretor da sucursal de Brasília, Bruno Boghossian, destacou que o escândalo não derrubou Flávio, mas provocou abalo justamente nos segmentos em que o senador apostava para se diferenciar do pai. Entre eleitores evangélicos, base importante do bolsonarismo e sensível a escândalos morais, Flávio passou de 49% para 42% das intenções de voto, e sua rejeição nesse grupo subiu de 28% para 34%. No Sul, a queda foi de 48% para 35%. Entre eleitores de 25 a 34 anos, o recuo chegou a 11 pontos percentuais. O dado mais sensível, segundo a análise central, veio dos bolsonaristas que se declaram moderados, um segmento pequeno em volume (cerca de 5% dos entrevistados) mas estratégico: nele, Flávio passou de 53% para 40% em uma semana. A pesquisa espontânea, considerada termômetro de fidelidade, manteve o senador praticamente estável, oscilando de 18% para 17%.
Veículos de esquerda enfatizaram principalmente a ampliação da vantagem de Lula e a leitura política do escândalo. Para essa cobertura, a combinação entre o avanço do petista no primeiro e no segundo turnos e a tolerância interna do bolsonarismo ao episódio expõe a fragilidade ética da pré-candidatura: 53% dos eleitores de Flávio consideram correta a decisão de pedir dinheiro a Vorcaro, enquanto 64% do eleitorado geral avaliam que ele agiu mal. O Dark Horse, sob esse enquadramento, é leitura sobre opacidade financeira e proximidade entre clã político e o sistema financeiro hoje sob investigação, com o antipetismo funcionando como amortecedor artificial de uma candidatura corroída.
Veículos de direita e o entorno bolsonarista enfatizaram que Flávio segue competitivo apesar da crise. O dado central é que 88% dos eleitores do senador defendem que ele permaneça na disputa, mesmo após o escândalo. O 2º turno segue em margem apertada de quatro pontos contra Lula, e a pesquisa espontânea quase não se moveu, sinal de base fiel preservada. O antipetismo, sob essa leitura, é alicerce real e legítimo de sustentação eleitoral, não maquiagem. A leitura à direita também aponta para a robustez da reserva: Michelle Bolsonaro aparece como principal alternativa, citada por 60% dos eleitores de Flávio como primeira opção em eventual substituição, e em cenário de segundo turno bate Lula em 48% a 43%. Os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado também aparecem competitivos, com 39% cada contra 48% de Lula.
O Datafolha mediu ainda a fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro: entre seus eleitores em 2022, 92% afirmam não ter se arrependido do voto. Esse dado reforça a tese, comum às três coberturas, de que o núcleo duro do bolsonarismo segue intacto, e que o impacto do Dark Horse se concentra nas franjas mais voláteis da direita. Ainda restam pontos em aberto: a pesquisa não capturou eventuais novas revelações, o desdobramento processual do caso Maste