
Os dribles da produtora de ‘Dark Horse’ na Prefeitura de São Paulo
Resumo da cobertura
Relatórios técnicos da Prefeitura de São Paulo mostram que funcionários municipais tentaram, por mais de três meses, contato com a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, sem sucesso. Karina também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme 'Dark Horse', cinebiografia de Jair Bolsonaro. Mesmo após os pareceres apontarem falhas, a gestão Ricardo Nunes (MDB) manteve pagamentos e contratos com a entidade, incluindo um acordo de mais de R$ 100 milhões para instalar 5 mil pontos de wi-fi em comunidades de baixa renda.
Fuja da Bolha ler
Dois relatórios técnicos obtidos pela Agência Pública revelam que, entre 2024 e 2025, funcionários da Prefeitura de São Paulo tentaram por mais de três meses, sem sucesso, contato com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme 'Dark Horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) financiada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mesmo após os pareceres apontarem falhas graves, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) manteve pagamentos e contratos com a organização.
O principal contrato em questão foi firmado em junho de 2024 e supera R$ 100 milhões. O objeto é a instalação de 5 mil pontos de wi-fi em comunidades de baixa renda da capital paulista. Em paralelo, a ONG também recebeu R$ 300 mil para executar o projeto 'Colorindo Sonhos: da Superação ao Sucesso no Empreendedorismo de Maquiagem', voltado à capacitação de mulheres da zona leste, com recursos vindos de uma emenda do vereador André Santos (Republicanos), da base do prefeito. Foi justamente uma vistoria desse projeto que escancarou as falhas: ao visitar o endereço cadastrado na avenida Paulista, em janeiro de 2025, a técnica responsável registrou que não havia ninguém da ONG no local indicado como sede e fotografou o prédio para comprovar a ausência.
O relatório técnico aponta ainda que, nas poucas vezes em que a presidente da entidade respondeu aos contatos, o fez de forma evasiva e sem atender às solicitações da prefeitura. A funcionária descreve falta de interesse em demonstrar comunicação saudável e cobra justificativas sobre local, materiais e as mulheres que seriam beneficiadas pela emenda. Ainda assim, novos repasses foram realizados nos meses seguintes.
A cobertura de centro, ancorada na apuração documental da Agência Pública, sustenta o relato em pareceres oficiais, valores precisos e cronologia detalhada. Os veículos de esquerda destacaram a teia política em torno do caso: Karina Ferreira é sócia de outras empresas que receberam recursos de emendas parlamentares de políticos ligados ao bolsonarismo, e sua empresa foi fornecedora de campanhas eleitorais, incluindo a do deputado Mário Frias (PL-SP), que assina o filme 'Dark Horse' como produtor-executivo. Para esses veículos, o caso ilustra como recursos públicos da maior cidade do país acabam irrigando uma rede empresarial alinhada à extrema direita, enquanto a população vulnerável da periferia paulistana fica sem os serviços contratados, sejam aulas de capacitação profissional ou inclusão digital.
Veículos de direita, quando o caso ganha esse recorte, tendem a enquadrar o episódio como falha de gestão e fiscalização do dinheiro público, cobrando da prefeitura explicações objetivas sobre por que os alertas internos não resultaram em suspensão imediata dos pagamentos. Esse ângulo desloca o foco do alinhamento ideológico dos envolvidos para o problema estrutural do mecanismo de emendas parlamentares e contratos diretos com organizações da sociedade civil, defendendo mais transparência, métricas de entrega e auditoria independente como caminho de resposta.
Briefing
O que importa para você
- Contrato de R$ 100 milhões prevê 5 mil pontos de wi-fi em comunidades de baixa renda; falhas na execução afetam diretamente a inclusão digital da periferia paulistana.
- Emenda de R$ 300 mil para capacitar mulheres da zona leste em empreendedorismo de maquiagem não foi entregue conforme previsto.
- Recurso é do contribuinte paulistano e está sob fiscalização interna da própria prefeitura.
Onde os lados divergem
- Esquerda enfatiza a teia política bolsonarista por trás dos contratos e emendas, tratando o caso como uso ideológico do orçamento municipal.
- Direita, quando aborda o caso, prefere enquadrá-lo como falha estrutural de gestão e fiscalização, deslocando o foco do alinhamento partidário para o controle do gasto público.
Onde os lados concordam
- Servidores de carreira da prefeitura registraram formalmente, em pareceres oficiais, falhas graves na execução dos contratos com a ONG Instituto Conhecer Brasil.
- A ONG é presidida pela mesma pessoa que produz o filme 'Dark Horse' sobre Bolsonaro, e há contratos ativos com a prefeitura de São Paulo somando mais de R$ 100 milhões.
- A gestão Ricardo Nunes (MDB) precisa explicar por que pagamentos seguiram fluindo apesar dos alertas técnicos.
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Modo Comparação
Os dribles da produtora de ‘Dark Horse’ na Prefeitura de São Paulo
Funcionários tentaram contato por mais de três meses com ONG de Karina Ferreira da Gama para supervisionar cumprimento de contratos. Gestão Ricardo Nunes (MDB) manteve pagamentos mesmo após problemas Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo Marcelo Camargo / Agência Brasil Dois relatórios obtidos pela Agência Pública demonstram que entre 2024 e 2025 funcionários da prefeitura de São Paulo tentaram “inúmeras vezes” contato com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidida por Karina Ferreira da Ga
Ler originalGestão Ricardo Nunes pagou ONG de produtora de Dark Horse mesmo após problemas
Funcionários da prefeitura tentaram contato “por mais de 3 meses”; prefeitura diz que falhas foram sanadas
Ler originalLinha do Tempo
- 22 de mai. de 2026, 13:11Agência Pública publica reportagem revelando que a gestão Ricardo Nunes manteve pagamentos à ONG mesmo após pareceres técnicos identificarem falhas.
- 01 de jan. de 2025, 00:00Técnica da prefeitura visita endereço da ONG na avenida Paulista, não encontra nenhum representante da entidade no local e registra a ausência em relatório oficial.
- 01 de set. de 2024, 00:00Funcionários da prefeitura enviam os primeiros e-mails cobrando informações sobre o projeto Colorindo Sonhos, executado pela ONG com emenda de R$ 300 mil do vereador André Santos.
- 01 de jun. de 2024, 00:00Prefeitura de São Paulo firma contrato de mais de R$ 100 milhões com a ONG Instituto Conhecer Brasil para instalar 5 mil pontos de wi-fi em comunidades de baixa renda.
Fontes

Funcionários tentaram contato por mais de três meses com ONG de Karina Ferreira da Gama para supervisionar cumprimento de contratos. Gestão Ricardo Nunes (MDB) manteve pagamentos mesmo após problemas Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo Marcelo Camargo / Agência Brasil Dois relatórios obtidos pela Agência Pública demonstram que entre 2024 e 2025 funcionários da prefeitura de São Paulo tentaram “inúmeras vezes” contato com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidida por Karina Ferreira da Ga
Funcionários da prefeitura tentaram contato “por mais de 3 meses”; prefeitura diz que falhas foram sanadas
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