André Mendonça liderou concessões de habeas corpus no STF no primeiro semestre
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Os números mostram o habeas corpus funcionando como a principal válvula de proteção contra prisões ilegais e penas desproporcionais, num sistema penal que encarcera em massa. Chama atenção que 59 das concessões vieram de pedidos das defensorias públicas, prova de que a assistência jurídica gratuita é o que garante acesso à liberdade para quem não pode pagar advogado. O ponto sensível é outro: parte expressiva das concessões beneficia investigados por crimes da área militar ligados à trama golpista, via acordos com o Ministério Público.
Levantamento dos juristas Gustavo Mascarenhas e Vinicius Vasconcellos aponta que André Mendonça foi o ministro que mais concedeu habeas corpus no Supremo Tribunal Federal no primeiro semestre de 2026, com 40 decisões favoráveis entre 1º de janeiro e 30 de junho.
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As duas frentes de cobertura tratam os mesmos números sem contestá-los: 40 concessões de André Mendonça, 33 de Gilmar Mendes, 183 habeas corpus no total e 177 deles por decisão individual. Ambas descrevem o habeas corpus como instrumento técnico contra prisão ilegal ou abuso de poder, sem atribuir motivação política a nenhum ministro.
O ministro André Mendonça foi quem mais concedeu habeas corpus no Supremo Tribunal Federal no primeiro semestre de 2026. Foram 40 decisões favoráveis entre 1º de janeiro e 30 de junho, segundo levantamento assinado pelos juristas Gustavo Mascarenhas e Vinicius Vasconcellos. Gilmar Mendes aparece em seguida, com 33 concessões, à frente de Dias Toffoli, com 24, e de Cristiano Zanin, com 23. Alexandre de Moraes concedeu 17, Nunes Marques 15 e Luiz Fux 11. Cármen Lúcia e Flávio Dino fecham a lista levantada, com 10 cada.
No conjunto, a Corte concedeu 183 habeas corpus no período. Desse total, 177 saíram de decisões monocráticas, ou seja, tomadas individualmente por um único ministro, sem passagem pelo colegiado. O habeas corpus é o instrumento usado para assegurar a liberdade de alguém diante de prisão considerada ilegal ou de ameaça à liberdade por abuso de poder.
A cobertura de centro relatou o levantamento em registro de bastidor, detalhando a composição dos números. Ao menos 22 concessões decorreram de Acordos de Não Persecução Penal firmados entre o Ministério Público e investigados por crimes da área militar, ligados aos processos da trama golpista. Em 16 casos, os ministros reconheceram o direito do réu a um regime de cumprimento de pena mais benéfico. Em outros 15, entenderam que estavam preenchidos os requisitos legais para a redução da pena. Advogados protocolaram 118 dos pedidos que resultaram em concessão, e as defensorias públicas apresentaram outros 59.
Veículos de esquerda reproduziram os mesmos números, mas deslocaram o eixo para a outra ponta da tabela, destacando que Flávio Dino foi o ministro que menos concedeu o benefício no período, com dez decisões. Essa cobertura também sublinhou que a predominância de decisões individuais indica que a maior parte dos pedidos foi analisada sem votação colegiada, e deu peso ao papel das defensorias públicas no volume de pedidos apresentados.
Veículos de direita não registraram o levantamento entre as matérias reunidas até aqui. O ângulo que costuma mobilizar esse campo está no próprio conjunto de dados: o peso das decisões monocráticas, com 177 de 183 concessões saindo da caneta de um único ministro, alimenta a crítica recorrente ao poder individual dos integrantes da Corte e à baixa colegialidade do tribunal.
Há pontos em que as leituras convergem. Nenhuma das coberturas contesta a metodologia do levantamento, e ambas tratam a concessão de habeas corpus como decisão de natureza técnica, sem atribuir a nenhum ministro intenção política explícita ao liberar réus. Também não há divergência sobre os números: as cifras de 40, 33, 24 e 23 concessões aparecem iguais nas duas versões, assim como o total de 183 e a marca de 177 decisões monocráticas.
O que ainda não se sabe pesa na interpretação da tabela. Não há informação sobre quantos habeas corpus cada ministro negou, nem sobre o volume total de pedidos distribuídos a cada gabinete, o que impede afirmar se um ministro é mais garantista ou apenas recebeu mais processos. Também não foram divulgados os nomes dos beneficiados pelos acordos ligados à área militar, nem comparação com semestres anteriores que permitisse dizer se 183 concessões é um patamar alto ou baixo para o período. Nenhuma das coberturas informa se as decisões individuais foram depois submetidas ao referendo das turmas ou do plenário.
Foram 40 medidas; em seguida, aparecem Gilmar Mendes, com 33, e Dias Toffoli, com 24

André Mendonça concedeu 40 habeas corpus no STF entre janeiro e junho. Tribunal liberou 183 pedidos no primeiro semestre.
