AtlasIntel aponta 36% que culpam o governo Lula pelo avanço das bets
2 veículos de centro · 3 veículos de direita

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Pelo prisma da responsabilidade institucional, o resultado de 36% é a fatura de uma incoerência: o governo que regulamentou as apostas online em 2023 é o mesmo que agora as proíbe por medida provisória, anunciada a nove dias do primeiro turno, em plena campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O ponto central é a capacidade de execução: a Secretaria de Prêmios e Apostas passou de dois para quatro servidores de fiscalização, o orçamento de 2026 para regulação e fiscalização de apostas e loterias é de R$ 1 milhão, dos quais R$ 275,6 mil foram usados, e o Tribunal de Contas da União estima que as plataformas clandestinas respondem por 41% a 51% do volume apostado no país, cerca de R$ 40 bilhões por ano. A proibição imediata, nesse enquadramento, empurra 31 milhões de apostadores para um mercado ilegal que já não paga imposto nem respeita controle de idade, e ainda retira do Estado a arrecadação com que dizia combater o problema.
Pesquisa do instituto AtlasIntel divulgada em 23 de setembro de 2026 aponta que 36% dos entrevistados consideram o governo de Luiz Inácio Lula da Silva o principal responsável pela disseminação das apostas online no Brasil, contra 25,4% que atribuem a responsabilidade ao governo de Jair Bolsonaro, 16,5% ao Congresso Nacional e 0,7% ao Supremo Tribunal Federal.
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5 fontes políticas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: falácia identificada.
Toda a cobertura registra que a rejeição às apostas online é ampla: 59,9% dos entrevistados dizem que as bets trazem somente prejuízos e 28,6% que trazem mais prejuízos do que benefícios, e o apoio à proibição chegou a 75%. Também é ponto comum que o mercado clandestino já é grande e mal fiscalizado.
O instituto AtlasIntel mediu quem os eleitores culpam pela disseminação das apostas online no Brasil: 36% apontam o governo Lula, 25,4% o governo Bolsonaro e 16,5% o Congresso Nacional. Dois dias depois, a nove dias do primeiro turno, o governo federal anunciou medida provisória que proíbe a operação das bets no país.
A pesquisa do instituto AtlasIntel divulgada em 23 de setembro de 2026 colocou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva no centro da conta das apostas online. Para 36% dos entrevistados, a atual gestão federal foi a principal responsável pela disseminação das bets no Brasil. O governo de Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 25,4%, seguido pelo Congresso Nacional, com 16,5%, e pelo Supremo Tribunal Federal, com 0,7%. Outros 6,4% responderam que nenhum deles é o maior responsável e 15% disseram não saber. O levantamento ouviu 5.015 eleitores entre 17 e 22 de setembro, por recrutamento digital aleatório, com margem de erro de um ponto percentual, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04739/2026.
Dois dias depois, a nove dias do primeiro turno, o Ministério da Fazenda anunciou medida provisória que proíbe a operação de empresas de apostas online no país, tanto o cassino virtual, como o jogo do tigrinho, quanto as apostas esportivas de quota fixa. Pelo anúncio, os depósitos foram interrompidos de imediato, o saldo remanescente pode ser resgatado até as 23h59 de 5 de outubro e os sites e aplicativos devem sair do ar a partir de 6 de outubro. O governo informou ainda que enviará ao Congresso projeto de lei com pena de 4 a 6 anos de reclusão para quem explorar, operar ou divulgar apostas online. A medida provisória tem validade de 60 dias, prorrogáveis por outros 60, e caduca se não for aprovada pelos parlamentares.
A cobertura de centro relatou os dois fatos com paridade e acrescentou a série histórica do próprio instituto: o apoio à proibição das apostas subiu de 73%, em abril, para 75%, e a parcela que discorda caiu de 21% para 17%. Na mesma pesquisa, 59,9% dos entrevistados afirmaram que as apostas trazem somente prejuízos à sociedade e 28,6% disseram que trazem mais prejuízos do que benefícios, somando 88,5%. Menos de 1% vê apenas benefícios. É o ponto em que toda a cobertura converge: a rejeição popular às bets é ampla e transversal, e ela antecede o anúncio da proibição.
A divergência começa no significado atribuído ao número. Veículos de direita leram o resultado como fatura de uma incoerência, sublinhando que o governo que regulamentou as apostas em 2023 é o mesmo que as proíbe em plena campanha à reeleição, e concentraram a crítica na capacidade de execução do Estado. Nesse enquadramento aparecem os dados de fiscalização: a secretaria responsável tinha dois servidores dedicados ao tema e passou a ter quatro, para quase 200 sites legais e milhares de clandestinos; o orçamento de 2026 para regulação e fiscalização de apostas e loterias é de R$ 1 milhão, dos quais R$ 275,6 mil foram executados; e o Tribunal de Contas da União estima que as plataformas ilegais respondem por 41% a 51% do volume apostado no país, cerca de R$ 40 bilhões por ano. A conclusão desse campo é que a proibição imediata empurra os apostadores, estimados em 31 milhões, para a clandestinidade, onde não há controle de idade, autoexclusão nem recolhimento de impostos.
Nenhum veículo de esquerda do conjunto analisado cobriu o levantamento. No enquadramento habitual desse campo, o eixo seria a proteção social: com 88,5% da população vendo prejuízo predominante ou exclusivo, a intervenção estatal se justificaria como resposta ao endividamento das famílias e à ludopatia tratada como problema de saúde pública, e a atribuição de responsabilidade mediria a percepção sobre quem regulamentou, não sobre quem abriu o mercado, já que a legalização das apostas de quota fixa ocorreu em 2018 e o setor operou sem regras entre 2019 e 2022.
Na disputa eleitoral, o tema virou arma dos dois lados. O presidente comparou a disseminação das apostas ao avanço do crack e disse que o problema é um tumor. O senador Flávio Bolsonaro afirmou ser contra o cassino online, que quer banir, mas favorável a manter as apostas esportivas, e classificou a decisão como populista, hipócrita e eleitoreira.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há informação sobre como o governo reforçará o combate às plataformas clandestinas justamente quando perde a arrecadação do mercado legal, nem estimativa pública dessa perda fiscal. Também não se sabe se o Congresso aprovará a medida provisória dentro do prazo, qual será o destino dos apostadores e dos contratos vigentes a partir de 6 de outubro, e qual o alcance das ações judiciais que o setor já prepara.
Governo surge com discurso de proteger famílias após negligenciar fiscalização

Medida proíbe operação de sites de apostas esportivas e de modalidades como "jogo do tigrinho". Ação, que conta com apoio popular, ocorre a 9 dias do 1° turno. Flávio Bolsonaro diz ser favorável a manter bets esportivas.

O petista tem defendido o fim das apostas esportivas (bets) durante sua campanha eleitoral

Foram ouvidos 5.015 eleitores entre os dias 17 e 22 de setembro; margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos

Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra governo Bolsonaro em 2º lugar, com 25,4%; Congresso é citado por 16,5% dos entrevistados

Nesta matéria: viés de centro.