O Partido Liberal (PL) lançou na noite de 22 de junho de 2026, em uma casa de shows de Porto Velho, a pré-candidatura do senador Marcos Rogério ao governo de Rondônia. O ato consolidou a chapa majoritária do campo conservador para as eleições de 2026 e teve como apoio de peso o prefeito da capital, Léo Moraes, do Podemos. Entre as lideranças destacadas no palco esteve o empresário e pecuarista Bruno Bolsonaro Scheid, vice-presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado Federal, apontado como um dos nomes centrais da sigla para a disputa.
Em seu discurso, Scheid relembrou a própria trajetória. Disse ter crescido no bairro Caladinho, na Zona Sul da capital, onde morou até 1996, e prometeu trabalhar para mudar a realidade da região. Cobrou melhorias estruturais e apontou que muitas famílias locais ainda sofrem com a falta de saneamento básico, dependendo de poços e cacimbas para o abastecimento de água. O pré-candidato também reafirmou sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem creditou sua ascensão no campo conservador do estado.
A cobertura de veículos de direita enfatizou a consolidação da chapa e a força do campo conservador, descrevendo Scheid como protagonista da engrenagem partidária e valorizando sua trajetória pessoal, o trânsito junto aos produtores rurais e o alinhamento a Bolsonaro como ativos da candidatura. O lançamento foi apresentado como um movimento de fortalecimento da centro-direita rumo a 2026.
A cobertura de centro relatou o mesmo evento sob um ângulo mais analítico, situando o lançamento dentro do jogo de alianças políticas. Uma coluna detalhou os diferentes tipos de aliança, eleitoral, ideológica, pragmática e estratégica, antes de registrar que a chapa de Marcos Rogério foi completada e que o prefeito Léo Moraes confirmou apoio, com outras lideranças locais também mantendo adesão. O tom foi descritivo, sem aderir a um campo ideológico.
Não houve, no material disponível, cobertura de veículos de esquerda sobre o evento. Lido pelo prisma da esquerda, contudo, chama atenção que o próprio discurso do pré-candidato tenha reconhecido carências históricas de infraestrutura na Zona Sul, como a ausência de saneamento, expondo um déficit de políticas públicas para as periferias urbanas. Sob esse olhar, a ênfase do ato em lealdade pessoal e articulação de poder se sobreporia ao debate sobre direitos sociais.
Ainda não se sabe quais serão as propostas concretas de governo da chapa além do apelo regional, nem como adversários e outros partidos reagirão à pré-candidatura. Também não há, no material disponível, a posição das comunidades citadas por Scheid sobre as promessas feitas, nem definição sobre os demais nomes que comporão a chapa e a estratégia para o segundo turno.