Minas Gerais chega às eleições de 2026 com 11 candidaturas registradas ao governo estadual, num pleito que ficou aberto depois que Romeu Zema, do partido Novo, renunciou ao segundo mandato para disputar a Presidência da República. Com a saída, o então vice-governador Mateus Simões, do PSD, assumiu o Executivo mineiro em definitivo em 22 de março e agora tenta permanecer no cargo pelo voto popular, representando a continuidade do grupo que comanda o estado desde 2019. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 16,3 milhões de eleitores aptos a votar.
A disputa mineira reúne o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, pelo PDT, o deputado federal Patrus Ananias, do PT, o empresário Flávio Roscoe, do PL, e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, pelo MDB. Completam a lista Ben Mendes, do Missão, Rafael Duda, do PSTU, o professor Túlio Lopes, do PCB, Henrique Áreas, do PCO, e Indira Xavier, da UP. No Tocantins, sete nomes concorrem ao Palácio Araguaia, entre eles a senadora Professora Dorinha, do União Brasil, o deputado federal Vicentinho Júnior, do PSDB, e o vice-governador Laurez Moreira, do PSD, num pleito em que o governador Wanderlei Barbosa, do Republicanos, não busca novo mandato.
A cobertura de centro concentrou-se nas fichas individuais dos candidatos, montadas com dados do Tribunal Superior Eleitoral: número de urna, partido, suplentes, coligação, patrimônio declarado e situação do registro. É por esse recorte que aparecem informações como os R$ 9.568.127,83 em bens declarados por Marcelo Aro, do Progressistas, candidato ao Senado por Minas, e os R$ 282.262,35 declarados por Áurea Carolina, do PSOL, também candidata ao Senado pelo estado. Nos dois casos, o registro constava como em julgamento, e os campos de receitas e de limite de gastos apareciam sem dados disponibilizados.
Veículos de direita organizaram o material em guias comparativos por estado, com ênfase na trajetória dos concorrentes e no patrimônio declarado. Foi nesse formato que ganhou destaque o fato de Ataídes de Oliveira, do Novo, ter declarado cerca de R$ 54,5 milhões, o maior patrimônio entre os sete candidatos ao governo do Tocantins, e de parte relevante das chapas mineiras ser encabeçada por empresários e por estreantes vindos de fora da política partidária tradicional. Essa cobertura também reconstituiu a indefinição de Cleitinho Azevedo, que anunciou que não disputaria o Palácio Tiradentes, voltou atrás e acabou confirmado pelo Republicanos na reta final das convenções, movimento que levou o PL, antes em negociação com o senador, a lançar candidatura própria.
Até o momento, nenhum veículo de esquerda produziu cobertura própria desse conjunto de candidaturas dentro do material reunido. O ângulo que costuma acompanhar esse tipo de pauta nesse campo, a desigualdade de recursos entre chapas e o peso do financiamento de campanha, portanto não aparece atribuído a nenhuma reportagem, embora os dados patrimoniais que sustentariam essa leitura estejam nas fichas oficiais reproduzidas pelas duas coberturas existentes.
A divergência entre as coberturas é de recorte, não de fato. A abordagem de centro trata cada candidatura como registro administrativo, com foco em dado cadastral e em situação processual no Tribunal Superior Eleitoral. A abordagem de direita trata a mesma informação como corrida, com ênfase em trajetória, patrimônio e desenho de alianças. Nenhuma das duas apresenta propostas de governo dos concorrentes nem dados de intenção de voto.
O que ainda não se sabe é considerável. Os registros de candidatura ao Senado por Minas Gerais permaneciam em julgamento, sem prazo informado para decisão. Receitas de campanha e limites de gastos não haviam sido disponibilizados para os candidatos analisados. Não há, no material reunido, o desdobramento do rompimento entre Cleitinho Azevedo e Marcelo Aro dentro do mesmo campo político, nem detalhamento das plataformas de governo que cada chapa levará ao eleitor mineiro e tocantinense.