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O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, criticou em entrevista ao Roda Viva a condução do inquérito do Banco Master pelo relator André Mendonça, citando vazamentos, prisões de familiares e um suposto 'erro crasso' no trato com a delação de Daniel Vorcaro. O entorno de Mendonça e interlocutores do Supremo se disseram surpresos com a dureza das falas. Aliados do relator leem as críticas como tentativa de descredibilizar a apuração e buscar nulidades; outra parte do tribunal defende que a atuação de Mendonça é estritamente técnica.
A condução do inquérito do Banco Master pelo Supremo Tribunal Federal virou palco de uma disputa pública entre dois ministros. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira, o decano da Corte, Gilmar Mendes, criticou de forma incomum a atuação do relator do caso, André Mendonça, comparando pontos da investigação a práticas da Lava Jato. A dureza das falas surpreendeu o entorno de Mendonça e parte dos interlocutores do tribunal.
Gilmar Mendes listou sinais que, segundo ele, exigem cautela institucional: a substituição da relatoria, que passou de Dias Toffoli para André Mendonça, a liberação de quebra de sigilo, a exposição de conversas íntimas, prisões de familiares de Daniel Vorcaro e a morte de um investigado conhecido como Sicário. O ministro afirmou ainda que Mendonça cometeu um "erro crasso" ao relatar ter recebido um advogado para tratar de uma proposta de delação, pois a lei reserva esse tipo de acordo ao Ministério Público ou à Polícia Federal, e não ao relator do processo.
Há convergência entre as coberturas sobre os fatos centrais. Tanto a cobertura de centro, da CNN Brasil, quanto os veículos de esquerda, como a Revista Fórum, registram que Gilmar ficou vencido na Segunda Turma ao defender prisão domiciliar para Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, enquanto os ministros Luiz Fux e Cássio Nunes Marques acompanharam Mendonça. Dias Toffoli se declarou impedido por negociações envolvendo o resort Itaiaiá e o Banco Master. Ambas as coberturas também reproduzem a fala de Gilmar de que a Lava Jato, apresentada como a maior operação anticorrupção do mundo, acabou se transformando no que ele chamou de "maior escândalo judicial do mundo".
É no enquadramento que as coberturas divergem. Os veículos de esquerda destacaram o que chamaram de "lavajatismo" na condução do caso, dando amplo espaço às denúncias de Gilmar sobre vazamentos, quebra de sigilo de conversas íntimas e o uso de medidas penais como instrumento de pressão sobre investigados para forçar delações, em nome do devido processo legal. A cobertura de centro relatou o episódio sob o ângulo dos bastidores do Supremo: segundo a apuração, aliados de André Mendonça leem as críticas não como ataque pessoal, mas como tentativa de descredibilizar o inquérito e buscar a nulidade do processo. Esse mesmo campo, mais próximo da leitura de direita do episódio, enfatizou que parte importante do tribunal considera a atuação de Mendonça estritamente técnica e que a crítica pública de um ministro à conduta de um colega é rara e fragiliza uma apuração legítima sobre crimes financeiros.
O que ainda não se sabe é o desfecho do impasse. Gilmar afirmou não imaginar perda de relatoria por Mendonça, salvo em processos específicos, e reconheceu que o relator mantém autonomia. Não está claro se as críticas terão efeito concreto sobre o andamento do inquérito, qual será a resposta formal de Mendonça e como o tribunal tratará as alegações de excesso. A investigação, segundo o próprio Gilmar, ainda está no início.
As coberturas concordam nos fatos: Gilmar Mendes criticou a condução do Caso Master no Roda Viva, ficou vencido na Segunda Turma ao defender prisão domiciliar para Henrique Vorcaro, e apontou que Mendonça cometeu 'erro crasso' ao tratar de delação. Todos registram a tensão aberta no STF.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O termo 'lavajatismo' no título e a ênfase nas críticas de Gilmar (vazamentos, prisões de familiares, pressão por delação) enquadram a story do prisma garantista, crítico a excessos punitivos e à Lava Jato. O texto amplifica a voz de Gilmar e dá pouco espaço à defesa de Mendonça. Vocabulário de devido processo legal e crítica a 'escândalo judicial' marcam o viés à esquerda.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Texto reporta a percepção do entorno de Mendonça e o contexto da divergência na Segunda Turma sem aderir a um lado. Apresenta tanto a leitura dos aliados ('ataque para descredibilizar o inquérito') quanto a defesa de que a atuação é técnica. Vocabulário neutro, atribuição clara à analista da CNN. Enquadramento factual de bastidores.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Gilmar Mendes citou "muitos vazamentos", prisões de familiares e quebra de sigilo de conversas íntimas ao comparar pontos do Caso Master, relatado por André

Aliados de Mendonça interpretam críticas de Gilmar Mendes como tentativa de descredibilizar o inquérito e buscar nulidades no processo. A apuração é da analista de Política da CNN Jussara Soares
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