Chefe de Gabinete de Milei renuncia após escândalo por enriquecimento ilícito
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Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, renunciou no sábado, 27 de junho de 2026, após mais de três meses de pressão e uma investigação judicial por suposto enriquecimento ilícito. A Justiça federal apurou viagens ao exterior, compras de imóveis e reformas incompatíveis com a renda declarada. Adorni admitiu ter omitido cerca de US$ 500 mil, que atribuiu a ganhos com bitcoin, e negou irregularidades em carta de renúncia.
Pela ótica à direita, a saída de Adorni mostra um governo disposto a se autopurgar para preservar a credibilidade do projeto liberal: Patricia Bullrich cobrou transparência justamente para não confundir o governo com 'os que derrotamos'.
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Os lados concordam que Adorni renunciou após meses de pressão e investigação sobre seu patrimônio, e que ele admitiu ter omitido cerca de US$ 500 mil em declarações juradas, atribuídos a ganhos com bitcoin.
O chefe de gabinete da presidência da Argentina, Manuel Adorni, renunciou ao cargo no sábado, 27 de junho de 2026, após mais de três meses de pressão e uma investigação judicial por suposto enriquecimento ilícito. Braço direito do presidente ultraliberal Javier Milei, Adorni anunciou a saída em uma carta de três páginas publicada na rede social X, na qual afirmou sair "com a consciência tranquila e firme" e negou qualquer irregularidade.
A cobertura de centro relatou que a investigação da Justiça federal argentina mirou viagens ao exterior, a compra de imóveis e reformas que pareciam incompatíveis com a renda declarada pelo ministro. Entre os pontos mais sensíveis estão uma viagem com a família às ilhas caribenhas de Aruba, estimada entre 14 mil e 15 mil dólares, e a aquisição de dois imóveis em 2024 e 2025, incluindo um apartamento de 230 mil dólares no bairro de Caballito, em Buenos Aires. O caso se agravou quando Adorni reconheceu ter omitido cerca de 500 mil dólares em suas declarações juradas. Segundo ele, o valor teria origem em investimento em bitcoin: afirma ter aplicado 200 mil dólares e obtido outros 300 mil dólares de ganhos entre 2014 e 2018.
Veículos de centro também destacaram o peso da opinião pública. Uma pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública apontou que 78% dos argentinos achavam que Adorni deveria renunciar, o que o tornou o ministro mais impopular do governo. O desconforto chegou aos próprios aliados: Patricia Bullrich, presidente no Senado do partido A Liberdade Avança e ex-ministra da Segurança, cobrou que ele provasse "quanto antes" a origem de seu patrimônio, para que o público não tivesse a impressão de que o governo era igual "aos que derrotamos".
Veículos de direita enfatizaram a versão de Adorni e a defesa do governo. Ele atribuiu o aumento de patrimônio a ganhos legítimos com criptomoedas e denunciou "ataques midiáticos intermináveis" e uma "carnificina midiática" que, segundo ele, tentaria arruinar sua honra. Milei o sustentou publicamente até o fim, invocando a presunção de inocência: "Não vou executar uma pessoa inocente só porque ela feriu o ego de jornalistas", disse em maio. A irmã do presidente, Karina Milei, também manifestou apoio, chamando Adorni de pessoa íntegra que atravessava um momento "difícil e injusto".
Veículos de esquerda leem o episódio como a contradição central do projeto ultraliberal: Milei venceu a eleição de 2023 prometendo combater a "casta" política, e agora vê seu maior escândalo nascer dentro do próprio governo, com gastos de luxo que destoam do ajuste fiscal imposto à população. Para essa leitura, a insistência do presidente em manter o aliado, mesmo diante de ampla rejeição popular, expõe a distância entre o discurso de moralidade e a prática no topo do poder.
O que ainda não se sabe é o desfecho judicial da investigação, se haverá responsabilização formal e quem ocupará a chefia de gabinete. O governo não anunciou substituto, mas a imprensa argentina cita o ministro do Interior, Diego Santilli, como possível nome para o cargo.
Investigado por suposto enriquecimento ilícito, Manuel Adorni diz que sai

Manuel Adorni deixou o cargo após a Justiça analisar patrimônio omitido e movimentações financeiras incompatíveis, justificando a saída por "ataques midiáticos"
