O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera a disputa pelo governo de Minas Gerais com 32% das intenções de voto no primeiro turno, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada na sexta-feira, 21 de agosto. Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT), ambos ex-prefeitos de Belo Horizonte, aparecem empatados na segunda colocação, com 12% cada um.
O levantamento ouviu 1.204 eleitores mineiros de 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A consulta está registrada na Justiça Eleitoral sob o código MG-00446/2026 e é a primeira do instituto divulgada depois da conclusão do registro das candidaturas, em 15 de agosto, e do início oficial da campanha.
Toda a cobertura reproduziu o mesmo conjunto de números. No cenário estimulado, em que os nomes são apresentados ao entrevistado, o governador em exercício Mateus Simões (PSD), o empresário Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB) aparecem com 4% cada; Túlio Lopes (PCB) tem 2%; Rafael Duda (PSTU), Ben Mendes (Missão) e Indira Xavier (UP) somam 1% cada; e Henrique Áreas (PCO) não pontuou. Votos em branco e nulos chegam a 14%, e os indecisos, a 13%. Na pesquisa espontânea, sem apresentação de nomes, Cleitinho cai para 15%, Patrus e Kalil ficam com 3% cada, Romeu Zema (Novo) soma 2% e 64% dos entrevistados não souberam citar nenhum candidato. No quesito rejeição, Patrus Ananias é o mais citado, com 29%, seguido por Kalil, com 23%, Roscoe, com 17%, e por Cleitinho e Simões, ambos com 14%.
A cobertura de centro relatou ainda o recorte por identificação política e a avaliação da gestão estadual. Cleitinho reúne 56% das intenções entre eleitores que se dizem bolsonaristas, 15% entre petistas e 27% entre os não alinhados a nenhum polo, enquanto Patrus Ananias tem 26% entre petistas e Alexandre Kalil, 14%. O governo de Mateus Simões, que assumiu após a renúncia de Romeu Zema para disputar a Presidência da República, é avaliado como ótimo ou bom por 23% dos eleitores, regular por 37% e ruim ou péssimo por 15%, com 41% de aprovação e 32% de desaprovação. Na corrida pelas duas vagas ao Senado, Marília Campos (PT) aparece com 11%, Carlos Viana (PSD) com 8%, Domingos Sávio (PL) com 6% e Marcelo Aro (PP) com 5%.
Veículos de direita enfatizaram o peso de Minas Gerais na eleição presidencial, lembrando que o estado é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16.377.659 eleitores, e concentraram a narrativa na liderança folgada de Cleitinho e no vaivém do senador antes de confirmar a candidatura, episódio que incluiu um vídeo feito com inteligência artificial. Essa cobertura também destacou que Flávio Roscoe é o nome apoiado pelo presidenciável Flávio Bolsonaro.
Veículos de esquerda deram maior peso à indecisão do eleitorado, tratando os 64% que não citaram nenhum nome na pesquisa espontânea como o principal dado do levantamento e apresentando a corrida mineira como ainda aberta, com contingente expressivo de votos em disputa ao longo da campanha. Nessa leitura, a fotografia atual diz menos sobre o resultado das urnas do que sobre o desconhecimento de candidaturas recém-lançadas.
As três leituras convergem no contexto que produziu o quadro. A candidatura de Patrus Ananias saiu de uma intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois das negativas reiteradas do senador Rodrigo Pacheco (PSB); o PL oficializou Flávio Roscoe para garantir palanque no estado diante das idas e vindas de Cleitinho; e Mateus Simões herdou o governo com a saída de Romeu Zema. Os candidatos ao governo mineiro participaram do primeiro debate da campanha em 16 de agosto, encontro do qual o candidato do PT não participou, alegando conflito de agenda.
O que ainda não se sabe é como esse quadro se move. Nenhuma das coberturas divulgou cenários de segundo turno, e não há medição capaz de isolar o efeito do debate sobre as intenções de voto. Também não há dado sobre a transferência de votos entre os palanques presidenciais e a disputa estadual, nem série histórica do instituto no estado que permita afirmar tendência de alta ou de queda para qualquer nome.