O Instituto Datafolha divulgou na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, dois levantamentos de intenção de voto que dominaram o noticiário eleitoral do dia: a primeira medição nacional para a Presidência da República depois do início oficial da campanha e uma pesquisa específica para o governo do Distrito Federal. No recorte distrital, a governadora Celina Leão, do Progressistas, aparece com 30% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 28% do ex-governador José Roberto Arruda, do PSD. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de três pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico. Leandro Grass, do PT, marca 11%, seguido por Paula Belmonte, do PSDB, com 4%, Cappelli, do PSB, com 3%, e Kiko Caputo, do Novo, com 2%. Na pesquisa espontânea, em que nenhum nome é apresentado ao eleitor, Celina Leão tem 21% e Arruda 12%, com 49% de indecisos. Foram 910 entrevistas no Distrito Federal entre os dias 18 e 21 de agosto, com nível de confiança de 95% e registro DF-07561/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.
No plano nacional, o mesmo instituto ouviu 2.058 eleitores de 16 anos ou mais em todo o país entre 18 e 20 de agosto, com margem de erro de dois pontos e registro BR-04496/2026. O presidente Lula aparece seis pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno e quatro pontos no segundo. O levantamento simulou quatro cenários de segundo turno, sempre com Lula contra um adversário, entre eles Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, e mediu rejeição de cada candidato, aprovação do governo e interesse do eleitor por política. Pela primeira vez o instituto testou o nome de Pablo Marçal, do PRTB, que marcou 2%: ele enfrenta condenações na Justiça Eleitoral, está inelegível até 2032 e registrou a candidatura no limite do prazo, com o pedido ainda sob análise do Tribunal Superior Eleitoral. Em 24 de julho, o levantamento anterior do mesmo instituto trazia Lula com 40%, Flávio Bolsonaro com 32% e Caiado com 4%.
Há convergência entre as coberturas nos pontos verificáveis: número de entrevistas, período de campo, margem de erro, nível de confiança e registro no Tribunal Superior Eleitoral aparecem descritos em ambas, assim como a constatação de que as duas disputas estão apertadas. A cobertura de centro dedicou espaço à mecânica do questionário, explicando a diferença entre a pergunta espontânea e a estimulada, as duas versões do cartão apresentado ao eleitor, uma com e outra sem Pablo Marçal, e registrou que trackings diários encomendados por partidos e por bancos vêm apontando evolução de Flávio Bolsonaro e ligeira queda de Lula. Essas medições internas não são registradas nem podem ser divulgadas oficialmente, e estariam captando a reação do eleitorado a informações vazadas da Polícia Federal.
Veículos de direita concentraram-se na tabulação completa do Distrito Federal e acrescentaram uma ressalva editorial explícita sobre o uso de pesquisas: lembraram que levantamentos publicados em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes frente ao resultado das urnas, definiram pesquisa como leitura de momento e não como previsão, e destacaram que esses números influenciam decisões de partidos, de lideranças políticas e o humor do mercado financeiro. O enquadramento valoriza o empate técnico entre dois nomes do campo conservador e mantém em segundo plano o desempenho do candidato do PT. Já veículos de esquerda não apresentaram, no material reunido nesta story, cobertura própria do levantamento distrital; a leitura desse campo aparece apenas de forma indireta, pela ênfase em que Lula segue à frente na disputa nacional mesmo depois de uma semana de pressão sobre o governo.
O que ainda não se sabe é considerável. Os percentuais absolutos do cenário nacional não foram detalhados no material disponível, apenas as diferenças de seis e quatro pontos entre os dois primeiros colocados. Não há informação sobre quando o Tribunal Superior Eleitoral vai decidir o registro de Pablo Marçal, nem sobre o efeito prático que uma eventual recusa teria nos cenários já testados. Os trackings citados não têm instituto, contratante nem série divulgada, o que impede qualquer verificação independente. E não há, até aqui, reação pública das campanhas de Celina Leão, de José Roberto Arruda ou de Leandro Grass aos números do Distrito Federal.