O Datafolha divulgou na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, a primeira pesquisa de intenção de voto para o governo do Rio de Janeiro realizada depois do início oficial da campanha eleitoral. O levantamento coloca o ex-prefeito da capital Eduardo Paes, do PSD, na liderança, com 41% das intenções de voto no cenário estimulado. Em segundo lugar aparece o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, do PL, com 19%. O ex-governador Anthony Garotinho, do Republicanos, é o terceiro colocado, com 9%. A distância entre o primeiro e o segundo é de 22 pontos percentuais.
A ficha técnica é a mesma em toda a cobertura. Foram ouvidos 1.204 eleitores em 35 municípios fluminenses, entre os dias 18 e 21 de agosto, com nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-02945/2026. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, informação em que apenas uma das coberturas destoou, ao citar dois pontos.
Abaixo dos três primeiros colocados há um bloco tecnicamente empatado. O coronel aposentado da Polícia Militar João Jacques Busnello, da Missão, o sindicalista Cyro Garcia, do PSTU, o vereador William Siri, do PSOL, o empresário André Marinho, do Novo, e Juliete Pantoja, da UP, aparecem todos com 2%. Luan Monteiro, do PCO, registra 1%. Brancos, nulos e quem afirma não pretender votar somam 16%, e os indecisos são 4%. Descontados esses votos, Paes alcança 51% dos votos válidos, patamar que, se mantido até a urna, decidiria a eleição em primeiro turno.
A cobertura de centro foi a que mais desdobrou o levantamento. Ela relatou que, na pergunta espontânea, feita antes de o entrevistador mostrar os nomes, 52% dos eleitores se declaram indecisos, com Paes citado por 21% e Ruas por 8%. Também trouxe os índices de rejeição, em que Garotinho é o mais citado como candidato em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum, com 45%, seguido por Paes, com 26%, e Ruas, com 19%. Os recortes por segmento mostram Paes mais forte na Região Metropolitana do que no interior, 43% contra 33%, e entre católicos do que entre evangélicos, 46% contra 32%. Ruas inverte esse desenho: tem 28% entre evangélicos e 13% entre católicos, além de 24% entre homens e 14% entre mulheres. No cruzamento por preferência presidencial, Ruas lidera entre eleitores bolsonaristas, com 33% contra 27% de Paes, enquanto entre petistas o ex-prefeito tem 59% contra 7% do deputado. O mesmo levantamento mediu ainda a corrida ao Senado, em que a deputada federal Benedita da Silva, do PT, lidera com 15%, e a avaliação do governo interino do desembargador Ricardo Couto, aprovado por 47% e desaprovado por 31%.
As coberturas divergiram sobretudo no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram a dimensão da vantagem, trataram o resultado como uma goleada e nomearam o segundo colocado como bolsonarista, ligando a disputa estadual ao embate político nacional. Veículos de direita limitaram-se a reproduzir os percentuais e o desenho da amostra, sem rótulo político para nenhum candidato e sem contextualizar a disputa em campos ideológicos. A cobertura de centro foi a única a registrar que a candidatura de Anthony Garotinho foi impugnada pela Procuradoria Regional Eleitoral em razão de condenação por improbidade administrativa que lhe custou oito anos de direitos políticos, com a defesa alegando que a pena já foi cumprida desde 2018 e o caso ainda pendente de análise pelo Tribunal Regional Eleitoral. Foi também a única a lembrar que pesquisa é retrato da opinião no momento da coleta, não previsão de resultado.
Alguns pontos seguem em aberto. Não há cenário de segundo turno medido no levantamento, o que impede avaliar como se comportaria uma disputa entre os dois primeiros colocados. Nenhuma cobertura informa se o Tribunal Regional Eleitoral já tem data para julgar a impugnação da candidatura de Garotinho, nem o que aconteceria com os votos hoje atribuídos a ele. Também não se sabe para onde migram os 16% de brancos e nulos e os 52% de indecisos da pesquisa espontânea, massa suficiente para definir se a eleição termina ou não na primeira votação.