Decisão do STF aponta que Eduardo Cunha usou deputado para direcionar emendas
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O ministro Flávio Dino, do STF, bloqueou R$ 6,1 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) por suspeita de que ele tenha usado o deputado Gilberto Abramo para direcionar emendas parlamentares, mesmo sem mandato eletivo desde 2016. A decisão, assinada em 6 de julho e tornada pública no domingo, se baseia em mensagens extraídas do celular de Mariângela Fialek, a Tuca, servidora da Câmara apontada como operadora do esquema. Cunha nega irregularidades, chama a operação da Polícia Federal de 'política' e afirma que vai recorrer.
Uma leitura de direita tende a enfatizar o direito de defesa de Eduardo Cunha e a posição da própria Procuradoria-Geral da República, que considerou prematuro o bloqueio de bens, para questionar se a medida cautelar de Dino não configura uma intervenção judicial desproporcional antes da conclusão da apuração.
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4 fontes políticas
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Nesta matéria: viés de direita.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
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Todas as coberturas concordam que o ministro Flávio Dino, do STF, bloqueou R$ 6,1 milhões de bens de Eduardo Cunha por suspeita de desvio de emendas parlamentares, com base em investigação da Polícia Federal que usou mensagens extraídas do celular de Mariângela Fialek, a Tuca.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A decisão, assinada em 6 de julho e tornada pública no domingo (12), aponta indícios de que Cunha, sem mandato eletivo desde 2016, tenha usado o deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) para formalizar emendas parlamentares que, segundo a investigação, eram na prática articuladas por ele.
A cobertura de centro relatou que a decisão se baseia em mensagens extraídas do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora da Câmara apontada pela Polícia Federal como operadora do esquema de manipulação de emendas. Em uma conversa citada pelo STF, ocorrida em setembro de 2025, Cunha pede a Tuca um ofício atribuindo formalmente a Abramo uma emenda para o município de Manhuaçu, em Minas Gerais, que estava sendo creditada a outro deputado. Dino também determinou a suspensão imediata da execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas sob suspeita e exigiu que a Câmara dos Deputados, a Advocacia-Geral da União e a Controladoria-Geral da União apresentem, em dez dias, documentação detalhada sobre a tramitação de cada emenda identificada pela Polícia Federal.
Procurado, Gilberto Abramo não se manifestou até a publicação das reportagens. Eduardo Cunha, em entrevista à Folha nesta segunda-feira (13), negou qualquer irregularidade e classificou a operação da Polícia Federal como uma 'operação política', afirmando que não houve crime e que indicar emendas para prefeitos é prática comum entre parlamentares. Segundo ele, recebeu pedidos de cerca de cem prefeitos mineiros e apenas parte foi encaminhada ao partido, que teria decidido formalizar as sugestões por meio do então líder da bancada, Gilberto Abramo.
Veículos de direita enfatizaram que a própria Procuradoria-Geral da República considerou prematuro o bloqueio das contas de Cunha, discordando da medida cautelar de Dino — um ponto usado para questionar se a decisão não representa uma intervenção judicial desproporcional antes da conclusão da apuração, e para reforçar o direito de defesa de um investigado que ainda não havia sido formalmente ouvido antes do bloqueio.
Uma leitura de esquerda, por sua vez, tende a enquadrar o episódio como evidência de que figuras políticas sem mandato conseguem seguir controlando recursos do chamado orçamento secreto por meio de aliados formais, tratando a decisão de Dino como exercício necessário de fiscalização do Judiciário sobre um sistema historicamente pouco transparente de distribuição de emendas parlamentares.
O caso é um desdobramento da Operação Transparência, que apura desvios na distribuição de emendas parlamentares e que, dias antes, já havia levado ao bloqueio de valores milionários do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na mesma frente de investigação.
O que ainda não se sabe é se o bloqueio de bens de Cunha será mantido: a defesa afirma que vai recorrer e diz ter certeza de que a medida não vai persistir. Também não está claro se Gilberto Abramo será formalmente investigado ou apenas ouvido como testemunha, nem se a documentação exigida da Câmara, da AGU e da CGU vai confirmar ou contradizer a tese de que Cunha exercia um 'mandato clandestino' sobre as emendas.
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Já Cunha, sem citar o colega de partido, afirmou que irá contestar a decisão do ministro do STF

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