Javier Milei pede derrota de Lula em gala nos EUA com Eduardo Bolsonaro
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Na leitura da esquerda, a presença de Milei ao lado de Eduardo Bolsonaro, condenado e fora do país, mostra interferência estrangeira na eleição e liga a campanha de Flávio a um modelo de desregulamentação e enxugamento do Estado.
Para a direita, o encontro consolida uma aliança entre governos alinhados na América Latina, com possível cooperação em segurança e integração regional caso Flávio vença, e o apoio de Milei é tratado como reconhecimento internacional.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
O presidente argentino Javier Milei encontrou Eduardo Bolsonaro na Official Hispanic Heritage Gala, em Washington, em 14 de outubro. Milei criticou Lula e disse esperar a vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro encontrou o presidente da Argentina, Javier Milei, na quarta-feira (14), em Washington, nos Estados Unidos. O encontro ocorreu durante a Official Hispanic Heritage Gala, organizada pela Latino Wall Street Foundation no Andrew W. Mellon Auditorium. Milei foi convidado de honra, e Eduardo também participou e discursou. Um vídeo divulgado por Eduardo mostra os dois conversando e se abraçando.
No discurso, Milei criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse esperar que Flávio Bolsonaro, senador pelo PL e irmão de Eduardo, vença a eleição. Também manifestou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro, onze dias depois do evento. Eduardo disse que pretendia agradecer a Milei pela postura em relação aos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro e discutir uma aproximação entre Brasil e Argentina caso o irmão seja eleito.
A cobertura de centro, que não está representada neste conjunto de fontes, não deu tratamento próprio ao episódio. Por isso, os fatos acima são os que as duas pontas do espectro têm em comum.
Veículos de esquerda destacaram que Eduardo é um ex-deputado foragido, que se recusa a voltar ao Brasil para cumprir pena de quatro anos e dois meses de prisão por coação. Segundo essa cobertura, Milei chamou Lula de ditador comunista e apresentou a prisão de Jair Bolsonaro como perseguição. Esses veículos ligaram o encontro ao programa econômico: a coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio, Daniella Marques, chamou Milei de um ótimo exemplo e disse que a equipe mapeou mais de mil normas para revogar, com desregulamentação, redução de impostos e enxugamento da máquina pública. Também lembraram que Eduardo voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes e defendeu sua saída do Supremo Tribunal Federal, e que o ingresso mais barato custava US$ 3 mil.
Veículos de direita enfatizaram a dimensão diplomática. Relataram que o encontro reuniu representantes da direita latino-americana e norte-americana e que Eduardo falou em cooperação em segurança e integração regional. Essa cobertura destacou o apoio de Milei à família Bolsonaro e tratou a divulgação do vídeo como visibilidade para a aproximação entre os dois políticos. Ressalvou que o encontro, por ocorrer em evento público, não confirma acordo formal. Registrou ainda especulações sobre uma participação de Eduardo em um eventual governo de Flávio, inclusive na política externa, sem confirmação oficial de que ele chefiaria o Ministério das Relações Exteriores.
A divergência está no enquadramento. A esquerda enfatiza a situação judicial de Eduardo, a interferência de um presidente estrangeiro na campanha e o conteúdo econômico da inspiração em Milei. A direita enfatiza a aliança regional e a cooperação futura, e não menciona a condenação de Eduardo.
O que ainda não se sabe: se haverá compromissos concretos entre uma eventual gestão Flávio Bolsonaro e o governo argentino, quais das mais de mil normas seriam revogadas e qual papel Eduardo teria em um novo governo. Não há, nas fontes, resposta do governo Lula às declarações de Milei.
Eduardo Bolsonaro encontra Milei em gala nos EUA. Referência econômica de Flávio Bolsonaro, argentino atacou Lula no evento.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro se encontrou com o presidente da Argentina, Javier Milei, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.
