Entenda por que Trump decidiu impor novas tarifas de 50% a produtos do Canadá
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O governo dos Estados Unidos assinou decretos que impõem tarifas de 50% sobre uma ampla lista de produtos importados do Canadá, atingindo cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias, com vigência em 30 dias. A justificativa oficial é a existência de práticas comerciais consideradas discriminatórias contra automóveis, bebidas alcoólicas e laticínios americanos. Produtos energéticos, potássio, pescados e minerais críticos ficaram de fora, mas, pela primeira vez em rodadas recentes, mercadorias cobertas pelo acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá também serão taxadas. O governo canadense diz estar disposto a negociar e classifica a medida como ação unilateral.
A escalada tarifária é apresentada como uso da força econômica de uma grande potência contra um vizinho menor, com custo previsível para trabalhadores e consumidores dos dois lados da fronteira. O governo americano invocou um dispositivo legal de quase um século, nunca usado dessa forma, depois de a Suprema Corte ter barrado outra base jurídica para tarifas.
O argumento central é a reciprocidade: o país vizinho manteve tarifa de 25% sobre automóveis americanos, quase todas as províncias suspenderam a compra de bebidas alcoólicas produzidas nos Estados Unidos e há tratamento mais favorável a queijos europeus do que aos americanos.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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O presidente dos Estados Unidos assinou, na segunda-feira, três decretos que impõem tarifas de 50% sobre uma ampla lista de produtos importados do Canadá. A medida alcança cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias e entra em vigor em 30 dias. A lista inclui itens tão variados quanto vinho, cimento, tacos de hóquei, madeira, celulose e componentes usados pela indústria automobilística e pela produção de queijos. Ficaram de fora produtos energéticos, potássio, pescados, minerais considerados críticos e mercadorias que já eram alvo de tarifas setoriais específicas.
A justificativa oficial da Casa Branca é a existência de práticas comerciais generalizadas e não recíprocas do país vizinho, que, segundo o Escritório do Representante Comercial americano, prejudicariam agricultores, fabricantes e trabalhadores dos Estados Unidos. O governo americano cita três frentes concretas: uma tarifa de 25% mantida sobre automóveis americanos que não recebem tratamento preferencial no acordo comercial da região, a suspensão da compra e da venda de bebidas alcoólicas americanas em quase todas as províncias e territórios canadenses, e condições consideradas mais favoráveis à entrada de queijo europeu do que ao similar americano.
Há convergência entre todos os lados da cobertura sobre os fatos centrais. A base legal escolhida é a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, um dispositivo que autoriza tarifas de até 50% contra países acusados de discriminar produtos americanos e que, segundo especialistas ouvidos, nunca havia sido usado dessa forma. Outro ponto comum é a ruptura de um padrão: em rodadas anteriores, mercadorias cobertas pelo acordo entre Estados Unidos, México e Canadá recebiam isenção, o que agora não ocorre, justamente enquanto o pacto passa por renegociação. A reação canadense também aparece em todos os relatos. O primeiro-ministro do país afirmou já ter apresentado propostas para resolver as disputas e modernizar o acordo, e disse que o Canadá apenas equiparou medidas americanas. O primeiro-ministro de Ontário defendeu resposta proporcional, tarifa por tarifa.
As ênfases, porém, divergem. Veículos de esquerda destacaram o caráter de escalada e a assimetria de poder entre os dois países, além de registrar que autoridades americanas negaram vínculo entre a medida e as ameaças anteriores de taxar o vizinho por causa da fumaça de incêndios florestais que atingiu território americano. A cobertura de centro foi a que mais contextualizou a cadeia de causa e efeito, lembrando que parte das barreiras apontadas por Washington nasceu como retaliação a tarifas americanas e a declarações sobre transformar o Canadá no chamado 51º estado, e acrescentando que os custos das tarifas podem ser repassados aos consumidores em um momento de inflação em aceleração. Veículos de direita enfatizaram a lógica de reciprocidade e o risco jurídico da decisão, citando avaliação de que a medida tem alto risco de litígio e o apelo de entidades do setor de bebidas destiladas por uma solução negociada para evitar nova rodada de retaliações.
Um segundo movimento tarifário entrou no mesmo arco. Na noite de terça-feira, o presidente americano anunciou que medicamentos genéricos importados seguirão com tarifa zero por dois anos a partir de 1º de agosto, e que depois desse prazo a alíquota subirá para 100% durante um ano e, na sequência, para 200%. O objetivo declarado é repatriar a produção desse tipo de remédio, com penalidade para empresas que não construírem fábricas no país. Mais de 90% dos medicamentos vendidos nos Estados Unidos são genéricos, segundo a agência reguladora americana. A política para medicamentos de marca, informou o governo, permanece inalterada.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há estimativa consolidada do impacto das tarifas sobre preços ao consumidor nos dois países, nem definição sobre se a base legal de 1930 resistirá a contestação judicial, hipótese levantada por ex-integrantes do órgão de comércio americano. Também segue em aberto o desfecho da renegociação do acordo trilateral, o alcance de eventual retaliação canadense e o efeito político da medida antes das eleições legislativas americanas de novembro. Na cobertura brasileira, foi mencionada de passagem a possibilidade de uma tarifa adicional a produtos do Brasil, baseada em investigação sobre trabalho forçado em cadeias produtivas, mas sem anúncio oficial até o momento.
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Medidas abrangem produtos como madeira, celulose e componentes automotivos e entram em vigor em 30 dias, afetando cerca de US$ 20 bilhões em produtos; o analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna comenta o tema

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (20) a aplicação de tarifas de 50% sobre determinados produtos importados do

edida anunciada pelos EUA na segunda-feira (20) entra em vigor em 30 dias e atinge itens como vinho, tacos de hóquei e cimento

