Escudo das Américas põe PCC e CV na lista terrorista, e Brasil fica de fora
2 veículos de esquerda · 1 veículo de centro · 1 veículo de direita

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Para a cobertura de esquerda, o Escudo das Américas é menos uma política de segurança do que um instrumento de hegemonia dos Estados Unidos sobre a América Latina. O argumento central é que equiparar crime organizado a terrorismo amplia o espaço para intervenções militares e prisões extrajudiciais fora do território norte-americano, como já teria ocorrido na Venezuela, e que o termo 'apoiadores' na declaração é amplo o bastante para atingir críticos políticos. A ausência do Brasil e do México é lida como consequência de governos que resistem à tutela externa, e a resposta apresentada como alternativa é a arquitetura de segurança pública proposta por Luiz Inácio Lula da Silva, com Ministério da Segurança Pública, lei antifacção e PEC da Segurança.
Os Estados Unidos e 14 países da América Latina e do Caribe assinaram em 22 de setembro de 2026, às margens da 81ª Assembleia Geral da ONU, uma declaração conjunta do grupo Escudo das Américas que classifica 24 organizações criminosas como narcoterroristas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Na leitura de direita, o Escudo das Américas representa um avanço da América Latina contra cartéis e milícias que rivalizam com o Estado, e a ausência do Brasil é um erro autoinfligido. O argumento é que a recusa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em qualificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas isola o país dos vizinhos e do bloco ocidental, deixando o Brasil à margem de uma coalizão que reúne quinze governos do hemisfério.
4 fontes políticas
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Nesta matéria: falácia identificada.
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Todos os lados registram os mesmos fatos: 14 países mais os Estados Unidos assinaram a declaração, 24 organizações foram listadas como narcoterroristas, PCC e Comando Vermelho estão entre elas, o Brasil não integra a coalizão e o governo brasileiro se recusa a adotar a classificação de terrorismo para as facções.
Uma declaração assinada por Estados Unidos e 14 países da América Latina e do Caribe colocou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho numa lista de 24 organizações narcoterroristas. O Brasil não integra o grupo e resiste à classificação. Veja o que o documento prevê, como o governo brasileiro reagiu e onde as coberturas de esquerda, centro e direita divergem.
Os Estados Unidos e 14 países da América Latina e do Caribe assinaram no dia 22 de setembro de 2026, às margens da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, uma declaração conjunta que classifica 24 organizações criminosas como narcoterroristas. Na lista estão as duas maiores facções brasileiras, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O grupo signatário, chamado Escudo das Américas, reúne Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago, além dos Estados Unidos. Brasil e México, os dois maiores países do continente, não integram a iniciativa.
A cobertura de centro relatou o conteúdo do documento com detalhe: as medidas previstas são congelamento de bens, restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores dessas organizações, e responsabilização criminal de quem, conscientemente, forneça apoio material, incluindo logístico. Os signatários também anunciaram a intenção de encaminhar um pedido formal ao presidente do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para convocar uma reunião de consulta nos termos do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o Tratado do Rio, assinado em 1947, que estabelece que um ataque armado contra um país americano é considerado ataque contra todos. O Brasil é membro da OEA e, segundo auxiliares de Luiz Inácio Lula da Silva, o governo ainda avalia o alcance da proposta para decidir se votará a favor ou contra uma eventual resolução.
Os relatos convergem em pontos importantes. Todos registram que a designação partiu de pedido de Donald Trump durante a reunião, que os Estados Unidos já haviam designado PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas meses antes, e que Lula, em seu discurso na abertura da Assembleia Geral, defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado ao mesmo tempo em que rejeitou transferir o controle de fronteiras ou de instalações militares brasileiras a outras nações. Também há registro comum de que a Casa Branca divulgou em 16 de setembro um documento criticando o Brasil por supostas falhas no enfrentamento às duas facções.
A divergência começa na interpretação do propósito. Veículos de esquerda enfatizaram que a iniciativa é uma fachada antiterrorismo para ampliar a hegemonia norte-americana na região, e sustentaram o argumento com um achado específico: entre as 24 organizações listadas está o Cartel de Los Soles, que segundo apuração jornalística não existe como organização criminosa. O nome seria uma gíria venezuelana para designar corrupção militar, incorporada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos para embasar o indiciamento de Nicolás Maduro. Nessa leitura, equiparar facção a organização terrorista abre espaço para intervenções militares e prisões extrajudiciais fora do território norte-americano, e o termo 'apoiadores' é amplo o suficiente para alcançar críticos políticos. Fulton Armstrong, ex-diretor para temas interamericanos do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, afirmou que a militarização da guerra às drogas não funcionou: foram 16 bilhões de dólares no Plano Colômbia e a produção de cocaína segue batendo recordes.
A cobertura de centro registrou uma leitura próxima, mas atribuída ao Palácio do Planalto: membros do governo avaliam que a medida fortalece a política de segurança dos Estados Unidos para a América Latina e pode abrir precedente para acordos sobre minerais críticos, terras raras e contenção de investimentos da China e da Rússia, numa lógica que auxiliares de Lula associam à Doutrina Monroe. Segundo essas fontes, o governo brasileiro não foi surpreendido pelo documento.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo oposto: o Escudo das Américas seria um salto da região contra cartéis e milícias que rivalizam com o Estado, e a ausência do Brasil um erro. Nessa leitura, a recusa do governo em qualificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas isola o país dos vizinhos e decorre de postura ideológica, não de cálculo de soberania, com expectativa declarada de mudança de rumo pela via eleitoral.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há definição sobre como o Brasil votará caso a OEA convoque o Órgão de Consulta, nem prazo para essa reunião, e a expectativa relatada é de que não haja resultado a curto prazo.
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