O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assumiu papel central na definição das candidaturas do Partido Liberal ao Senado para as eleições de 2026. Em Mato Grosso do Sul, o Capitão Contar afirmou ter recebido do próprio Flávio, por telefone, a confirmação de que será um dos nomes do partido a uma das duas vagas em disputa no estado. A ligação teria ocorrido em 10 de junho, após pesquisas internas encomendadas pelos diretórios estadual e nacional do PL apontarem os pré-candidatos mais competitivos.
A cobertura de centro, representada pelo jornal regional, relatou a articulação de forma factual, atribuindo a informação à fala direta de Contar. Segundo ele, a definição partiu das pesquisas contratadas e o anúncio formal das pré-candidaturas deve ocorrer nos próximos dias. O texto contextualizou que o Senado renova dois terços das cadeiras nestas eleições, o que faz o eleitor votar duas vezes para senador, e lembrou que Contar foi o segundo colocado na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul em 2022, antes de migrar do PRTB para o PL em dezembro de 2025. As convenções partidárias acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto, e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Veículos de esquerda deram ao episódio um enquadramento crítico, deslocando o foco da articulação eleitoral para a conduta do senador. A cobertura enfatizou que Flávio Bolsonaro deixou o Congresso em dia útil, em meio à CPI das Bets, para viajar aos Estados Unidos e acompanhar a Copa do Mundo. Destacou ainda que os ingressos teriam sido presente de um amigo cuja identidade não foi revelada, e que não houve esclarecimento sobre quem arcou com as despesas da viagem. Para esses veículos, o anonimato configura risco de favor não declarado diante da exigência legal de transparência sobre doações e vantagens. A reportagem de esquerda também associou o senador às investigações das rachadinhas e a relações do clã com instituições financeiras, ainda que reconhecendo não haver evidência de envolvimento direto nesse caso.
O contraste de cobertura é nítido. Enquanto a imprensa de centro tratou o fato como um passo previsível na montagem das chapas do PL, descrevendo o processo de escolha por pesquisas, os veículos de esquerda leram a movimentação como parte de um cálculo eleitoral do bolsonarismo, que, com Jair Bolsonaro inelegível, dependeria dos filhos e aliados para manter influência. A presença de Flávio ao lado de Neymar foi interpretada por esse lado como peça de marketing voltada às urnas de outubro.
O que ainda não se sabe é se o PL confirmará oficialmente o nome de Contar e os demais escolhidos, quem efetivamente custeou a viagem do senador aos Estados Unidos e se ele solicitou licença parlamentar no período. Não há, até aqui, manifestação pública de Flávio Bolsonaro sobre as críticas, nem confirmação formal do partido sobre as vagas além das declarações do próprio pré-candidato.