O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) volta ao centro da disputa de 2026 em duas frentes simultâneas: a montagem das chapas do Partido Liberal para o Senado e uma viagem aos Estados Unidos para acompanhar a Copa do Mundo. As duas histórias, embora distintas, convergem no mesmo personagem e no mesmo momento eleitoral.
A cobertura de centro relatou, com base em entrevista direta ao Capitão Contar, que Flávio teria ligado para o ex-deputado em 10 de junho para confirmar sua pré-candidatura ao Senado por Mato Grosso do Sul. A decisão, segundo Contar, foi tomada a partir de pesquisas encomendadas pelos diretórios estadual e nacional do PL, que apontaram os dois nomes mais bem posicionados em estados onde havia mais pré-candidatos do que vagas. Nestas eleições, o Senado renova dois terços das cadeiras, de modo que cada eleitor vota em dois nomes. As convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
A segunda frente envolve a conduta do senador. Veículos de esquerda destacaram que Flávio embarcou para os Estados Unidos em dia útil, deixando obrigações parlamentares em Brasília, para ver a provável estreia de Neymar na Copa. Segundo a cobertura, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que os ingressos foram presente de um amigo cuja identidade ele se recusou a revelar, e que o senador não teria pago pelas entradas nem pelas despesas de viagem. A partir desse fato, a leitura de esquerda enquadra o episódio como possível doação velada, lembra o histórico das investigações sobre rachadinhas e a blindagem do foro privilegiado, e cobra da Justiça Eleitoral exame rigoroso de benefícios recebidos no período de campanha.
É nessa interpretação que as coberturas divergem. A leitura de centro mantém-se descritiva, tratando a articulação para o Senado como movimento eleitoral comum e registrando que a assessoria do senador foi procurada para esclarecer os custos da viagem, sem resposta até o fechamento. Veículos de direita, ainda que pouco representados neste cluster, tenderiam a enfatizar a organização do PL, que define chapas com base em pesquisas internas, e a tratar a viagem como assunto privado sem irregularidade comprovada, vendo nas acusações de doação velada uma ilação sem contraditório.
O que ainda não se sabe é central para o caso: quem efetivamente pagou os ingressos e as despesas da viagem, se houve ou não comunicação à Justiça Eleitoral, e se o senador solicitou licença do mandato. Tampouco há confirmação formal e pública do PL sobre a composição final das chapas ao Senado, que só deve ser oficializada nas próximas semanas, durante o período de convenções.