A eleição suplementar para o Governo de Roraima, realizada no domingo, 21 de junho, terminou com vitória nas urnas da chapa de Arthur Henrique, do PL, que obteve 60,87% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou Soldado Sampaio, do Republicanos, com 35,72%, seguido por Nelita Frank, do PT, com 3,40%. Apesar do placar expressivo, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima decidiu adiar a proclamação definitiva do resultado, deixando o desfecho da disputa nas mãos das instâncias superiores da Justiça Eleitoral.
O motivo do adiamento é jurídico. O registro da candidatura de Arthur Henrique permanece sub judice, ou seja, ainda depende de julgamento. Em nota assinada pelo presidente do TRE-RR, o desembargador Mozarildo Cavalcanti, o tribunal informou que os votos recebidos por Arthur seguem registrados nessa condição porque o registro dele ainda será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Enquanto não houver decisão, o comando do estado continua de forma interina com o próprio Soldado Sampaio, que é presidente da Assembleia Legislativa.
A cobertura de centro, predominante nesta história, detalhou com precisão a origem do impasse. A eleição suplementar só ocorreu porque o TSE havia cassado o mandato do então governador Antonio Denarium, do Republicanos, e de seu vice. Para concorrer ao cargo, Arthur Henrique, que era prefeito de Boa Vista, precisava se afastar da função no prazo legal de desincompatibilização. O TRE-RR havia fixado, por resolução, um prazo de apenas 24 horas, mas o Supremo Tribunal Federal derrubou essa decisão por considerá-la em desacordo com a Lei Complementar 64 de 1990, que prevê prazo mínimo de três meses. É exatamente esse conflito sobre o prazo que mantém a candidatura em análise.
É na leitura política do episódio que as coberturas se afastam. Veículos de direita destacaram a fala do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do PL, que parabenizou Arthur Henrique em vídeo nas redes sociais, tratou o resultado como 'eleição do nosso governador' e pediu que 'a vontade do eleitor seja respeitada'. Nesse enquadramento, a ampla maioria das urnas é o fato central, e o adiamento aparece como judicialização sobre uma decisão popular clara. Já veículos de esquerda enfatizaram que o resultado segue sub judice e que o prazo de desincompatibilização é uma salvaguarda legal para evitar que detentores de cargo se beneficiem da máquina pública, sustentando que cabe à Justiça Eleitoral, e não ao palanque, validar o pleito. A cobertura de centro, por sua vez, relatou os dois lados sem aderir a nenhum, registrando tanto a comemoração quanto a nota oficial do tribunal.
O que ainda não se sabe é quando e como o TSE decidirá sobre o registro de Arthur Henrique, e se a corte manterá ou reverterá o entendimento que indeferiu a candidatura. Até lá, Roraima permanece com um governo interino e um resultado eleitoral suspenso, à espera da palavra final da Justiça Eleitoral.