Gilmar Mendes critica quebra de sigilo após MPF manter Paulo Gonet por 5 a 4
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Resumo da cobertura
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Briefing
O que importa para você
Paulo Gonet segue no comando dos processos do Banco Master, inclusive das decisões sobre denunciar ou não os investigados. O atrito aberto entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal recai sobre o poder de um relator decidir sozinho na fase de investigação, questão que alcança qualquer alvo de inquérito na Corte. E a proposta de juiz de garantias no Supremo, retomada por Gilmar Mendes, mudaria quem autoriza medidas como quebra de sigilo e afastamento de autoridade.
Onde os lados concordam
As duas coberturas registram os mesmos fatos centrais: o Conselho Superior do Ministério Público Federal manteve Paulo Gonet na condução dos processos do Banco Master, e Gilmar Mendes atribuiu a exposição do procurador-geral ao levantamento do sigilo pelo relator, falando em dano reputacional já consumado e em vazamentos seletivos ao longo do ciclo eleitoral.
O que ainda está incerto
O teor das conversas entre Paulo Gonet e Daniel Vorcaro não foi descrito pelas fontes. Não se sabe quais argumentos sustentaram os quatro votos favoráveis à apuração, nem quem repassou o material que circulou nas redes sociais. Também não há resposta pública do relator a esta manifestação, nem data para o Supremo discutir o juiz de garantias.
O decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a atacar a condução do inquérito do Banco Master um dia depois de o Conselho Superior do Ministério Público Federal manter Paulo Gonet no comando dos processos. Ele fala em dano reputacional consumado, questiona vazamentos seletivos em ciclo eleitoral e defende a criação do juiz de garantias no próprio Supremo.
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, voltou a criticar a condução das investigações sobre o Banco Master e afirmou que a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, provocou um dano reputacional que não pode mais ser reparado. A manifestação foi publicada no sábado, 26 de setembro de 2026, um dia depois de o Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitar, por 5 votos a 4, a abertura de uma apuração contra Gonet e decidir mantê-lo à frente dos processos ligados ao banco. A tentativa de afastá-lo da atuação nesses casos também não prosperou no colegiado.
Para o decano, o resultado confirmou que não havia elemento capaz de impedir o procurador-geral de seguir atuando, nem de arranhar uma reputação construída em décadas de serviço público. A crítica dele recai sobre o caminho até esse desfecho. O nome de Gonet apareceu em conversas encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e parte do material se tornou pública depois que o então relator dos casos no Supremo, o ministro André Mendonça, retirou o sigilo dos documentos. Gonet negou proximidade com Vorcaro e afirmou que o contato entre os dois foi breve e sem relação profissional. Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e só então se reconhece que nada de grave havia naquelas conversas, escreveu o ministro, que classificou o desfecho como reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano.
A cobertura de centro relatou o episódio pelo ângulo institucional e foi a que registrou o placar apertado no Conselho Superior, a existência de um pedido parlamentar de afastamento do procurador-geral e a pressão anterior para que ele não participasse de sessão do Supremo. Nessa leitura, o ponto central é o atrito aberto entre dois ministros da Corte a respeito do próprio método de investigar, com o caso Banco Master como palco. Veículos de esquerda destacaram outro eixo: o de que o problema está nas decisões individuais tomadas na fase de investigação, cujos efeitos sobre pessoas e instituições são irreversíveis. Esses veículos reproduziram a solidariedade do decano ao procurador-geral, a defesa da lisura dele e a extensão do mesmo raciocínio ao afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, medida que Gilmar Mendes considerou desproporcional e que, segundo ele, desarticulou temporariamente o comando do órgão encarregado das fronteiras e do combate a crimes transnacionais. É nesse contexto que ele retomou a proposta de aplicar a figura do juiz de garantias também ao Supremo Tribunal Federal.
Veículos de direita não deram cobertura ao episódio até o momento, e essa ausência é em si um dado da história: a leitura que costuma vir desse campo, de que a publicidade dos autos é controle externo sobre quem acusa e de que um placar de 5 a 4 revela um colegiado dividido em vez de uma absolvição, não foi apresentada por nenhuma fonte deste conjunto. O contraste disponível, portanto, é entre um relato factual e uma leitura de defesa institucional, e não entre dois campos que disputam o mesmo fato.
O que ainda não se sabe é o essencial. O conteúdo das conversas entre Gonet e Vorcaro não foi descrito pelas fontes, nem se explicou por que a tentativa de afastamento foi rejeitada por margem tão estreita ou quais argumentos sustentaram os quatro votos derrotados. Também não há resposta pública do relator às afirmações do decano nesta manifestação, não se sabe quem repassou o material que circulou nas redes sociais, e não há data nem indicação de que a proposta de juiz de garantias para o Supremo vá ser pautada.
Fontes

Segundo o ministro, a posterior conclusão sobre a inexistência de elementos suficientes contra Gonet não seria capaz de desfazer os efeitos da divulgação

Nas redes sociais, ministro do STF cita caso Master e afastamento de diretor da PF para defender adoção de juiz de garantias na Corte