Mateus Fernandes registra boletim por ameaças de morte após campanha pró-Lula
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro

2 fontes políticas
Como decidimos →Um jovem jornalista negro e de religião de matriz africana, que mobilizou a periferia por Lula, tornou-se alvo de uma ofensiva coordenada de ódio racial e religioso, o que expõe o risco que sofrem vozes das comunidades periféricas ao se posicionarem politicamente.
O influenciador Mateus Fernandes, de 26 anos, registrou boletim de ocorrência em São Paulo por ameaças de morte e tortura recebidas nas redes sociais após declarar voto em Lula. O caso foi à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância e à Divisão de Crimes Cibernéticos, e os advogados pediram investigação do Ministério Público de São Paulo.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Cobertura de centro e de esquerda concordam nos fatos centrais: Mateus Fernandes registrou boletim na Decradi, o caso foi à DCCiber, o endereço dele foi exposto e os advogados pediram investigação do Ministério Público.
O influenciador Mateus Fernandes, de 26 anos, registrou boletim de ocorrência em São Paulo por ameaças de morte, tortura e racismo religioso após organizar uma rede de cerca de 500 influenciadores de periferia em campanha pró-Lula. O caso foi à Decradi e à DCCiber.
O influenciador e jornalista Mateus Fernandes, de 26 anos, registrou boletim de ocorrência em São Paulo por ameaças de morte e tortura recebidas nas redes sociais depois de declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o relato, os ataques começaram após o primeiro turno da eleição presidencial, quando ele passou a falar publicamente sobre política partidária, tolerância e direitos sociais.
Fernandes nasceu em Guarulhos e é fundador do InfoPerifa, iniciativa voltada ao combate à desinformação climática e à promoção de justiça ambiental e de pautas raciais e territoriais a partir das periferias. No dia 7 de outubro, ele articulou uma rede de cerca de 500 influenciadores de periferia para uma campanha de vira-voto em favor de Lula. Segundo ele, o alcance de suas postagens saltou de mais de 2 milhões para mais de 9 milhões de acessos mensais. Foi depois disso, afirma, que perfis com bandeira do Brasil, imagem de Jesus ou sem foto passaram a atacá-lo de forma coordenada. Eles postavam calúnias e ameaças em conjunto e, cinco minutos depois, apagavam as mensagens.
Uma das mensagens dizia: “Macaco fedido macumbeiro, você tem 22 dias pra te matar você”. Houve ainda ameaças de esquartejamento e referências explícitas à Ku Klux Klan, organização racista dos Estados Unidos. Um usuário disse que “sonhava em matar” o influenciador e que não desistiria até encontrá-lo, e outro estabeleceu um prazo para a morte. O endereço residencial de Fernandes foi exposto. Ele diz que há dias não volta para casa, que se abrigou na casa de amigos da umbanda e que evita contato com os familiares por medo de colocá-los em risco. Relata ainda crises de ansiedade.
O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, a Decradi, e encaminhado à Divisão de Crimes Cibernéticos, a DCCiber. Os advogados de Fernandes também pediram que o Ministério Público de São Paulo investigue os ataques. A petição descreve uma “operação orquestrada de ataques cibernéticos em massa”, com perfis que publicavam mensagens a intervalos de cerca de 30 minutos e as apagavam em seguida, numa tentativa, segundo a defesa, de destruir provas. A cobertura de centro acrescentou que os ataques seriam geralmente orquestrados por perfis fora do Brasil.
A mesma cobertura relatou o caso do modelo Vitor Maccla, fundador do Instituto Irmãos de Pele, dedicado à divulgação e ao auxílio de pessoas com vitiligo. Ele afirmou que, depois de declarar voto, recebeu mensagens violentas, insultos e até desejos de morte, e disse que discordar de seu voto não justifica agressão.
Veículos de esquerda enfatizaram o caráter coordenado da ofensiva, o racismo religioso e a apologia ao nazismo, além de ligar a escalada dos ataques ao crescimento do alcance da campanha de vira-voto na periferia. A cobertura de centro manteve o tom factual, reproduziu trechos da petição e registrou a fala de Fernandes de que ele teria sido alvo por “furar a bolha” entre esquerda e direita e contestar a ideia de que só a extrema direita fala com a periferia. Até o momento, nenhum veículo de direita cobriu o caso, de modo que não há enquadramento desse campo a relatar.
O que ainda não se sabe: a Secretaria da Segurança Pública e o Ministério Público de São Paulo não responderam à reportagem de centro, e não havia confirmação de que o Ministério Público tenha aberto procedimento a partir do pedido. Também não foram identificados os autores das mensagens, e a origem estrangeira dos perfis, assim como a coordenação entre eles, segue como alegação da vítima e de seus advogados.
Mateus Fernandes, de 26 anos, também foi alvo de ameaças de esquartejamento e referências explícitas à Ku Klux Klan (KKK), organização racista dos EUA.

Mateus Fernandes, fundador do InfoPerifa, foi alvo de ataques coordenados nas redes sociais após organizar campanha de vira-voto com cerca de 500 influencers de periferia. As ameaças incluíram racismo religioso, referências à Ku Klux Klan e exposição de seu endereço residencial.
