Grupo J&F compra a fabricante de mísseis Avibras sob aval do Cade
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A entrada da J&F na Avibras coloca sob controle de um grupo privado uma das empresas mais sensíveis da indústria de defesa brasileira, logo depois de o Estado ter feito o trabalho pesado de reerguê-la. Foi o Ministério da Defesa que credenciou a companhia como Empresa Estratégica de Defesa, foi o presidente Lula quem foi à fábrica de Jacareí reafirmar a importância do parque industrial de defesa, e foram os trabalhadores que sustentaram uma greve de 1.280 dias até arrancar um acordo de cerca de 230 milhões de reais em passivos trabalhistas. Veículos de esquerda cobram que o Cade avalie a operação à luz do interesse público, e não apenas da concorrência, e lembram que a capacidade tecnológica em jogo envolve foguetes, mísseis e projetos das Forças Armadas.
A holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechou acordo para comprar 100% das ações da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco, fabricante de mísseis, foguetes e sistemas de artilharia usados pelas Forças Armadas.
Depois de anos de recuperação judicial, operações paralisadas e uma dívida que chegou à casa de 800 milhões de reais, a Avibras é reerguida por capital privado, não por socorro estatal. A J&F, que já havia entrado no aporte de 300 milhões de reais coordenado pelo fundo Brasil Crédito, assume agora 100% do negócio pela Globe Investimentos e assume o risco de recolocar de pé uma fabricante de mísseis e foguetes.
3 fontes políticas
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Todos os lados registram que a J&F fechou acordo para comprar 100% do controle da Avibras por meio da Globe Investimentos, que o valor não foi divulgado, que a empresa é estratégica para as Forças Armadas por causa do sistema Astros e do míssil MTC-300, e que a compra vem depois da recuperação judicial de 2022, da longa paralisação e do aporte de 300 milhões de reais coordenado pelo fundo Brasil Crédito.
A J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, acertou a compra integral da controladora da Avibras Aeroco, fabricante de mísseis, foguetes e do sistema de artilharia Astros. A operação será feita pela Globe Investimentos, não teve valor divulgado e depende da aprovação do Cade. A compra ocorre após a recuperação judicial de 2022, uma greve de 1.280 dias e um aporte de 300 milhões de reais.
A holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechou acordo para adquirir 100% das ações da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco, fabricante de mísseis, foguetes e sistemas de artilharia usados pelas Forças Armadas brasileiras. A compra será executada pela Globe Investimentos, veículo já utilizado pelo grupo em negócios fora do seu núcleo tradicional, e foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, que dará a palavra final sobre a operação. O valor da transação não foi divulgado.
Em comunicado, a J&F afirmou que a compra tem como objetivo dar sustentação à recente retomada das operações da Avibras, preservar sua capacidade tecnológica e industrial e criar condições para que a companhia volte a crescer nos mercados brasileiro e internacional. A empresa é conhecida principalmente pelo Astros, sistema de artilharia capaz de lançar diferentes tipos de foguetes e mísseis, e desenvolve o MTC-300, míssil tático de cruzeiro tratado como projeto estratégico pelo Exército.
Os três blocos de cobertura convergem no essencial: o negócio existe, é integral, passa pela Globe Investimentos e ocorre no fim de um longo processo de reestruturação. A antiga Avibras Indústria Aeroespacial entrou em recuperação judicial em 2022, teve as operações paralisadas até abril deste ano e acumulou dívida que, segundo levantamento publicado em abril, chegou à casa de 800 milhões de reais. Da reestruturação nasceu a Avibras Aeroco, nova estrutura que concentrou os principais ativos industriais e tecnológicos. Meses antes do acordo, Joesley Batista participou de uma captação de 300 milhões de reais coordenada pelo fundo Brasil Crédito, hoje controlador da holding que está sendo vendida.
A divergência aparece no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda deram peso à dimensão pública e trabalhista da história: registraram que o Ministério da Defesa credenciou a companhia como Empresa Estratégica de Defesa em maio, que o presidente Lula visitou a fábrica de Jacareí em julho para destacar a importância da empresa para a indústria nacional, e que a crise produziu uma das mais longas greves do país, com 1.280 dias de duração e um acordo de cerca de 230 milhões de reais em passivos trabalhistas. Nessa leitura, o Estado e os trabalhadores sustentaram o ativo que agora muda de dono, e o exame do Cade deveria pesar soberania e concentração, não apenas concorrência.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado da equação: uma empresa estratégica quebrada foi reerguida por capital privado que assumiu risco, e a compra representa diversificação de um conglomerado que já atua em alimentos, celulose, energia, higiene e serviços financeiros. Nessa cobertura, o desfecho é apresentado como ganho para a soberania e para a base industrial de defesa, com a atuação do governo praticamente ausente do relato e sem menção ao rito de aprovação regulatória.
A cobertura de centro ficou no registro econômico e nas lacunas: atribuiu a informação à sua origem, sublinhou que não está claro quanto a J&F vai desembolsar pela totalidade da Avibras e recuperou o quadro financeiro da companhia, com a paralisação que se estendeu de setembro de 2022 a abril deste ano em meio à greve de funcionários.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhum dos lados informa o valor pago pelas ações da Nova AVB, nem o prazo estimado para a decisão do Cade ou eventuais restrições que o órgão possa impor. Também não estão detalhadas as contrapartidas assumidas pelo comprador quanto a emprego, investimento e continuidade dos projetos militares em andamento, nem como ficam as obrigações remanescentes da antiga Avibras Indústria Aeroespacial, que segue em recuperação judicial. Não há, até agora, manifestação pública do Ministério da Defesa ou do Exército sobre a troca de controle de uma fornecedora de sistemas de armas.
O grupo fechou acordo para adquirir 100% das ações da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco, fabricante de mísseis, foguetes e sistemas de defesa

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De acordo com a coluna Capital, de O Globo, o grupo familiar está comprando a Avibras por meio do veículo de investimentos Globe

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