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A Polícia Federal encontrou, no celular do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, uma lista de lembranças de fim de ano destinada a seis políticos, a maioria deles da Bahia. Uma secretária do banqueiro sugeriu, em dezembro de 2024, presentear os citados com garrafas de vinho que iam de R$ 2,5 mil a R$ 5,3 mil. Os documentos da investigação foram tornados públicos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Resumo da cobertura
Documentos da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal mostram que uma secretária de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, sugeriu presentear seis políticos, a maioria da Bahia, com garrafas de vinho de até R$ 5,3 mil como lembrança de fim de ano em dezembro de 2024. A investigação apura pagamentos de propina do Banco Master ao senador Jaques Wagner.
Constam da lista o senador Jaques Wagner, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o governador baiano Jerônimo Rodrigues, os três do PT, além do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, do prefeito de Salvador, Bruno Reis, e do ex-prefeito ACM Neto, do União Brasil, candidato ao governo da Bahia. Procurados, a maioria não respondeu até a publicação. O único a se manifestar negou ter recebido o presente.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando que, em 17 de dezembro de 2024, a secretária lembrou o banqueiro da escolha das lembranças de fim de ano e, dias depois, enviou foto de garrafas embaladas para presente, com etiquetas endereçadas a um dos citados e a um publicitário apontado pela investigação como pessoa de confiança do senador. Segundo a corporação, embora não haja confirmação de qual lembrança foi escolhida, há evidências de que os vinhos foram enviados.
A própria Polícia Federal pondera que os valores dos presentes são relativamente modestos diante das cifras das fraudes centrais apuradas na operação, mas afirma que a conduta pode caracterizar a concessão de vantagens em razão da função pública, uma vez que todos os destinatários ocupam ou ocuparam cargos relevantes na política baiana. A apuração principal investiga pagamentos de propina do Banco Master ao senador Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões teria usado o mesmo esquema de aquisição de imóveis identificado em outra frente da investigação.
A reportagem também registra que o dono do Master teria marcado encontro com o senador no Senado, disponibilizado avião em hangar discreto e citado, em diálogo, que o parlamentar seria um intermediário para mandar recado ao presidente Lula.
O que ainda não se sabe é em que fase processual estão as apurações, se haverá denúncia formal contra os citados e qual a versão completa das defesas, já que a maioria dos mencionados não havia se pronunciado até a divulgação dos documentos.
Briefing
O que importa para você
Vinhos sugeridos variavam de R$ 2,5 mil a R$ 5,3 mil.
Seis autoridades citadas: senador, ministro da Casa Civil, governador da Bahia, presidente do União Brasil, prefeito de Salvador e um candidato a governador.
A investigação aponta um apartamento de R$ 2,5 milhões ligado ao suposto esquema de propina.
Onde os lados concordam
Documentos liberados pelo STF mostram que um banqueiro ligado ao Banco Master planejou dar vinhos caros a seis políticos em dezembro de 2024, e a apuração central investiga propina ao senador Jaques Wagner.
O que ainda está incerto
Não se sabe se os políticos citados serão denunciados formalmente.
Falta a versão da defesa da maioria dos citados.
Não está claro em que fase processual está a investigação.
Secretária de Augusto de Lima sugeriu presentear políticos com garrafas de vinho de até R$ 5,3 mil. ‘Estadão’ procurou todos os citados; Antonio Rueda, que também está na lista, disse não ter recebido garrafa de vinho