O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários de primeiro e segundo turnos da eleição presidencial de 2026 em Minas Gerais, segundo a segunda rodada da pesquisa DATATEMPO, contratada pela Sempre Editora e divulgada pelo jornal O Tempo. O levantamento ouviu mil eleitores entre os dias 12 e 15 de junho de 2026, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ser tratado como estado decisivo nas campanhas presidenciais.
No cenário estimulado de primeiro turno com dez candidatos, Lula aparece com 42,3% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro surge em segundo, com 23,8%, seguido pelo ex-governador mineiro Romeu Zema, com 10,8%, e pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com 2,8%. A vantagem do presidente sobre Flávio saltou de 8,2 pontos, na rodada de março, para 18,5 pontos agora. Num cenário mais enxuto, com cinco nomes, Lula mantém 42,7% contra 25,2% de Flávio. Nas simulações de segundo turno, Lula venceria Flávio por cerca de 17 pontos e teria disputa mais apertada contra Zema. Num cenário sem o presidente, Zema lideraria diante de Flávio, com 41,1% contra 31,2%.
Veículos de esquerda destacaram que o resultado reflete o enfraquecimento e a fragmentação da oposição de direita, citando o recuo de apoios a Flávio Bolsonaro e a desarticulação do bolsonarismo. Para essa cobertura, o salto na diferença entre Lula e o segundo colocado consolida a força do petista no estado. A cobertura de centro relatou os números de forma factual, atribuindo as leituras ao instituto e detalhando a metodologia, sem enquadramento ideológico próprio. Já uma leitura à direita enfatizaria que, num cenário sem Lula, Zema vence Flávio e que os 24% de votos brancos e nulos nesse confronto revelam um eleitorado que rejeita o petismo, mas ainda não se uniu em torno de um nome. Na disputa estadual, o senador Cleitinho Azevedo, de oposição ao governo Lula no Senado, lidera a corrida ao governo de Minas, seguido do ex-prefeito Alexandre Kalil.
A própria coordenadora de pesquisa do instituto, a cientista política Audrey Dias, ponderou que o levantamento não cobre os motivos do voto e que não cabe inferir causas a partir dos números. Ela observou que, sem Lula, parte do eleitorado lulista prefere se retirar da escolha: 53,4% migrariam para Zema, apenas 6,1% iriam para Flávio e 37,4% votariam em branco ou anulariam. O que ainda não se sabe é como o eleitorado reagirá a fatos posteriores à coleta, como a operação da Polícia Federal de 18 de junho que mirou o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e os desdobramentos das conversas vazadas envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master, eventos que o levantamento não captou. Também permanece em aberto a definição formal das candidaturas, que depende das convenções partidárias.