O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve oficializar a candidatura à reeleição na convenção do Partido dos Trabalhadores marcada para 2 de agosto, em São Paulo. O encontro estava previsto para 1º de agosto, em Brasília, e mudou de data e de cidade a pedido do próprio presidente, que avaliou ser importante realizar o ato no estado onde a legenda nasceu e que costuma ser decisivo no resultado da eleição. Só depois da convenção começa oficialmente a campanha de rua.
Antes disso, o governo encerrou a fase de inaugurações de obras. Na sexta-feira anterior, uma cerimônia no Palácio do Planalto acompanhou entregas simultâneas nas áreas de educação, saúde e habitação, com interações por vídeo de 12 cidades em sete estados: Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Piauí, Alagoas e Pernambuco. A legislação eleitoral proíbe a participação de candidatos em inaugurações de obras públicas nos três meses que antecedem o primeiro turno. Até a convenção, a previsão de aliados é que o presidente concentre a agenda em encontros setoriais fechados, à noite e nos fins de semana. A equipe de campanha também será reforçada por auxiliares que deixam o governo, entre eles o fotógrafo Ricardo Stuckert, que sai da Secretaria de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual da Presidência para coordenar as redes sociais do presidente ao lado de Nicole Briones, responsável pela estratégia digital do partido.
Veículos de direita enfatizaram esse calendário pela ótica do uso da máquina pública: a sequência de entregas concluída às vésperas da restrição legal, o desempenho de 2022 em São Paulo, quando Lula teve 44,76% dos votos válidos contra 55,24% de Jair Bolsonaro, e o episódio em Luís Gomes, no Rio Grande do Norte, onde o Túnel Major Sales foi inaugurado antes de a água da transposição do Rio São Francisco chegar ao local. O presidente afirmou esperar acompanhar a entrada da água e atribuiu o caso a um erro de cálculo. O Palácio do Planalto informou depois que não houve falha na estrutura e que a água ainda percorria o sistema de canais no momento da cerimônia.
A cobertura de centro tratou o mesmo calendário pelo lado da montagem das alianças em São Paulo. O ato inaugural da campanha de Fernando Haddad ao governo do estado está marcado para 25 de julho, em Campinas, com presença prevista do presidente e, possivelmente, do vice-presidente Geraldo Alckmin. A chapa estadual traz Márcio França como candidato a vice-governador e as ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva nas duas vagas ao Senado. As convenções partidárias em todo o país ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, com exceções de calendário dentro da própria frente. Do outro lado, a convenção do Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas, foi marcada para 1º de agosto, no Ginásio do Ibirapuera, com Felício Ramuth mantido como candidato a vice e Guilherme Derrite e André do Prado projetados ao Senado.
Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no material reunido. Pela ótica desse campo, os mesmos fatos sustentam a leitura de que a agenda recente concentra entregas de educação, saúde e habitação, além do crédito do programa Desenrola e do Plano Safra 2026/27 com linha para a agricultura familiar, e de que o palanque no interior paulista se organiza em torno do financiamento de hospitais e da expansão do ensino técnico e superior.
O que ainda não se sabe: o local exato e os horários do ato de Campinas seguem indefinidos, não há confirmação da presença de Alckmin, e nem a agenda de rua do presidente depois de 2 de agosto nem a lista completa de auxiliares que deixam o governo para a campanha foram divulgadas.