Ministério Público do Trabalho pede R$ 800 mil por trabalho escravo no Lago Sul
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O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou ação civil contra uma diplomata aposentada de 80 anos, com Alzheimer, e o filho dela, por manterem uma empregada doméstica de 68 anos em condições análogas à escravidão numa casa no Lago Sul, em Brasília. O órgão pede indenização de R$ 800 mil e uma liminar para regularizar o vínculo e limitar a jornada.
A cobertura de direita registra a ação do MPT contra a diplomata aposentada e o filho como acusação ainda sujeita a defesa, e destaca o peso do pedido de R$ 800 mil e o perfil de alto escalão da investigada, ex-embaixadora do Brasil na Índia.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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O Ministério Público do Trabalho ajuizou ação civil contra uma diplomata aposentada de 80 anos e o filho dela. O órgão afirma que uma empregada doméstica de 68 anos vivia em condições análogas à escravidão no Lago Sul, em Brasília, e pede R$ 800 mil de indenização.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou, neste sábado, 17 de outubro, uma ação civil contra uma diplomata aposentada e o filho dela. O órgão os acusa de manter uma empregada doméstica em condições análogas à escravidão numa casa no Lago Sul, em Brasília. Pede indenização de R$ 800 mil e uma liminar para obrigar a família a cumprir regras trabalhistas básicas.
Segundo a cobertura de centro, a trabalhadora tem 68 anos e prestou serviço à família por cerca de 35 anos. Mesmo depois de se aposentar, há seis anos, continuou na casa sem vínculo formal, por um salário de pouco mais de R$ 4 mil. A diplomata, Vera Lúcia Barouin Crivano Machado, tem 80 anos e sofre de Alzheimer. O filho, o advogado Rodrigo Barouin Crivano Machado, passa a maior parte do tempo no Rio de Janeiro e deixou a mãe aos cuidados da funcionária.
Além de cuidar da idosa, inclusive de dar banho nela, a empregada respondia pela limpeza e manutenção de uma casa com sete quartos, sete banheiros, salão, jardim e piscina. De acordo com a denúncia, não tinha férias nem fins de semana livres e passava meses sem ir à própria casa, em Valparaíso de Goiás. Para sair, dependia de alguém que a substituísse, o filho ou o jardineiro.
O caso chegou ao MPT por denúncia anônima. O órgão fez uma auditoria, determinou o afastamento imediato da trabalhadora e lavrou 15 autos de infração contra a família. Dos R$ 800 mil pedidos, R$ 500 mil são por danos morais individuais e R$ 300 mil por danos morais coletivos. A liminar pede registro do vínculo, controle e limite da jornada, intervalos, descanso semanal, férias e os pagamentos devidos.
O MPT também fala em exploração afetiva. Segundo o documento, a dominação pode operar por dependência emocional e por obrigações apresentadas como lealdade. A trabalhadora disse que sente carinho pela idosa e que sofre ao pensar em deixá-la, mas que o trabalho é pesado demais. O filho, ouvido pelo órgão, confirmou que o cuidado da mãe era responsabilidade da empregada e que não havia controle de ponto, porque ela dormia na casa. Disse que ela já tinha manifestado vontade de sair e que é difícil encontrar alguém de quem ela goste. Afirmou também que não assinou a carteira após a aposentadoria, mas manteve os pagamentos. A reportagem tentou contato com ele e não teve retorno.
A cobertura de direita seguiu os mesmos fatos em texto mais curto. Enfatizou que se trata de suspeita e de acusação do MPT, ainda sem decisão judicial, e deu destaque ao currículo da diplomata. Ela chegou a ministra de primeira classe, foi indicada pelo Senado em 1999 para a embaixada na Índia e chefiou missões no Vaticano e na União Europeia. Esse recorte, mais voltado à figura da investigada, não aparece com a mesma força na cobertura de centro, que dedicou mais espaço aos depoimentos e à rotina da trabalhadora.
Até o momento, nenhum veículo de esquerda cobriu o caso, o que impede comparar o enquadramento desse campo.
O que ainda não se sabe: a ação não informa em que juízo tramita nem quando haverá decisão sobre a liminar. A diplomata e a defesa do filho não se manifestaram publicamente, e não está claro se a família pretende contestar a acusação. Também não há detalhe sobre o destino da trabalhadora após o afastamento.
Antes da aposentadoria, Vera Lúcia Crivano alcançou o maior posto da carreira de diplomata. Filho dela também é citado na ação civil.

Idosa de 68 anos era responsável pelo cuidado de uma casa de mais de dez cômodos, além de cuidar de mulher com alzheimer, de 80 anos.

Vera Lúcia Crivano e o filho são alvo de ação que pede R$ 800 mil por exploração de empregada de 68 anos no DF
