Na mira da PF, Ciro Nogueira tenta blindar projeto de reeleição no Piauí
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Líder do centrão e ex-ministro de Bolsonaro, Ciro Nogueira tenta blindar seu projeto de poder no Piauí justamente enquanto é investigado pela PF por suposto esquema de pagamentos mensais ligado ao Banco Master. A movimentação expõe como uma elite política regional usa estrutura, obras e o apoio de centenas de prefeitos para se manter no poder mesmo sob suspeita de corrupção, enquanto o governador petista Rafael Fonteles busca a reeleição.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido e alvo de operação da Polícia Federal no caso do Banco Master, intensifica a agenda no Piauí para tentar garantir a reeleição ao Senado.
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A reeleição de Ciro Nogueira ao Senado em 2026 está em jogo no Piauí, com oposição ao governador petista Rafael Fonteles; o senador diz contar com cerca de 200 prefeitos, e a desistência de Iasmin Dias (PT) da suplência pode mudar o equilíbrio da disputa.
Todos os lados reconhecem que Ciro Nogueira é alvo de investigação da PF no caso do Banco Master, que ele nega as acusações e que intensifica a agenda no Piauí para tentar a reeleição ao Senado apoiado em prefeitos e lideranças regionais.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e um dos principais líderes do centrão, intensificou nas últimas semanas sua agenda política no Piauí para tentar blindar o projeto de reeleição ao Senado. A movimentação acontece sob a pressão de uma investigação da Polícia Federal: em 7 de maio, ele foi alvo de busca e apreensão em uma operação ligada ao caso do Banco Master. A apuração busca esclarecer se o senador recebeu pagamentos mensais recorrentes do empresário Daniel Vorcaro, além de outras vantagens, sob suspeita de troca de favores. Ciro nega as acusações e afirma ser vítima de um 'ataque fabricado'.
A cobertura de centro, baseada em reportagem da agência Folhapress e reproduzida por veículos de perfis editoriais distintos, relatou de forma factual a estratégia do senador. Ele chegou a visitar seis municípios em um único dia e, nos dez dias seguintes, planejava uma maratona de atividades no interior, com participação em inaugurações e visitas a obras, além de sessões acompanhadas virtualmente. No tabuleiro estadual, Ciro faz oposição ao governador Rafael Fonteles (PT), que tenta a reeleição, e lançou o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (PP), como adversário. Na capital, conta com o apoio do prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil).
Os números que sustentam a capilaridade do senador aparecem em todas as versões da matéria: ele afirma ter o apoio de pelo menos 200 prefeitos, incluindo gestores petistas e de partidos da base governista como MDB e PSD, ainda que o PP tenha elegido apenas 34 prefeitos nos 224 municípios piauienses. Um movimento recente reacendeu o debate sobre suas chances: a desistência da pré-candidatura de Iasmin Dias (PT), filha do ministro Wellington Dias, à suplência no Senado. Lideranças petistas avaliam que a saída dela fortalece Ciro, já que seu nome era visto como o principal contraponto para evitar que governistas votassem no senador.
É nesse ponto que as ênfases da cobertura divergem. Veículos de esquerda enquadraram o episódio como exemplo da resiliência de uma elite política regional que mobiliza estrutura e apoios mesmo sob suspeita de corrupção, destacando a proximidade entre o centrão e interesses financeiros revelada pelo caso Master. Veículos de direita, por sua vez, tenderam a valorizar a negativa do senador e seu trabalho de base no interior, além de notar que o PP preserva identidade própria e evita se atrelar ao bolsonarismo no estado, indo às eleições em palanque separado do PL de Flávio Bolsonaro. A cobertura de centro manteve o foco no jogo de articulação, ouvindo também o contraditório: o ex-presidente do PT no estado, João de Deus, contestou a tese de vantagem para Ciro e afirmou que Wellington Dias já declarou apoio à candidatura de Júlio César (PSD) ao Senado.
O que ainda não se sabe é o desfecho da investigação da PF e se as acusações se sustentarão, já que as matérias não detalham as provas concretas reunidas até agora. Também permanece em aberto como ficará o desenho final das chapas no Piauí e se a estratégia de aproximação com prefeitos de vários partidos será suficiente para garantir a reeleição do senador em meio ao cerco judicial.
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