A primeira pesquisa Datafolha divulgada depois do início oficial da campanha presidencial mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 39% das intenções de voto no primeiro turno e o senador Flávio Bolsonaro com 33%. Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula aparece com 47% e Flávio Bolsonaro com 43%, diferença de quatro pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.058 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país, entre 18 e 19 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro BR-04496/2026 no Tribunal Superior Eleitoral. Foram testados os treze nomes registrados para a disputa presidencial.
A comparação com a rodada anterior, de julho, indica aproximação. Naquele momento, o presidente tinha 40% contra 32% do adversário no primeiro turno, e 48% contra 43% no segundo. A rejeição dos dois segue estacionada em patamar alto: 46% dos entrevistados dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro e 45% dizem o mesmo sobre Lula. Na pergunta espontânea, quando o entrevistado responde sem ver a lista de nomes, o presidente marca 32% e o senador, 19%. Nos demais cenários de segundo turno, Lula aparece com 47% contra 40% de Ronaldo Caiado e com 48% contra 38% de Romeu Zema. Entre os candidatos testados está o influenciador Pablo Marçal, registrado pelo PRTB apesar de inelegível, que o Tribunal Superior Eleitoral impediu de acessar os fundos eleitoral e partidário e de participar de debates e da propaganda de rádio e televisão.
A cobertura de centro relatou os números e a ficha técnica sem adjetivação, situando a divulgação no calendário: primeira medição do instituto após a abertura oficial da campanha e feita em meio a novas revelações da investigação da Polícia Federal que envolve o ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, e o empresário de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. Nessa cobertura, a variação frente a julho é apresentada como registro, sem conclusão sobre tendência, e sem ressalva explícita de que parte do movimento cabe dentro da margem de erro de dois pontos.
Veículos de direita trabalharam os recortes do eleitorado. Um deles apresentou levantamento da Nexus segundo o qual a fatia de 16 a 24 anos caiu de 18% do eleitorado em 2010 para 12% em 2026, acompanhando o envelhecimento da população, enquanto os eleitores acima de 60 anos já representam 23%. Nessa faixa jovem, o presidente aparece com 38% e o senador com 32% no primeiro turno, e 46% a 41% no segundo, o que o diretor de pesquisas do instituto descreveu como reflexo da mesma polarização observada na sociedade. O mesmo material lembra que o comparecimento de eleitores de 16 e 17 anos, com voto facultativo, foi de 82% no primeiro turno de 2022, acima dos 78,5% da faixa de 18 a 24 anos. Outro texto do mesmo campo antecipou o desenho de uma pesquisa Quaest em Pernambuco, com 1.302 entrevistas, coleta entre 21 e 24 de agosto, margem de erro de cerca de três pontos e divulgação prevista para 25 de agosto, tratando o estado como um dos principais redutos do Partido dos Trabalhadores e, por isso, como termômetro do alcance da oposição.
Veículos de esquerda não registraram cobertura própria deste conjunto de pesquisas até o momento, de modo que o contraponto pelo ângulo da mobilização eleitoral e das políticas sociais não aparece no material disponível.
O que ainda não se sabe é se a aproximação entre os dois primeiros colocados é tendência ou oscilação: as variações de um e dois pontos frente a julho estão dentro ou no limite da margem de erro, e nenhum dos levantamentos mede de forma isolada o efeito da investigação da Polícia Federal sobre a intenção de voto. A pesquisa citada sobre o eleitorado jovem não teve amostra, período de campo, contratante nem número de registro informados no texto. E os números de Pernambuco, que dariam a leitura regional da disputa, só serão conhecidos na divulgação prevista para 25 de agosto.