Cristina Rocha aponta CPAC, NatCon e ARC como redes da extrema direita global
Relato de fonte única, atribuído a Folha de S.Paulo. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Um artigo de opinião publicado em 14 de outubro de 2026 descreve três conferências internacionais que servem de ponto de encontro de lideranças conservadoras e aponta o nacionalismo cristão como a ideologia dominante entre elas.
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Briefing
O que importa para você
- Três conferências (CPAC, NatCon e ARC) são apontadas como os principais espaços de articulação da direita conservadora internacional.
- Brasileiros aparecem nelas: Eduardo Bolsonaro trouxe a CPAC ao Brasil em 2019 e fundadores do Brasil Paralelo estiveram na ARC de 2026.
- A autora liga esse circuito ao primeiro turno das eleições brasileiras.
O que ainda está incerto
- O artigo não mostra quais decisões políticas brasileiras seriam resultado dessas conferências.
- Não há resposta dos organizadores nem dos participantes citados.
- Apenas um veículo tratou do tema até agora.
Em artigo de opinião, a antropóloga Cristina Rocha descreve CPAC, NatCon e ARC como os espaços onde circulam as ideias da extrema direita global. Ela afirma que o nacionalismo cristão é a ideologia central e aponta a presença de brasileiros ligados aos Bolsonaros.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o assunto, em um artigo de opinião publicado em 14 de outubro de 2026. A autora é Cristina Rocha, antropóloga, professora emérita da Universidade de Western Sydney e autora do livro O Cristianismo Descolado. O texto pergunta onde circulam as ideias da extrema direita global que a família Bolsonaro, políticos e pastores brasileiros adotam.
Segundo a autora, as ligações entre o presidente americano Donald Trump e a família Bolsonaro são antigas e bem conhecidas. Ela afirma que existem três grandes conferências globais que funcionam como locais de contatos, trocas de estratégias de poder e de políticas para a pauta de costumes, economia, religião e política.
A primeira é a CPAC, sigla em inglês da Conferência de Ação Política Conservadora, realizada nos Estados Unidos. É a mais conhecida no Brasil porque Eduardo Bolsonaro a trouxe para o país, onde ocorre desde 2019. De acordo com o texto, a CPAC Brasil já recebeu o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Chile, José Antonio Kast, o pastor e político Magno Malta e o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, além de integrantes da família Bolsonaro.
A segunda é a NatCon, a Conferência Nacional Conservadora, criada em 2019 por um think tank americano liderado por um teólogo israelense-americano. A autora cita como conferencistas o ex-primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán e nacionalistas cristãos como Marco Rubio, JD Vance e Peter Thiel, fundador da Palantir, empresa que fornece tecnologia ao ICE, o serviço de imigração americano, e ao exército de Israel.
A terceira é a britânica ARC, a Aliança por uma Cidadania Responsável, criada por Jordan Peterson, descrito no texto como ativista da manosfera. A edição de 2026 teve dois brasileiros, Filipe Valerim e Henrique Viana, fundadores do Brasil Paralelo, produtora de audiovisual que a autora associa à extrema direita nacional. Também participaram pastores, políticos, executivos de empresas de combustíveis fósseis e jornalistas.
Para a autora, apesar do caráter global desses encontros, é o nacionalismo, particularmente o cristão, que figura como ideologia principal. Ela recorre aos sociólogos Baker, Perry e Whitehead, que definem o nacionalismo cristão como, acima de tudo, um esforço de reafirmar a autoridade moral e cultural dominante de uma ordem social branca, nativa, heterossexual, masculina e cristã.
O artigo cita ainda o livro mais recente de Naomi Klein e Astra Taylor, que cunharam o termo Fascismo do Fim dos Tempos. A expressão designa a aliança entre nacionalistas cristãos, executivos do Vale do Silício e adeptos da supremacia branca. Segundo as duas autoras, essas figuras acreditam que o Armagedom, o fim dos tempos descrito na Bíblia, está chegando. Alguns se imaginam arrebatados por Jesus, como Pete Hegseth, e outros dizem que escaparão para bunkers no Havaí, como Mark Zuckerberg, na Patagônia, como Peter Thiel, ou até em Marte, como Elon Musk. O texto encerra afirmando que essa mesma extrema direita global comemorou o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras.
Como se trata de fonte única e de texto de opinião, não há contraponto no material analisado. Nenhum veículo de esquerda, de direita ou de centro além desse artigo tratou do tema, e por isso não é possível comparar enquadramentos. As afirmações sobre a ideologia dos participantes e sobre as crenças de figuras citadas são interpretações da autora.
O que ainda não se sabe: o artigo não detalha quais decisões políticas brasileiras teriam sido influenciadas por essas conferências, nem apresenta a posição dos organizadores ou dos participantes citados sobre a caracterização feita.
Fontes
As conexões globais da extrema direita acreditam que o fim dos tempos está chegando
