Lula pede projeto de país a empresários em jantar em São Paulo
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Resumo da cobertura
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Briefing
O que importa para você
- Salário mínimo: o presidente disse não se conformar com piso de R$ 2.000 ou R$ 3.000 e defendeu elevação da renda dos trabalhadores.
- Energia e data centers: proposta de impedir que a energia destinada ao consumo da sociedade abasteça centros de processamento de dados.
- Terras raras e minerais críticos: intenção de exigir industrialização no Brasil e transferência de tecnologia de quem investir.
- Orçamento: proposta de reduzir a parcela da União sob controle do Congresso Nacional e de rediscutir a escolha dos ministros da Suprema Corte.
O que ainda está incerto
- Não há prazo, valor ou instrumento legal anunciado para a política industrial de minerais críticos e terras raras.
- Não se sabe como o governo separaria o consumo de energia dos data centers do consumo da sociedade.
- A reação dos empresários presentes e eventuais compromissos de investimento não foram relatados.
- O desenho da reforma política defendida, inclusive a nova forma de escolha dos ministros da Suprema Corte, segue sem detalhamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu empresários em São Paulo e transformou a pergunta sobre qual projeto de país o Brasil quer em questão eleitoral. No discurso, defendeu industrialização de minerais críticos, aumento da renda dos trabalhadores, reforma política e autonomia diante das grandes potências. A seguir, o que cada lado da cobertura destacou e o que ficou sem resposta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa definir que país pretende construir e cobrou do setor empresarial participação direta nessa definição. A declaração foi feita em jantar com empresários e profissionais liberais realizado em São Paulo na sexta-feira, 25 de setembro de 2026. No pronunciamento, o presidente associou desenvolvimento econômico a inclusão social, responsabilidade fiscal, política industrial, soberania nacional e fortalecimento da democracia, e apresentou um balanço de governos anteriores e do mandato atual.
No trecho sobre contas públicas, Lula tratou a estabilidade fiscal como obrigação de qualquer governo, e não como mérito, e sustentou que o equilíbrio serve para evitar que o custo dos desajustes recaia sobre a população mais pobre. Em seguida, condicionou essa responsabilidade fiscal a uma responsabilidade social: cortes de gasto que atinjam a Previdência ou programas de inclusão, disse, podem ampliar a pobreza. Ao defender elevação de renda, afirmou que não se conforma com salário mínimo de R$ 2.000 ou R$ 3.000 e ligou o aumento dos salários à ampliação do mercado consumidor e ao estímulo à produção das próprias empresas. Citou Getúlio Vargas e seus governos anteriores como momentos de ampliação de políticas de inclusão.
O segundo eixo foi a política industrial. O presidente defendeu que a exploração de minerais críticos e de terras raras venha acompanhada de transformação e industrialização no país, em vez de deixar o Brasil restrito à exportação de matéria-prima. Disse não ser contrário à entrada de empresas estrangeiras, mas defendeu que o investimento externo esteja vinculado à transferência de conhecimento e ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Sobre a expansão dos centros de processamento de dados, afirmou que a energia produzida para o consumo da sociedade não pode ser destinada a data center, ao mesmo tempo em que defendeu infraestrutura própria de dados e de inteligência artificial e investimento em educação para formar jovens para o setor digital. Também mencionou siderurgia, construção, setor automotivo e indústria naval entre as áreas em que espera investimento privado.
No terreno institucional, Lula voltou a defender reforma política, afirmou que o Congresso Nacional não deveria concentrar parcela tão grande do orçamento da União e disse que a sociedade precisa discutir mudanças no sistema político e na forma de escolha dos integrantes da Suprema Corte. Na política externa, defendeu que o país mantenha autonomia diante das grandes potências e citou a disputa internacional por minerais críticos e terras raras. Ao final, transformou a definição do projeto econômico em questão eleitoral, dizendo que a escolha não é entre candidatos, mas entre projetos de país.
A cobertura se dividiu de forma desigual. Veículos de esquerda registraram o discurso em detalhe, com ênfase na combinação entre crescimento e redução da pobreza, na recusa a exportar matéria-prima sem industrialização e na frase em que o presidente afirmou que o dono do país é o povo brasileiro. Veículos de direita entraram no assunto pelo terreno da opinião, sob a mesma pergunta sobre qual projeto de país está em disputa, sem relatar o encontro nem os compromissos apresentados ali. Nenhum veículo de centro do conjunto analisado cobriu o jantar, de modo que o relato factual do evento vem de uma fonte única e as afirmações feitas no discurso não passaram, até agora, por checagem independente.
O que ainda não se sabe é justamente a execução. Não há prazo, valor ou instrumento anunciado para a política industrial de minerais críticos e terras raras, nem detalhe sobre como o governo pretende separar o consumo de energia dos data centers do consumo da sociedade. Também não se conhece a reação dos empresários presentes, se houve compromisso de investimento assumido no encontro, nem qual desenho de reforma política o presidente defende, em especial quanto à forma de escolha dos ministros da Suprema Corte e à redução da fatia do orçamento sob controle do Congresso.
Fontes

Em jantar com empresários, presidente destaca que crescimento, política industrial, responsabilidade e soberania devem integrar mesmo projeto