O instituto Datafolha divulgou na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, uma bateria de pesquisas de intenção de voto que cobre a corrida presidencial e as disputas pelos governos de Pernambuco, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, além das duas cadeiras do Senado em jogo em cada um desses estados. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, do PSD, candidata à reeleição, aparece com 47% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, contra 40% do ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB. Quando se consideram apenas os votos válidos, que excluem brancos e nulos, a distância se amplia para 52% contra 44%. Nenhum dos outros seis concorrentes passa de 1%. O levantamento estadual ouviu 1.204 eleitores entre 18 e 20 de agosto, tem margem de erro de 3 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-01528/2026.
Na disputa pelas duas vagas ao Senado por Pernambuco, quatro nomes ficam empatados dentro da margem de erro: Marília Arraes, do PDT, com 15%; Humberto Costa, do PT, com 14%; Mendonça Filho, do PL, com 12%; e Eduardo da Fonte, do PP, com 11%. Cada entrevistado indicou dois nomes, e o consolidado foi reduzido a 100%. Brancos, nulos e recusas somam 23%, e os indecisos chegam a 14%, o que mantém as duas cadeiras em aberto a menos de dois meses do pleito. Na pesquisa espontânea para governador, em que os nomes não são apresentados ao eleitor, Raquel Lyra tem 39% e João Campos, 26%, com 25% de indecisos.
O mesmo pacote traz números do plano nacional e de outros dois estados. Para a Presidência, Lula, do PT, lidera o cenário estimulado com 39%, sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro, do PL, que soma 32%; na simulação de segundo turno entre os dois, a diferença cai para 47% a 43%, empate técnico considerando a margem de 2 pontos de uma amostra de 2.058 entrevistados. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PSD, marca 41% no estimulado contra 19% de Douglas Ruas, do PL, enquanto Benedita da Silva, do PT, lidera a corrida ao Senado com 15%. Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, tem 32%, e os ex-prefeitos de Belo Horizonte Alexandre Kalil, do PDT, e Patrus Ananias, do PT, empatam em 12%.
A cobertura de centro concentrou-se no enquadramento de serviço, detalhando quem são os oito candidatos ao governo de Pernambuco, com trajetória, partido e nome do vice em cada chapa, e lembrando que o estado tem o sétimo maior colégio eleitoral do país, com 7,2 milhões de eleitores aptos a votar, com primeiro turno em 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro. Veículos de direita publicaram as tabelas completas de cada estado, deram destaque ao recorte de votos válidos, que amplia a vantagem da governadora pernambucana, e anexaram um texto padrão que relembra as discrepâncias entre pesquisas e urnas nas eleições de 2022, enquadramento que trata o levantamento como fotografia de momento e não como previsão. Veículos de esquerda não aparecem no conjunto de matérias que compõem esta cobertura, e essa ausência é ela própria um dado: a leitura que valoriza a liderança de Lula nos quatro cenários de segundo turno e o desempenho de Marília Arraes e Humberto Costa no Senado pernambucano não encontrou eco nas fontes reunidas aqui.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhuma das matérias compara os percentuais com rodadas anteriores do mesmo instituto, o que impede aferir tendência de alta ou queda de qualquer candidatura. Não há recorte por renda, escolaridade, religião ou região dentro dos estados, nem reação das campanhas aos números. Também não está claro como se comportarão os 25% de indecisos da espontânea em Pernambuco e os 64% em Minas Gerais quando o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão entrar no ar. E há ruídos de edição nas tabelas: uma das simulações de segundo turno para a Presidência troca o nome de um dos adversários, e uma linha da lista de candidatos ao Senado por Minas Gerais sai sem percentual.