A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que valide uma pesquisa da AtlasIntel que mediu o impacto do caso Banco Master sobre a imagem e a intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, apontado como possível candidato à Presidência da República em 2026. Em parecer enviado nesta segunda-feira, a Procuradoria afirma que não houve irregularidade no levantamento e sustenta que a Justiça Eleitoral só deve intervir de forma excepcional ao analisar questionamentos sobre a metodologia adotada por institutos de pesquisa. O caso está sob relatoria do ministro Nunes Marques, presidente da Corte, que havia suspendido a divulgação do levantamento.
A disputa começou quando o Partido Liberal moveu uma ação para impugnar a pesquisa. Segundo o partido, o questionário teria sido construído para induzir respostas negativas sobre Flávio Bolsonaro, ao incluir uma sequência de perguntas relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, além de um trecho de áudio envolvendo o senador. O PL argumentou que esse conjunto produziria um efeito de direcionamento cognitivo, capaz de contaminar respostas posteriores sobre intenção de voto e rejeição eleitoral. A defesa também questionou a ausência do arquivo de áudio utilizado na pesquisa no sistema de registro da Justiça Eleitoral.
A cobertura de centro, baseada em despacho de agência, relatou os argumentos dos dois lados com paridade. A Procuradoria rejeita a interpretação do partido e afirma que não cabe à Justiça Eleitoral interferir na escolha dos temas abordados pelos institutos, salvo em situações de fraude ou desvirtuamento evidente. Segundo o parecer, as perguntas sobre intenção de voto foram feitas antes das questões relacionadas ao Banco Master, o que enfraqueceria a tese de influência direta sobre os resultados. O órgão acrescenta que o contato dos entrevistados com o conteúdo audiovisual ocorreu apenas após a conclusão da etapa principal, quando já estavam registradas as respostas sobre voto, imagem e rejeição. Sobre o áudio, a Procuradoria considerou suficiente a justificativa da AtlasIntel de que o sistema PesqEle só permite o envio de documentos em PDF, e observou que o próprio Flávio Bolsonaro confirmou publicamente a autenticidade da conversa reproduzida.
Veículos de direita enfatizaram o lado da defesa e do PL, destacando que o levantamento apontou queda nas intenções de voto do senador após a divulgação de mensagens ligadas a Daniel Vorcaro e que o relator Nunes Marques chegou a suspender a pesquisa por enxergar risco de indução de respostas. Nesse enquadramento, a cobrança é por critérios técnicos rígidos para impedir que pesquisas sejam instrumentalizadas politicamente contra pré-candidatos da direita. Por contraste, uma leitura de esquerda tende a ver na ação do PL uma tentativa de usar a Justiça Eleitoral para blindar um nome do bolsonarismo de informação desfavorável, e valoriza o argumento da Procuradoria de que institutos têm liberdade metodológica e de que o eleitor tem direito de conhecer fatos de grande repercussão pública.
O julgamento começou no plenário do TSE, mas foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha. Ainda não se sabe quando o caso voltará à pauta, qual será o resultado final do colegiado, nem os percentuais exatos medidos pela pesquisa. Também permanece em aberto se a decisão terá efeito sobre a divulgação de futuros levantamentos que envolvam pré-candidatos à eleição presidencial de 2026.