O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou ao centro do debate político neste fim de semana por dois motivos distintos que se cruzaram na mesma agenda: a comemoração da vitória da extrema direita na Colômbia e a crescente cobrança em torno do caso Master, que o investiga por um repasse milionário.
Na noite de domingo, 21 de junho de 2026, o advogado Abelardo de la Espriella, conhecido como El Tigre e líder do movimento Defensores da Pátria, foi eleito presidente da Colômbia ao vencer o esquerdista Iván Cepeda no segundo turno, com 49,6% dos votos válidos. Flávio gravou um vídeo em espanhol parabenizando o colombiano. A cobertura de centro relatou as palavras do senador: 'As agendas de direita continuam triunfando em toda a América, porque lutamos contra as organizações narcoterroristas, contra a corrupção, contra o aumento de imposto, e lutamos para que nossas nações sejam livres e prósperas.' Ele acrescentou que a vitória de Espriella seria 'a vitória do bem sobre o mal'.
A celebração rendeu uma onda de reações irônicas nas redes sociais. Veículos de centro registraram comentários debochados, como 'pode comemorar e ir pra lá' e observações de que a família comemoraria conquistas alheias diante das próprias dificuldades eleitorais. No plano interno, a mesma cobertura lembrou que Flávio é um dos principais nomes da corrida presidencial brasileira: levantamento Datafolha divulgado no sábado, 20 de junho, aponta o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% do senador. Em cenário de segundo turno, Lula venceria por 47% a 43%.
O segundo eixo da story é mais áspero. Veículos de esquerda destacaram que o senador enfrenta uma cobrança crescente no caso Master, que apura uma transferência suspeita de R$ 61 milhões ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, com indícios de lavagem de dinheiro. A pressão recaiu especialmente sobre o ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal, acusado por internautas e por parte da imprensa de não adotar medidas cautelares contra Flávio enquanto a Polícia Federal alcançava outras figuras públicas. A coluna da jornalista Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo, sob o título 'Caso Master: não está faltando alguém nas buscas da PF e do STF?', sintetizou esse questionamento e provocou uma reação intempestiva do senador nas redes.
É aqui que as coberturas divergem com nitidez. Veículos de esquerda enfatizaram a tese de blindagem política ao clã bolsonarista e a exigência de isonomia jurídica, tratando a ausência de cautelares como incoerência institucional e a reação de Flávio como sinal de fragilidade dos argumentos da defesa. Já a leitura à direita, ecoada nas próprias palavras do senador e de seus apoiadores, enquadra a vitória colombiana como avanço de uma pauta conservadora legítima e a cobrança no caso Master como campanha de perseguição política contra um líder da oposição que segue competitivo nas pesquisas. A cobertura de centro, por sua vez, sustentou-se nos fatos verificáveis: o resultado colombiano, as falas registradas e os números do Datafolha.
O que ainda não se sabe é o desfecho institucional do caso Master. Não há, no material disponível, decisão do STF sobre eventuais medidas contra Flávio, nem manifestação substantiva da defesa do senador sobre a origem e a natureza do repasse de R$ 61 milhões. Também permanece em aberto o impacto eleitoral concreto desses episódios sobre a corrida presidencial de 2026.