O ciclo eleitoral de 2026 começou a ganhar nomes em diferentes pontos do país, com o lançamento de pré-candidaturas que misturam estreias na política e realinhamentos partidários. O caso de maior repercussão foi o da apresentadora Silvia Abravanel, uma das herdeiras de Silvio Santos, fundador do SBT, morto em 2024. Nesta segunda-feira, ela oficializou a pré-candidatura a deputada federal por São Paulo, filiada ao PSD, partido comandado por Gilberto Kassab. Entre as bandeiras apresentadas no evento de lançamento estão políticas voltadas a pessoas com deficiência, apoio a famílias afetadas por doenças raras e iniciativas de proteção animal.
Veículos de direita destacaram a movimentação do PSD rumo a 2026, ressaltando que o partido busca ampliar sua bancada no Congresso e prepara a pré-candidatura presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Segundo essa cobertura, Caiado chegou a classificar Silvia como um 'nome forte', cotado inclusive para vice em sua eventual chapa ao Palácio do Planalto. O enquadramento valoriza a chegada de novos quadros e a estruturação de uma alternativa de centro-direita à Presidência.
A cobertura de centro, por sua vez, tratou os lançamentos de forma mais descritiva e regional. Em Mato Grosso do Sul, a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, do PL, recuou da disputa ao Senado e decidiu concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa estadual. Inicialmente cotada para o Senado com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, ela mudou de rota após a chegada de Reinaldo Azambuja ao comando do partido no estado. A reportagem registra que a sigla anulou a indicação feita por Bolsonaro, preso por tentativa de golpe, e reorganizou suas vagas: a primeira para o ex-governador e a segunda a ser definida por pesquisa, em disputa entre Marcos Pollon e Capitão Contar.
Esses relatos de centro também enfatizaram um ponto pouco abordado nas outras coberturas: a baixa representatividade feminina. Atualmente, apenas três mulheres ocupam a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, e a projeção para 2026 é de risco a essa presença. A decisão de Gianni de mirar o parlamento estadual é apresentada como tentativa de reforçar a bancada feminina, ainda que motivada por falta de espaço na disputa ao Congresso.
Veículos de esquerda tendem a ler esse mesmo conjunto de fatos sob a ótica do acesso ao poder. Nessa leitura, a entrada de uma herdeira de um dos maiores grupos de mídia do país evidencia o peso de patrimônio e sobrenome nas candidaturas brasileiras, enquanto o recuo imposto a Gianni Nogueira mostra como decisões de cúpula partidária atropelam articulações locais e como a sub-representação de mulheres segue sendo um problema estrutural.
O que ainda não se sabe é a consolidação efetiva dessas candidaturas: pré-candidaturas não são registros formais e dependem de convenções partidárias, definição de chapas e, no caso de MS, do resultado de pesquisas internas. Também não está claro se Silvia Abravanel concorrerá de fato à Câmara ou será deslocada para compor a chapa presidencial de Caiado, nem como o PL resolverá em definitivo a disputa pela segunda vaga ao Senado no estado.