O Partido Liberal reafirmou neste fim de semana o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu pré-candidato à Presidência da República em 2026. A confirmação veio em um ato em Goiânia, no sábado, 27 de junho, que lançou as pré-candidaturas de Wilder Morais ao governo de Goiás e de Ana Paula Rezende à vice, além de nomes da legenda para o Senado, a Câmara e a Assembleia Legislativa. Ao lado do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, Flávio pediu união e definiu como prioridade retirar o Partido dos Trabalhadores do governo federal e devolver, segundo ele, condições dignas de vida ao povo brasileiro.
Veículos de direita destacaram o tom de mobilização do evento. A Revista Oeste relatou que Valdemar afirmou ser Flávio o nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para dar continuidade ao seu projeto político, com aval do presidente de honra da legenda. O senador pediu que integrantes do partido deixassem as pequenas diferenças de lado para alcançar o mesmo objetivo. O encontro, que teve como tema a Copa do Mundo e apresentou dezenas de pré-candidatos apelidados de seleção do Bolsonaro, foi tratado como um dos palanques mais consolidados para a disputa presidencial.
A cobertura de centro acrescentou uma camada internacional ao quadro. A CNN Brasil informou que o Palácio do Planalto avalia que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tentaria legitimar Flávio como principal interlocutor do Brasil na negociação do tarifaço. Segundo diplomatas ouvidos pela emissora, o senador teria se inscrito para participar de uma audiência pública em Washington, marcada para 6 de julho, em que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos tratará das tarifas impostas ao Brasil. Na sexta-feira, Rubio enviou carta a Flávio reforçando a posição americana em favor da taxação, que pode chegar a 25% sobre importações brasileiras no âmbito da chamada seção 301. O governo Lula indica nos bastidores que não pretende enviar representante à audiência, por entender que o espaço é voltado ao setor privado e que o grupo de trabalho bilateral é o caminho adequado.
Veículos de direita também noticiaram as tensões internas do campo bolsonarista. O InfoMoney relatou que o senador Cleitinho Azevedo, cotado como candidato de Flávio ao governo de Minas Gerais, saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, alvo de ataques de setores da própria direita. A crise foi deflagrada após Michelle divulgar um vídeo afirmando ter sido desrespeitada por Flávio em uma ligação telefônica, em meio a divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Flávio negou as acusações e, na sexta-feira, classificou o episódio como página virada. Cleitinho disse que se trata de um assunto de família, mas criticou perfis conservadores que atacam a ex-primeira-dama.
Na síntese das diferentes coberturas, há convergência sobre o fato central: o PL trabalha para viabilizar Flávio como candidato presidencial e montar palanques estaduais. A ênfase, porém, varia. Veículos de direita enfatizaram a união do partido, o legado de Bolsonaro e o protagonismo de Flávio junto aos Estados Unidos. A cobertura de centro detalhou o ceticismo do Planalto e a avaliação de que o interesse americano teria motivação eleitoral. Restam pontos em aberto: não se sabe se Flávio efetivamente discursará na audiência do USTR, qual será o desfecho da negociação do tarifaço e se Cleitinho aceitará concorrer em Minas pelo palanque do senador.