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A 100 dias do primeiro turno, as pesquisas Quaest e Datafolha mostram Lula (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com vantagens de 39% a 29% e 41% a 31%. A disputa é pressionada pelo Caso Master, pelo financiamento do filme 'Dark Horse' e pela judicialização da pré-campanha no TSE. No Rio de Janeiro, PT e PL disputam o estado como ponto estratégico.
A 100 dias do primeiro turno, a corrida presidencial de 2026 chega a um momento decisivo com o presidente Lula (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas, mas em uma disputa que todos os lados descrevem como ainda aberta. Os levantamentos mais recentes da Quaest e do Datafolha mostram vantagem semelhante para o presidente: na Quaest, Lula aparece com 39% das intenções de voto contra 29% de Flávio; no Datafolha, o placar é de 41% a 31%.
A cobertura de centro relatou que três fatores pressionam a pré-campanha: o Caso Master, o financiamento do filme 'Dark Horse' e a judicialização no Tribunal Superior Eleitoral. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, e diálogos revelados em maio mostram Flávio Bolsonaro pedindo recursos ao banqueiro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo as apurações, foram transferidos R$ 61 milhões. A Quaest registrou queda de Flávio de 33% para 29% no primeiro turno, e 65% dos entrevistados consideram a atitude do senador um erro.
Veículos de esquerda destacaram que a distância de Lula vem aumentando justamente desde a divulgação dessas conversas, e enfatizaram o que o diretor da Quaest, Felipe Nunes, chamou de 'paradoxo da direita': Flávio mostra desgaste, mas nenhum outro nome de centro-direita se consolidou como alternativa. Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Aécio Neves aparecem fragmentados e somam cerca de 12% das intenções de voto.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram que o governo também sofre baixas. O senador Jaques Wagner, aliado de Lula, deixou a liderança do governo no Senado após entrar na mira da Operação Compliance Zero, que investiga a compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões em nome de familiares. Nesse enquadramento, ganha relevo também a atuação do TSE: dados apontam aumento de 335% nas representações por propaganda antecipada em relação a 2022, com mais de 130 ações. O ministro André Mendonça determinou a remoção de conteúdos contra Lula e de uma deepfake envolvendo Flávio, enquanto Kássio Nunes Marques rejeitou um pedido do PT para barrar 'Dark Horse' e acolheu ação da pré-campanha de Flávio para derrubar uma pesquisa da AtlasIntel desfavorável ao senador.
No plano regional, a cobertura de centro mostrou o Rio de Janeiro como ponto estratégico para as duas pré-campanhas. O estado vive um vácuo de poder no Executivo desde a renúncia de Cláudio Castro, em março, com o comando interino nas mãos do desembargador Ricardo Couto. O PT avalia que pode obter resultado melhor e aposta no ex-prefeito Eduardo Paes como palanque de Lula. Já o PL, que tem Douglas Ruas como candidato ao governo estadual, trabalha para atrelar Paes à imagem do presidente e mira o eleitorado conservador do interior fluminense, território considerado berço do bolsonarismo. Romeu Zema e Ronaldo Caiado também veem o Rio como palanque relevante.
O que ainda não se sabe é como a turbulência mais recente vai se refletir nas urnas. As pesquisas citadas não captaram nem o vídeo de Michelle Bolsonaro afirmando ter sido desrespeitada pelo enteado, que expôs um racha no clã, nem o pleno impacto da investigação sobre Jaques Wagner. A Polícia Federal ainda analisa materiais apreendidos, duas tentativas de delação de Vorcaro foram rejeitadas, e não está claro até onde a Operação Compliance Zero alcançará agentes públicos. A campanha oficial só começa em 16 de agosto.
Esquerda e centro concordam que Lula lidera as pesquisas a 100 dias do pleito, que o Caso Master e o financiamento de 'Dark Horse' pesam sobre Flávio Bolsonaro, e que a disputa segue aberta sem alternativa consolidada na direita.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Veículo de esquerda (DCM). O enquadramento valoriza a vantagem de Lula e o desgaste de Flávio Bolsonaro com o Caso Master e o financiamento de 'Dark Horse'. O título destaca a ampliação da distância de Lula. Ainda assim, registra o atingimento de Jaques Wagner, aliado do governo, mantendo lastro factual.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Coluna de bastidor do g1/Andréia Sadi com tratamento factual e equilibrado: apresenta as estratégias do PT e do PL no Rio com paridade, descreve o vácuo de poder no Executivo fluminense e cita movimentos de Zema e Caiado sem vocabulário valorativo carregado. Enquadramento de centro.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Pesquisas Quaest e Datafolha apontam Lula à frente de Flávio Bolsonaro, enquanto Caso Master e ações no TSE pressionam a disputa.
Em meio ao vácuo de poder no governo estadual, PT e PL intensificam a disputa por palanque no Rio de Janeiro, considerado estratégico para a corrida presidencial de 2026.
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