O calendário das eleições gerais de 2026 já está fechado, e o desenho da disputa começou a ganhar contorno na primeira semana de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, mais de 158,7 milhões de eleitores vão escolher representantes para cinco cargos: deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente da República, este último eleito ao lado do vice na mesma chapa.
A cobertura de centro relatou em detalhe a mecânica do pleito. Estão em disputa 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, 54 das 81 vagas do Senado, o equivalente a dois terços da Casa, e 27 chapas de governo estadual, incluindo o Distrito Federal. Presidente, governador e senador são eleitos pelo sistema majoritário, com maioria absoluta exigida no Executivo para vitória em primeiro turno. Deputados federais e estaduais são escolhidos pelo sistema proporcional, no qual as cadeiras pertencem aos partidos e às federações e são distribuídas conforme o quociente eleitoral. Para concorrer, é preciso ter filiação partidária de pelo menos seis meses, ser alfabetizado, estar em dia com as obrigações eleitorais e militares e ser escolhido em convenção; para Presidência e Senado, a idade mínima é de 35 anos. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas, e a propaganda eleitoral começa no dia seguinte ao fim do prazo. O país tem hoje 30 partidos registrados e outros 19 em formação.
No mesmo intervalo, o tabuleiro partidário se mexeu. O União Brasil anunciou neutralidade na disputa presidencial em convenção nacional e liberou seus candidatos para apoiar, em cada estado, o presidenciável que melhor se ajustar às articulações locais. A decisão acompanha a posição do Progressistas, com quem a legenda forma federação e que havia declarado neutralidade na sexta-feira anterior. No mesmo dia, o Republicanos adotou a mesma posição. Como efeito prático, ficou descartada a hipótese de a senadora Tereza Cristina compor como vice a chapa do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.
Veículos de direita enfatizaram outro movimento da semana: a desistência do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, de disputar qualquer cargo eletivo, apesar de ele afirmar que liderava as pesquisas por uma das vagas ao Senado por Minas Gerais. Nessa leitura, ganharam peso o anúncio de um projeto descrito como liberal na economia, inclusivo no campo social e responsável na gestão fiscal, e a crítica à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O mesmo texto registra que a rejeição do tucano chegou a 54% em pesquisa de julho, a maior do ranking nacional de lideranças rejeitadas.
Veículos de esquerda não produziram cobertura própria deste conjunto de fatos. O enquadramento habitual desse campo tenderia a ler a onda de neutralidades como cálculo de preservação de bancadas, de fundo eleitoral e de tempo de televisão, e a dar relevo às regras que obrigam partidos a destinar no mínimo 30% das candidaturas a cada gênero e ao menos 30% dos recursos públicos de campanha a candidaturas negras, além de estender o critério de proporcionalidade a candidaturas indígenas já a partir deste pleito.
Pontos centrais seguem em aberto. Não se sabe quais presidenciáveis receberão, na prática, o apoio dos diretórios liberados, quem ocupará a vaga de vice na chapa do PL depois do descarte anunciado, se o PSDB lançará candidatura própria à Presidência e qual será a lista definitiva de nomes efetivamente registrados até 15 de agosto.