O Programa Acredita no Primeiro Passo, do governo federal, já movimentou R$ 16,45 bilhões em crédito desde o seu lançamento, em 2024. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o programa soma mais de 1,64 milhão de operações de crédito voltadas a agricultores familiares, microempreendedores e trabalhadores inscritos no Cadastro Único. Hoje as ações estão presentes em 22 estados e no Distrito Federal, combinando microcrédito, qualificação profissional gratuita e apoio à abertura de pequenos negócios.
Os números têm origem no próprio governo. Veículos de esquerda destacaram que o programa funciona como uma política de inclusão socioeconômica voltada às famílias de baixa renda, com o Estado atuando como garantidor de oportunidade. A cobertura de centro relatou os dados de forma direta: as mulheres representam cerca de 70% dos beneficiários, em linha com a composição do Cadastro Único, e o crédito se distribui em três frentes principais. O microcrédito urbano somou R$ 2,84 bilhões e alcançou mais de 335 mil empreendedores. O Procred 360, dirigido a microempreendedores individuais e pequenos empresários, movimentou R$ 5,31 bilhões em cerca de 179 mil contratos. No meio rural, o Agroamigo, vinculado ao Pronaf B, chegou a R$ 8,29 bilhões, em aproximadamente 1,12 milhão de operações.
A reportagem apresenta também histórias individuais. Uma confeiteira de João Pessoa contratou empréstimo pelo Banco do Nordeste e investiu em equipamentos para ampliar a produção. Um jovem de Planaltina, no Distrito Federal, concluiu um curso da plataforma de capacitação do programa e ajudou a mãe a abrir um pequeno negócio de roupas e calçados. São exemplos usados para ilustrar o efeito da iniciativa na geração de renda.
Os lados convergem no fato central: o programa existe, distribui crédito e capacitação, e prioriza o público do Cadastro Único. As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda enfatizaram o protagonismo das mulheres, a agricultura familiar e a mobilidade social como prova do retorno do investimento público. Veículos de direita, por sua vez, tenderam a olhar com mais cautela: parte do material é abertamente promocional, e uma das matérias é conteúdo patrocinado pelo próprio Governo do Brasil, ou seja, publicidade, não reportagem independente. Sob esse olhar mais cético, números autocelebratórios pedem verificação, e atribuir ao programa todo o saldo de empregos formais do Caged ou o crescimento dos MEIs confunde correlação com causa.
O que ainda não se sabe é o essencial para um julgamento completo. Nenhuma das fontes detalha o custo fiscal do programa, a origem dos recursos que subsidiam o crédito barato, as taxas de inadimplência das operações ou qualquer avaliação independente de efetividade. Sem auditoria externa e sem isolar a contribuição específica do Acredita nos indicadores de emprego, os resultados divulgados permanecem como informação oficial a ser confirmada.