Lula e Flávio Bolsonaro resistem a debate de 1º de outubro e aliados divergem
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A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate presidencial marcado para 1º de outubro, o último antes do primeiro turno, divide a campanha e a base aliada. Parte da cúpula do Partido dos Trabalhadores e do governo defende a ida como oportunidade de confronto direto com o senador Flávio Bolsonaro; o presidente resiste, e a coordenação afirma que a decisão não está tomada. No campo adversário, aliados condicionam a presença do candidato do Partido Liberal à do petista. Nenhum dos dois compareceu a debate presidencial neste ano, e dois encontros já foram cancelados por causa dessa ausência.
Para o campo do senador Flávio Bolsonaro, o impasse mostra um presidente que evita o confronto direto quando as pesquisas deixam de lhe ser favoráveis. Aliados do senador registram que ele subiu quatro pontos em três semanas e chegou ao empate técnico, e parte deles sustenta que o candidato deve ir ao debate independentemente da decisão do adversário, porque teria a ganhar na comparação.
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O debate presidencial de 1º de outubro seria o primeiro encontro direto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro na campanha, mas nenhum dos dois confirmou presença. Dois debates já foram cancelados em setembro pela ausência da dupla, e as pesquisas apontam empate técnico com diferença de 0,3 ponto no segundo turno.
A onze dias do primeiro turno, a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate presidencial marcado para 1º de outubro virou disputa aberta dentro da própria campanha. Parte da cúpula do Partido dos Trabalhadores pressiona para que ele compareça, o presidente resiste, e a coordenação afirma que a decisão não está tomada. No campo do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, parte dos aliados condiciona a presença do candidato à do adversário, o que deixa o encontro sob risco de esvaziamento.
A cobertura de centro relatou que o ministro José Guimarães, das Relações Institucionais, defende a ida para usar a televisão aberta na comparação de experiência entre os dois. O cálculo contrário também é explícito: o presidente seria o único nome da esquerda no palco e alvo preferencial dos demais, cada debate consome um dia de preparação que poderia virar comício em estados decisivos, e um deslize às vésperas da votação pesaria numa eleição apertada. Em julho, ele já havia dito que não iria a debate para ouvir bobagem.
Veículos de direita enfatizaram a divisão no Congresso. Os deputados Chico Alencar, Márcio Jerry e Alencar Santana disseram que o presidente deveria comparecer, tratando o debate como dever democrático; João Daniel e Nilto Tatto avaliaram o contrário, e um líder partidário ouvido sob reserva argumentou que, com os percentuais cristalizados, nenhum dos dois deveria ir. O líder do Partido Liberal na Câmara, Sóstenes Cavalcante, respondeu que Flávio Bolsonaro deveria comparecer só se o presidente for, posição repetida por Paulo Bilynskyj. Bibo Nunes discordou e defendeu a participação em qualquer circunstância.
Os dois lados convergem em três pontos verificáveis. Nenhum dos dois candidatos mais bem colocados foi a debate presidencial neste ano. Dois encontros foram cancelados em setembro por essa ausência: o do dia 14, desistido em 8 de setembro por um consórcio de veículos, e o de 27 de setembro, cancelado em 23 de setembro por uma emissora que declarou que um debate sem os candidatos que somam cerca de 70% das intenções de voto não cumpriria sua função. E as pesquisas apontam empate: a Quaest de 21 de setembro trouxe 37% a 33% no primeiro turno, com margem de dois pontos, e a AtlasIntel/Bloomberg de 24 de setembro indicou 47,7% a 47,4% no segundo.
A divergência está no significado da ausência. A leitura de centro trata o impasse como cálculo de campanha em cenário de indefinição. A da direita lê a resistência como sinal de fragilidade diante de um adversário que cresceu quatro pontos em três semanas, e registra que o presidente aceitou sabatinas e entrevistas, mas evita o formato em que precisa responder ao concorrente. Veículos de esquerda não registraram o impasse no material analisado, e a lacuna é parte do quadro: o argumento de que a ausência protege o projeto de governo contra ataques simultâneos aparece apenas na voz de parlamentares citados pelas outras coberturas.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma das campanhas confirmou presença ou ausência em 1º de outubro. Também não está definido se a emissora convidará Renan Santos e Romeu Zema, hipótese que depende de resultado de pesquisa, nem se o encontro ocorre caso os dois primeiros colocados faltem. Ronaldo Caiado e Augusto Cury têm direito a participar pela lei eleitoral.
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