O Instituto Datafolha divulgou em 21 de agosto de 2026 uma nova rodada de pesquisas de intenção de voto que combina o cenário presidencial, a avaliação do governo federal e a disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo. No primeiro turno da corrida presidencial, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%, contra 40% a 32% na rodada anterior. No segundo turno simulado, o placar é de 47% para Lula e 43% para Flávio Bolsonaro, variação pequena em relação ao levantamento precedente. Na avaliação do governo, a soma dos que classificam a administração como ruim ou péssima subiu de 38% para 41%, a dos que a consideram ótima ou boa oscilou de 32% para 33%, e a desaprovação voltou a superar a aprovação, por 50% a 47%.
No recorte paulista, a pesquisa mediu a preferência para as duas cadeiras do Senado em disputa, com o eleitor podendo escolher até dois nomes. Marina Silva e Simone Tebet registram 12% cada e André do Prado, 10%, um empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Na sequência aparecem Guilherme Derrite com 7%, Ricardo Salles com 6%, Geraldo Rufino com 4% e um grupo de candidaturas entre 3% e zero. Brancos e nulos somam 21% e os indecisos, 14%. O levantamento ouviu 1.610 eleitores entre os dias 18 e 21 de agosto de 2026, com nível de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o código SP-01806/2026.
A cobertura de centro concentrou-se na leitura de que as investigações por tráfico de influência contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, ainda não se converteram em perda de intenção de voto, embora o desgaste já apareça na avaliação do mandato. O caso, nessa análise, não decantou: o efeito eleitoral direto é nulo até aqui, mas a piora da avaliação contraria o padrão observado em todas as campanhas brasileiras desde 1998, em que o ocupante do cargo tende a melhorar seu desempenho ao longo do período eleitoral. Segundo a diretora do instituto, Luciana Chong, o anúncio de demissões em massa e do fechamento de lojas de uma grande rede varejista pesou na percepção sobre a economia.
Os veículos de direita deram o foco ao recorte paulista e ao entorno metodológico. A ênfase recaiu sobre a lista completa de candidaturas ao Senado, com destaque para o volume de votos ainda disperso entre nomes do campo conservador, e sobre a advertência de que pesquisas são leitura de momento e não previsão de resultado, lembrando discrepâncias observadas entre os levantamentos de 2022 e as urnas. Esse enquadramento cobra prestação de contas dos institutos e trata o dado como insumo de decisão de partidos, lideranças e mercado, não como sentença. Já veículos de esquerda não registraram o levantamento no recorte analisado, de modo que o ângulo que costuma acompanhar esse campo, o de que a resiliência do voto no presidente separa a responsabilidade individual do empresário investigado da avaliação do mandato, não aparece atribuído a nenhuma cobertura específica.
Os dois lados que cobriram o levantamento convergem no essencial: os números são os mesmos, a corrida presidencial segue competitiva e a diferença entre os dois primeiros colocados está longe de ser confortável em qualquer dos turnos. A divergência é de recorte. A cobertura de centro tratou a pesquisa como termômetro do impacto de um escândalo em curso sobre a Presidência; a de direita tratou-a como retrato de uma disputa estadual aberta e como oportunidade de qualificar o próprio instrumento da pesquisa eleitoral.
O que ainda não se sabe é se a deterioração da avaliação de governo vai migrar para a intenção de voto nas próximas rodadas, e em que ritmo. Também não há detalhamento público, nas coberturas analisadas, sobre o estágio da apuração contra Fábio Luís Lula da Silva, qual órgão a conduz e se há prazo para conclusão. Nenhum dos textos apresenta índices de rejeição dos candidatos ao Senado por São Paulo, nem a metodologia do recorte presidencial, o que impede aferir se a variação de oito para seis pontos entre as rodadas está dentro da margem de erro.