Flávio Bolsonaro pede voto útil na reta final, padrão que costuma prejudicar o PT
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- Primeiro turno no domingo, 4 de outubro.
- Candidatos menores somam 12% na Quaest; em 2022, eles caíram de 14% para menos de 10% nas urnas.
- Abstenções, brancos e nulos ficam fora dos votos válidos e podem mudar a proporção final.
Onde os lados concordam
- O voto útil historicamente favorece o candidato mais competitivo contra o PT, hoje Flávio Bolsonaro.
- A abstenção, mais concentrada entre eleitores de baixa renda, tende a prejudicar Lula.
O que ainda está incerto
- Tamanho real da abstenção no domingo.
- Se a rejeição de 56% de Flávio Bolsonaro vai frear a migração de votos de outros candidatos de direita.
A poucos dias do primeiro turno de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro pede que eleitores de outros candidatos de oposição votem nele já agora. Lula, sem candidatos de centro-esquerda para atrair votos, concentra esforços em evitar a abstenção, que historicamente prejudica o PT.
A poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 4 de outubro, o encolhimento dos candidatos menores nas pesquisas reforça a possibilidade de repetição do chamado voto útil, a migração de eleitores para o nome mais competitivo na reta final. Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal, pede abertamente esse movimento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, enfrenta outro desafio: evitar a abstenção, problema habitual para o partido.
Os dados citados pelas coberturas convergem. Pela pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, os presidenciáveis que pontuam abaixo de Lula e Flávio somam 12%. A rejeição é alta para os dois líderes: 56% para Flávio e 54% para Lula. O histórico mostra que o voto útil costuma favorecer o candidato antipetista. Em 2022, Lula tinha 50% dos votos válidos no Datafolha três dias antes da votação e terminou com 48%, o que frustrou a vitória no primeiro turno. Jair Bolsonaro saltou de 36% para 43% no mesmo intervalo, enquanto os demais candidatos caíram de 14% para menos de 10%.
A cobertura de centro relatou que, desta vez, Lula disputa pela primeira vez sem candidatos de centro ou centro-esquerda, o que limita a migração de votos para ele. Por isso, a campanha petista concentra esforços em levar eleitores às urnas. Eleitores de baixa renda e idosos, grupos em que o presidente lidera, comparecem menos. Lula chegou a apelar diretamente para que pessoas de 70 anos votem. A mesma cobertura destacou que Flávio carrega uma dificuldade própria: foi alvo de críticas de Ronaldo Caiado, do PSD, Romeu Zema, do Novo, Renan Santos, do Missão, e Augusto Cury, do Avante, sobretudo depois da revelação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lula confirmou que não irá ao debate da TV Globo e participará, no mesmo horário, de um podcast. O cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, avalia que a percepção de que o país será governado por um dos dois antecipa a decisão do eleitor.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo do mercado financeiro. Um gestor de fundo que opera eleições afirmou que o antipetismo de chegada tende a ser maior neste ano, por haver apenas candidatos de oposição a Lula, e que Flávio deve ser o principal beneficiado. Para ele, cerca de 3% dos eleitores decidirão a disputa, e os investidores podem estar precificando um cenário que não captura essa mudança de última hora. O gestor também prevê aumento do não voto, que soma abstenções, brancos e nulos, e alerta que, se chegar a 32%, terá peso forte sobre os votos válidos.
Até o momento, nenhum veículo de esquerda havia publicado cobertura própria sobre o tema neste conjunto de fontes.
Ainda não se sabe qual será o tamanho real da abstenção nem se a alta rejeição de Flávio Bolsonaro vai limitar a migração de votos. Também permanece em aberto se o movimento detectado pela Quaest em favor de Lula em estados como Minas Gerais e Pernambuco terá efeito nacional.
Fontes

Abstenções, brancos e nulos estão entre os movimentos que podem alterar o resultado em relação aos levantamentos

Flávio Bolsonaro (PL) pede abertamente o movimento, já registrado em estados para os dois lados