Lula janta com empresários em São Paulo após falar em 'babaquice' do superávit
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, 25 de setembro, de um jantar com empresários e banqueiros em um hotel nas proximidades da Avenida Paulista, em São Paulo, marcado para as 19h. A lista de convidados obtida pela imprensa reúne 154 nomes, sem indicar quem confirmou. O encontro ocorre nove dias antes do primeiro turno, em 4 de outubro, e menos de duas semanas depois de Lula dizer, em comício em Curitiba, que era preciso 'parar com essa babaquice de fazer superávit'. O governo trata o jantar como oportunidade de recalibrar a sinalização fiscal, enquanto a área econômica avalia que o mais importante é o presidente ajustar o próprio discurso em aparições públicas.
Veículos de direita leem o jantar como operação de contenção de danos de uma campanha em dificuldade. A frase sobre a 'babaquice de fazer superávit', dita em comício, desfez o esforço de aproximação com o mercado conduzido pela equipe econômica e reforçou a dúvida sobre o compromisso do governo com o ajuste, justamente quando o Planalto anuncia reajuste de 15,04% no Bolsa Família e prepara um programa para quitar dívidas antigas sem expectativa de recebimento.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Toda a cobertura descreve o jantar de 25 de setembro em São Paulo como tentativa de reduzir o mal-estar criado pela fala de Lula contra a 'babaquice de fazer superávit', e situa o encontro a nove dias de um primeiro turno disputado voto a voto com o senador Flávio Bolsonaro.
O jantar desta sexta-feira em São Paulo, com lista de 154 convidados do setor produtivo e financeiro, é a resposta do governo ao mal-estar criado pela fala de Lula contra a geração de superávit. Acontece a nove dias do primeiro turno, em meio ao anúncio de reajuste no Bolsa Família e de um programa para reduzir o endividamento das famílias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, 25 de setembro, de um jantar com empresários e banqueiros em um hotel nas proximidades da Avenida Paulista, em São Paulo. O encontro está marcado para as 19h, tem o Grupo Prerrogativas como anfitrião e convite assinado por Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha em São Paulo. A lista de convidados obtida pela imprensa reúne 154 nomes, entre executivos de bancos privados, de estatais, da indústria e do varejo, e não especifica quem aceitou o convite. Estão previstas as presenças do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Aloizio Mercadante.
O jantar ocorre nove dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e menos de duas semanas depois de Lula afirmar, em comício em Curitiba no dia 12 de setembro, que 'para o governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit'. É o segundo encontro do tipo em menos de um mês: o anterior aconteceu em 31 de agosto, no Palácio da Alvorada, em formato restrito, com 16 representantes do setor privado.
Toda a cobertura converge em três pontos. O primeiro é a função do jantar, entendido como tentativa de desfazer o mal-estar criado pela frase do comício junto ao mercado financeiro. O segundo é o contexto eleitoral: as pesquisas mais recentes apontam disputa apertada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro tanto no primeiro turno quanto em um eventual segundo turno. O terceiro é o pacote de medidas econômicas em curso, que inclui reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família, um programa em acabamento para reduzir o endividamento das famílias, com dívidas de até cinco anos de atraso, e a decisão de restringir as apostas on-line, tema que o presidente levou à tribuna da Assembleia Geral da ONU ao dizer que a indústria das apostas 'transforma o vício em lucro'.
A divergência está no significado atribuído a esse conjunto. Veículos de direita enfatizaram o caráter eleitoral das medidas, descrevendo-as como bondades lançadas às vésperas do pleito para recuperar popularidade, e trataram a fala sobre o superávit como um erro que pôs a perder a aproximação da equipe econômica com o mercado. Nessa leitura, o programa de quitação de dívidas antigas assume passivo que os credores já davam como perdido, e a resistência de empresários e de parte do Centrão ao fim da escala de trabalho 6x1 indica que a base do governo pode migrar conforme o resultado das urnas. A cobertura de centro relatou o mesmo episódio pelo ângulo do debate interno do governo: a fala teria origem na irritação do presidente com a pressão por austeridade e com a imagem de irresponsabilidade fiscal, e não em uma virada programática. Segundo essa apuração, a área econômica avalia que o jantar importa menos do que o presidente modular o próprio discurso em aparições públicas, e trabalha com um cenário de ajustes que preserve a projeção do projeto de lei de diretrizes orçamentárias para 2027, que prevê superávit de 1,5% do PIB até 2030. A mesma cobertura registra que surgiu, em reunião do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, com empresários, a ideia de uma nova 'Carta ao Povo Brasileiro' com sinalização fiscal mais concreta, vista com ressalvas pela equipe econômica. Veículos de esquerda não cobriram o encontro no material reunido até agora, e por isso não há nesta story um enquadramento próprio desse lado sobre o episódio; o dado que alimentaria essa leitura está na cobertura de centro e de direita, que registra endividamento de 82% das famílias entre julho e agosto, o maior patamar da série histórica desde 2010.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma fonte informa se Lula fará no jantar um compromisso fiscal explícito, se a ideia da carta avançará no PT ou qual o desenho final do programa de renegociação de dívidas e da restrição às apostas. Também não se sabe quantos dos 154 convidados compareceram, nem qual será a reação dos empresários presentes.
Lista de convidados à qual o Valor teve acesso reúne 154 nomes, mas o número de participantes pode ser maior

Após mal-estar com mercado, presidente tem encontro com empresários e banqueiros na sexta-feira, em São Paulo; novo programa para reduzir endividamento das famílias está no radar

Presidente se reúne com empresários na sexta-feira em São Paulo
