Três das principais lideranças do PT na Bahia tiveram seus perfis no Instagram atingidos por um crescimento abrupto e anômalo de seguidores na madrugada de sábado, 1º, poucas horas antes da convenção que oficializaria suas candidaturas em Salvador. Foram alvo as contas do governador Jerônimo Rodrigues, do senador Jaques Wagner e do ex-ministro Rui Costa. Segundo nota da Federação Brasil da Esperança, coalizão que reúne PT, PCdoB e PV, os três perfis receberam cerca de 70 mil novos seguidores em aproximadamente cinco horas, em grande parte contas de origem asiática.
A convenção do mesmo dia, realizada na capital baiana com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oficializa a candidatura de Jerônimo Rodrigues à reeleição no governo do Estado e as de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado. É esse encontro de datas que a coalizão considera decisivo para interpretar o episódio.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e o relato disponível vem de uma única fonte: a nota oficial da própria federação. Segundo esse relato, para conter o volume de novos seguidores as três contas foram fechadas, e a coalizão registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil da Bahia, pedindo a identificação dos responsáveis. A nota afirma que a coincidência de datas não seria acidental e atribui ao ataque duas finalidades: fabricar um fato político, com a narrativa falsa de que os candidatos comprariam seguidores, e induzir a plataforma a erro, provocando a suspensão dos perfis em pleno período eleitoral, já que o ganho artificial de seguidores viola as políticas de uso do serviço.
O mecanismo descrito tem lógica conhecida no ambiente digital. Regras de plataformas punem crescimento artificial de audiência, e sistemas automáticos de detecção não distinguem, num primeiro momento, quem comprou seguidores de quem os recebeu sem pedir. Na prática, isso significa que um terceiro pode acionar a punição contra um perfil alheio apenas inflando seus números. Em ano de campanha, o efeito imediato de uma suspensão é a perda do principal canal direto de comunicação de um candidato com o eleitorado.
Como a cobertura é de fonte única e a versão disponível é a da parte atingida, elementos centrais seguem sem verificação independente. Não há confirmação da plataforma sobre o crescimento anômalo, sobre eventual suspensão das contas ou sobre a origem dos novos seguidores. Não há manifestação da Polícia Civil baiana sobre o andamento da apuração, nem informação sobre perícia técnica nos perfis. Também não se sabe se as contas foram reabertas, se houve prejuízo efetivo à comunicação da campanha e se episódios semelhantes atingiram outras candidaturas no mesmo período. A autoria permanece desconhecida, e nenhuma linha de investigação foi tornada pública.