Lula reavalia ida ao debate com Flávio Bolsonaro após 39% a 36% no Datafolha
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Resumo da cobertura
O presidente Lula reavalia a decisão de ficar fora dos debates do primeiro turno e estuda participar do encontro marcado para 1º de outubro, três dias antes da votação. A mudança de cálculo acompanha o estreitamento da disputa: a última pesquisa Datafolha registrou 39% para Lula e 36% para o senador Flávio Bolsonaro, empate técnico e a menor distância entre os dois desde a primeira quinzena de maio. No mesmo período, uma emissora cancelou o debate previsto para 27 de setembro depois de os dois principais candidatos avisarem que não compareceriam.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- CartaCapital‘Record’ cancela debate presidencial após ausências confirmadas de Lula e Flávio BolsonaroResta, ainda, o debate da ‘TV Globo’, que não tem a presença confirmada dos dois principais candidatos
Análise editorial
O núcleo noticioso é descritivo e bem datado: comunicado da emissora, ausências dos dois líderes, histórico dos debates cancelados e calendário do segundo turno. O enquadramento de esquerda aparece fora do relato, no bloco editorial do próprio corpo, que trata a eleição como risco ao futuro democrático e associa o campo adversário a uma ameaça, e na seleção de leituras que ligam o senador ao escândalo do Banco Master. Por isso LEFT com confiança moderada.
- Qualidade argumentativa
- 57/100
- Manipulação emocional
- 30/100
- Clickbait
- 15/100
- Fontes citadas
- 3
Perspectivas omitidas
- Não traz justificativa das campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro para as ausências
- Não informa como o cancelamento afeta os demais candidatos que haviam confirmado presença
Veículos com viés ao centro
- Folha de S.PauloAvanço de Flávio Bolsonaro faz Lula reavaliar estratégia, e presidente deve ir a debate da GloboCenário de empate nas pesquisas leva aliados a defender participação do petista a 3 dias das eleições
Análise editorial
O texto expõe argumentos a favor e contra a ida do presidente ao debate, nomeia fontes da campanha (o ministro Sidônio Palmeira e o presidente do PT, Edinho Silva), ancora a mudança de estratégia em números de pesquisa e recorre a precedentes de 1998 e 2006. Vocabulário descritivo, sem termos valorativos; a única inclinação perceptível é o peso dado ao episódio do Banco Master como razão para a eventual ausência do senador, sem contraponto dele.
- Qualidade argumentativa
- 66/100
- Manipulação emocional
- 15/100
- Clickbait
- 20/100
- Fontes citadas
- 4
Perspectivas omitidas
- Não apresenta a versão da campanha de Flávio Bolsonaro sobre a decisão de comparecer ou não ao debate
- Não detalha a metodologia nem a margem de erro da pesquisa citada
Veículos com viés à direita
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A três dias da votação do primeiro turno, o último debate presidencial ainda não tem os dois favoritos confirmados. O presidente Lula reavalia a ausência depois que a pesquisa Datafolha apontou empate técnico, com 39% contra 36% do senador Flávio Bolsonaro, e dois encontros já foram cancelados por falta de confirmação dos dois.
O presidente Lula reavalia a decisão de ficar fora dos debates do primeiro turno e estuda comparecer ao encontro marcado para 1º de outubro, três dias antes da votação. A mudança de cálculo acompanha o estreitamento da disputa: a pesquisa Datafolha mais recente registrou 39% para o petista e 36% para o senador Flávio Bolsonaro, empate técnico e a menor distância entre os dois desde a primeira quinzena de maio, quando o placar era de 38% a 35%. A decisão ainda não está tomada, e as duas campanhas tratam a presença de cada um como condicionada à do adversário.
O movimento ocorre no mesmo momento em que uma emissora cancelou o debate presidencial que estava marcado para 27 de setembro, depois de os dois principais candidatos comunicarem que não participariam. Foi o segundo cancelamento da temporada: um encontro previsto para 14 de setembro, organizado por um grupo de veículos, também caiu pela falta de confirmação de Lula e de Flávio Bolsonaro. No debate de estreia, em 23 de agosto, apareceram apenas Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury, o menor número de participantes em um debate inaugural desde 1989.
A cobertura de centro concentrou-se nos bastidores da campanha do presidente. O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, e o presidente do PT, Edinho Silva, estão entre os que defendem a ida, com três argumentos: o governo será atacado e precisa ser defendido, o encontro ocorre em horário de pico de audiência, logo após o principal telejornal da noite, e o material gerado alimenta as redes sociais. No primeiro turno de 2022, a audiência desse debate chegou a 26 pontos. O comando da campanha também foi avisado de que o púlpito reservado ao presidente ficará vazio em caso de ausência. Do outro lado do argumento, petistas alertam que Lula pode virar alvo simultâneo dos adversários alinhados à direita e que não há garantia de que o senador compareça mesmo com a confirmação do presidente. A rouquidão do presidente, e o tom que ela imprime à fala, também preocupa assessores.
Veículos de esquerda enfatizaram o outro lado da equação das ausências. Nessa leitura, a cadeira vazia protege o senador de responder em rede nacional sobre o escândalo do Banco Master e sobre o áudio divulgado em maio, no qual ele pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O sucessivo cancelamento de encontros é apresentado como perda para o eleitor, que fica sem a comparação direta de propostas na reta final.
Veículos de direita não produziram cobertura própria sobre o episódio no conjunto analisado, de modo que o argumento simétrico, o de que faltar a debate é prática conhecida de presidente em campanha de reeleição, aparece apenas pela via factual: a cobertura de centro lembrou que Lula optou por não comparecer aos debates do primeiro turno em 2006, quando liderava com folga sobre o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin, e que Fernando Henrique Cardoso fez o mesmo em 1998, ano em que venceu no primeiro turno. A diferença apontada é o placar: naqueles casos havia vantagem confortável, e agora há empate.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há confirmação formal de Lula nem de Flávio Bolsonaro para o encontro de 1º de outubro, e como cada um condiciona a ida à do outro, a desistência de última hora segue possível para os dois. Também não foi informado o que acontece com o formato caso apenas um dos líderes compareça. Para o segundo turno, já há debate previsto para 11 de outubro, com votação marcada para 25 de outubro.
Briefing
O que importa para você
O eleitor já perdeu dois debates presidenciais nesta campanha, um em 14 de setembro e outro marcado para 27 de setembro. Resta o encontro de 1º de outubro, três dias antes da votação do primeiro turno, e ele só reunirá os dois favoritos se ambos confirmarem, porque cada campanha condiciona a ida à do outro.
Onde os lados divergem
A cobertura de centro trata a hesitação como cálculo eleitoral de campanha, pesando audiência, risco de virar alvo e precedentes de 2006 e 1998. Veículos de esquerda deslocam o foco para o senador Flávio Bolsonaro e ligam a ausência ao escândalo do Banco Master e ao áudio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Veículos de direita não apresentaram versão própria no conjunto analisado.
Onde os lados concordam
As duas coberturas registram os mesmos fatos: a disputa apertou, com 39% para Lula e 36% para Flávio Bolsonaro; dois debates presidenciais já foram cancelados por ausência dos dois líderes; e a presença de cada um no encontro de 1º de outubro segue condicionada à do adversário.
O que ainda está incerto
Não há confirmação formal de Lula nem de Flávio Bolsonaro para o debate de 1º de outubro. Também não se sabe qual será o formato caso apenas um dos dois compareça, nem qual a posição oficial da campanha do senador sobre as ausências anteriores.
Fontes

Cenário de empate nas pesquisas leva aliados a defender participação do petista a 3 dias das eleições

Resta, ainda, o debate da ‘TV Globo’, que não tem a presença confirmada dos dois principais candidatos


