A senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nesta quarta-feira, dia 1º de julho, em meio à crise que se instalou na família Bolsonaro e no Partido Liberal. Segundo Damares, Michelle foi alvo de uma ofensiva pessoal nas redes sociais, com montagens produzidas por inteligência artificial e insinuações sobre a paternidade de Laura Bolsonaro, filha caçula de Jair Bolsonaro.
A crise ganhou contornos públicos depois que Michelle deixou a presidência do PL Mulher, na terça-feira, e se recusou a participar de uma agenda da pré-campanha de Flávio Bolsonaro voltada ao eleitorado feminino. O que começou como uma disputa por espaço político e palanque passou a atingir a esfera familiar do bolsonarismo. Em paralelo, permanece em aberto a possível pré-candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal, considerada estratégica pelo PL. Damares afirmou que a ex-primeira-dama ainda não decidiu se será candidata: "Não decidiu nem que sim, nem que não", disse, acrescentando que o partido tenta convencê-la a disputar mais perto do período da convenção.
A cobertura de centro, representada pelo blog de Gerson Camarotti no G1, limitou-se ao fato verificável: a indefinição sobre a candidatura e a saída de Michelle da direção do PL Mulher, sem entrar no mérito das acusações. Já veículos de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo, enfatizaram o desgaste interno do bolsonarismo, destacando o enquadramento do ex-presidente como marido humilhado na guerra familiar e apontando a misoginia de aliados de Flávio e Eduardo Bolsonaro, entre eles Paulo Figueiredo, que teria dito que "mulheres votam mal".
A leitura de direita do episódio, por sua vez, tende a enquadrar Michelle como vítima de uma campanha difamatória coordenada, valorizando a defesa feita por Damares e a convocação para que mulheres ingressem na política apesar dos ataques. Nessa chave, a candidatura ao Senado aparece como afirmação da força política da ex-primeira-dama no núcleo evangélico e feminino.
Há convergência de que houve ataques pessoais graves contra Michelle e de que a disputa expõe uma fratura real no PL às vésperas do calendário eleitoral. O que ainda não se sabe é se Michelle será de fato candidata, quem produziu e disseminou as montagens mencionadas por Damares, e como Flávio Bolsonaro, que tentou acenar às lideranças femininas, vai se posicionar diante das ofensas direcionadas à ex-primeira-dama.