PF apura Lulinha e Roberta Luchsinger em lobby de R$ 1,26 milhão na Petrobras
1 veículo de centro · 2 veículos de direita

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A investigação da Polícia Federal descreve um esquema clássico de tráfico de influência no entorno do Palácio do Planalto: o filho mais velho do presidente, a lobista Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro atuando para que a Petrobras fechasse um contrato que os próprios técnicos da estatal diziam ser prejudicial. A lobista recebeu R$ 1,26 milhão da Unigel e tinha a promessa de R$ 25 milhões se o financiamento de R$ 500 milhões no BNDES saísse. Em mensagem, ela resumiu o método como toma lá, dá cá, ao sugerir que a empresa pagasse a Lulinha como conselheiro de um fundo. Outra frente da mesma apuração aponta depósitos a servidores do Ministério do Desenvolvimento Social e dinheiro guardado em espécie.
A Polícia Federal apura se Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuou junto à Petrobras em favor da fabricante de fertilizantes Unigel, ao lado da lobista Roberta Luchsinger e do ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
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Veículos com viés à esquerda
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: falácia identificada.
A cobertura de centro e a de direita convergem no núcleo factual: a Polícia Federal investiga, em inquérito sigiloso sob relatoria do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal, a atuação de Lulinha, da lobista Roberta Luchsinger e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro em favor da Unigel; que os repasses à lobista somam R$ 1,26 milhão entre março de 2023 e julho de 2024; e que nada disso, isoladamente, comprova crime.
Um inquérito sigiloso no Supremo Tribunal Federal apura se o filho mais velho do presidente Lula, uma lobista e um ex-chefe de gabinete do Planalto atuaram para que a Petrobras fechasse com a Unigel um contrato que técnicos da estatal consideravam prejudicial. Os repasses à lobista somam R$ 1,26 milhão, e havia promessa de R$ 25 milhões atrelada a um financiamento do BNDES.
A Polícia Federal apura se Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuou em favor dos interesses da fabricante de fertilizantes Unigel junto à Petrobras, em conjunto com a lobista Roberta Luchsinger e com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República. A apuração corre em inquérito sigiloso sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e examina suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Segundo a investigação, Roberta Luchsinger negociou e fechou com Leo Slezynger, diretor da Unigel e filho do fundador da empresa, Henri Slezynger, um contrato de consultoria com dois objetivos. O primeiro era viabilizar com a Petrobras um arranjo em torno das fábricas de fertilizantes arrendadas na Bahia e em Sergipe, capaz de salvar a companhia da bancarrota. O segundo era obter no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social um financiamento de R$ 500 milhões para expandir a empresa em uma sociedade com a estatal. O acerto previa R$ 100 mil à lobista, mais R$ 25 milhões caso o financiamento fosse aprovado. Entre março de 2023 e julho de 2024, os investigadores identificaram repasses de R$ 1,26 milhão de Slezynger a ela, além de presentes e diárias de hotel.
A cobertura de centro concentrou-se no contrato e no efeito sobre a Petrobras. Ela detalhou que a empresa buscava o modelo chamado de tolling, no qual a estatal forneceria gás e receberia fertilizante como pagamento, e que técnicos da companhia e o então presidente, Jean Paul Prates, resistiam ao arranjo porque, com gás em alta e fertilizante em queda, a petroleira tenderia ao prejuízo. Essa cobertura reproduziu trechos literais das mensagens, entre eles a frase em que a lobista sugere pagar o filho do presidente como conselheiro de um fundo e resume a lógica como toma lá, dá cá, e registrou as negativas: o advogado de Roberta Luchsinger tratou o material como fruto de vazamento criminoso às vésperas de eleição, a defesa de Lulinha afirmou não ter tido acesso ao procedimento e a Unigel declarou nunca ter mantido relação contratual com a lobista nem com empresa ligada a ela.
Veículos de direita ampliaram o escopo para além do contrato com a estatal. Eles destacaram outra frente da mesma apuração, segundo a qual a lobista teria orientado um operador financeiro a fazer depósitos para servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome em junho de 2023, entre eles o secretário-executivo adjunto Ranniêr Costa Ciríaco e o coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias, José Martinho Ferreira de Araújo. Nessa linha aparecem R$ 60 mil em espécie a serem distribuídos entre contas bancárias, mensagens que mencionam mais de R$ 500 mil guardados em malas e R$ 193 mil supostamente entregues ao empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha, cuja defesa nega o recebimento e diz desconhecer a origem dos valores. Parte dessa cobertura usou manchetes de forte carga, com o termo bomba e afirmações no indicativo sobre condutas que o próprio texto descreve como ainda sob investigação, e uma delas não publicou nenhuma das manifestações das defesas.
Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do caso no período analisado. A leitura que faltou é a que costuma enquadrar episódios assim pelo lado da empresa pública: o risco do arranjo recaía sobre a Petrobras e sobre o dinheiro do BNDES, não sobre a companhia privada que pleiteava o acordo, e o arrendamento original das fábricas veio da política de desinvestimento da estatal no governo anterior.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há denúncia formal apresentada contra os investigados, e as suspeitas descritas não equivalem a conclusão sobre responsabilidade criminal. Segue em aberto se o contrato de consultoria com a Unigel existiu nos termos descritos, já que a empresa nega qualquer vínculo com a lobista, e se o contrato com a Petrobras foi efetivamente assinado e com que prejuízo mensurado. Também não está esclarecido se houve qualquer decisão do presidente da República no processo, se o financiamento no banco de fomento avançou, e qual a origem do dinheiro em espécie citado nas mensagens. A Petrobras e o BNDES não aparecem com versão própria em nenhuma das coberturas.
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