A pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira, 31 de agosto de 2026, mudou o desenho da corrida presidencial ao registrar o escritor e psiquiatra Augusto Cury, do Avante, com 11% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. Na rodada anterior, de 24 de agosto, ele tinha 2%. O salto de nove pontos percentuais em uma semana o levou isoladamente à terceira colocação e fez dele o primeiro nome fora da polarização a alcançar dois dígitos nesta série de levantamentos.
No mesmo cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, lidera com 39%, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. Os dois recuaram: Lula tinha 41% e Flávio, 37%, e a distância entre eles passou de quatro para seis pontos. Ronaldo Caiado, do PSD, aparece com 5%, Renan Santos, do Missão, com 3%, e Romeu Zema, do Novo, com 1%. Num segundo cenário, que inclui o influenciador Pablo Marçal, do PRTB, declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, Lula marca 37%, Flávio 31% e Cury mantém 11%. Nas simulações de segundo turno, o placar entre Lula e Flávio Bolsonaro repete o da semana anterior: 46% a 45%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O presidente também empata tecnicamente com Caiado, por 45% a 44%, e vence Zema por 46% a 41% e Renan Santos por 47% a 38%. O instituto Nexus ouviu 2.005 eleitores por telefone entre 28 e 30 de agosto, com intervalo de confiança de 95%. O estudo foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08900/2026.
A cobertura de centro tratou o levantamento como registro estatístico e se concentrou na reprodução dos cenários, da metodologia e da comparação com a rodada anterior. Esses veículos detalharam os recortes demográficos: Lula lidera entre as mulheres, por 43% a 28%, no Nordeste, por 48% a 25%, e entre os eleitores de 60 anos ou mais, por 50% a 32%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece à frente no Sul, por 47% a 28%, no Norte e Centro-Oeste, por 42% a 31%, e entre os eleitores de 16 a 24 anos, faixa em que Cury chega a 22%. A mesma cobertura registrou a piora na avaliação da gestão federal, com aprovação caindo de 48% para 46% e desaprovação subindo de 49% para 51%, o maior saldo negativo desde maio, e a rejeição praticamente igual dos dois líderes, 50% para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula.
Veículos de direita enfatizaram a leitura política do movimento. Nessa cobertura, o avanço do escritor é apresentado como sintoma de esgotamento do eleitor diante de uma campanha descrita como troca de denúncias entre os dois campos, e como sinal de alerta para os dois primeiros colocados. Um texto opinativo dessa faixa sustentou que Cury demonstrou pouco domínio de economia e de administração pública em suas aparições recentes, mas capturou o sentimento de quem rejeita tanto o petismo quanto o bolsonarismo. Outra reportagem do mesmo campo apoiou-se na avaliação de Marcelo Tokarski, presidente-executivo da Nexus, para quem o mais prejudicado é Flávio Bolsonaro, porque parte de seu eleitorado procura um nome conservador de tom mais moderado. Segundo o instituto, 19% dos eleitores de Cury se definem como não polarizados e outros 19% se dizem contrários a Lula e a Bolsonaro ao mesmo tempo.
A cobertura de esquerda esteve ausente nesta rodada: nenhum veículo desse campo aparece entre os que relataram o levantamento no material reunido. Ficaram sem porta-voz editorial os ângulos que essa faixa costuma privilegiar e que estão nos próprios dados, como o fato de Lula manter a liderança em todos os cenários, reunir 35% de voto exclusivo contra 27% do senador e alcançar 52% entre os eleitores com renda familiar de até um salário mínimo. A divergência de fundo entre as coberturas presentes é de interpretação, não de número: o centro apresenta a queda de Lula e de Flávio como oscilação de uma série que segue apertada, enquanto a direita a lê como abertura de espaço político.
O que ainda não se sabe é se o movimento se sustenta. Entre os eleitores que declaram voto em Cury, 59% dizem que a decisão está tomada, contra 85% entre os eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro, e 39% admitem trocar de candidato até a votação de outubro. O instituto não testou o escritor em nenhum cenário de segundo turno, o que deixa em aberto seu desempenho num confronto direto.