A primeira rodada de pesquisas do Datafolha divulgada depois do início oficial da campanha eleitoral, em 21 de agosto de 2026, apontou o Distrito Federal como a disputa estadual mais apertada entre as que foram medidas. A governadora Celina Leão, do PP, candidata à reeleição, registrou 30% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 28% do ex-governador José Roberto Arruda, do PSD. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois aparecem tecnicamente empatados. O deputado federal Leandro Grass, do PT, ficou em terceiro, com 11%, seguido pela deputada distrital Paula Belmonte, do PSDB, com 4%, e por Ricardo Cappelli, do PSB, com 3%.
Na pergunta espontânea, em que o entrevistado responde sem ver a lista de candidatos, Celina Leão lidera isolada, com 21% das menções, contra 12% de Arruda e 6% de Grass. A rejeição é próxima entre os dois primeiros colocados: 32% dos eleitores dizem que não votariam na governadora de jeito nenhum e 30% afirmam o mesmo sobre o ex-governador, enquanto Grass é rejeitado por 19%. A avaliação da gestão está dividida, com 47% de aprovação e 44% de desaprovação; 24% consideram o governo bom ou ótimo, 38% o classificam como regular e 32% como ruim ou péssimo. O instituto ouviu 910 eleitores em 28 regiões administrativas entre 18 e 21 de agosto, com nível de confiança de 95%, e registrou o levantamento no Tribunal Superior Eleitoral sob os códigos DF-07561/2026 e BR-02094/2026.
O empate ocorre com a candidatura de Arruda ainda pendente na Justiça Eleitoral. Em 19 de agosto, a Procuradoria Regional Eleitoral no Distrito Federal pediu que o registro fosse negado, sob o argumento de que o ex-governador está inelegível até dezembro de 2030. Arruda, que chefiou o Executivo local entre 2007 e 2010 e foi preso e condenado em processos derivados da Operação Caixa de Pandora, contesta o pedido, diz que sua candidatura cumpre a legislação e se apoia em uma mudança legal aprovada pelo Congresso em 2025. Do outro lado, Celina Leão disputa a reeleição em meio à crise do BRB, banco que negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos para cobrir o rombo ligado às operações do Banco Master. A governadora afirmou em debate no dia 9 de agosto que foi contra a compra do Master, articulada na gestão de Ibaneis Rocha, de quem era vice-governadora.
A mesma rodada trouxe outros estados. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, aparece com 45% das intenções de voto, contra 27% do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, do PT, e venceria um eventual segundo turno por 54% a 35%. No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, tem 41%, mais que o dobro do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, do PL, com 19%, seguidos pelo ex-governador Anthony Garotinho, do Republicanos, com 9%. Na corrida ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro, do PL, lidera com 19%, à frente de Leila do Vôlei, do PDT, com 16%, com Erika Kokay e Bia Kicis logo atrás.
A cobertura de centro se concentrou nos números e na metodologia, detalhando amostra, período de campo, margem de erro e códigos de registro eleitoral, e foi a que mais explorou os contextos judicial e financeiro que cercam a disputa no Distrito Federal. Veículos de direita reproduziram os mesmos percentuais, mas deram relevo à liderança isolada de Celina Leão na pesquisa espontânea, ao peso do eleitorado conservador na amostra e acrescentaram ressalvas sobre a confiabilidade de pesquisas eleitorais, lembrando divergências entre levantamentos e urnas em 2022. Nenhum veículo de esquerda cobriu diretamente os percentuais desta rodada; a leitura de esquerda presente no material analisado desloca o foco do placar para o discurso de campanha, ao questionar a promessa de governo técnico e sustentar que apresentar a gestão como substituta da política apenas oculta as escolhas políticas que continuam sendo feitas.
Ainda não se sabe se a Justiça Eleitoral vai aceitar o registro da candidatura de Arruda, decisão que redefiniria toda a disputa distrital, nem para onde iriam os votos hoje declarados a ele caso a impugnação prospere. Também não há medição sobre o efeito da crise do BRB na intenção de voto, e nenhuma das pesquisas divulgadas testou cenários de segundo turno no Distrito Federal ou no Rio de Janeiro.