O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 está marcado para a noite de domingo, 23 de agosto, às 20h, e deve começar com dois púlpitos vazios. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa, não devem comparecer ao encontro promovido por uma emissora de televisão em conjunto com as demais casas do pool de transmissão. Dos treze candidatos que registraram candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seis foram convidados: além de Lula e Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
A cobertura de centro relatou que a legislação eleitoral assegura presença nos debates aos candidatos de partidos ou federações com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional, critério atendido hoje por PT, PL, PSD e Avante, e que as emissoras podem convidar outros concorrentes por conta própria. Foi esse ponto que motivou a reclamação da campanha do presidente, insatisfeita com os convites a Renan Santos e a Romeu Zema e com a avaliação de que o formato concentraria ataques sobre o candidato à reeleição, sem igualdade de condições para respondê-los. Lula já havia dito, em entrevista a um podcast no mês passado, que avaliaria o nível antes de confirmar presença. Flávio Bolsonaro condicionou sua participação à do petista: a avaliação de sua campanha é que, sem o presidente no palco, o senador se tornaria o alvo preferencial dos demais candidatos, que disputam parte do mesmo eleitorado de direita. Pablo Marçal (PRTB) está inelegível e foi proibido pelo TSE de participar de debates enquanto o registro de sua candidatura não for julgado.
Veículos de esquerda concentraram a cobertura nos números da primeira pesquisa Datafolha divulgada após o início oficial da campanha, que aponta Lula com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 33%, seguidos por Ronaldo Caiado com 5%, Renan Santos com 4%, Romeu Zema com 3% e Augusto Cury com 2%. Nas quatro simulações de segundo turno testadas, o presidente aparece à frente em todas, com 47% contra 43% do senador e vantagens maiores diante dos demais adversários. O levantamento ouviu 2.058 pessoas entre 18 e 20 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no TSE. Nessa leitura, a liderança do presidente e o empate técnico entre o terceiro e o sexto colocados ajudam a explicar por que um debate sem os dois primeiros perde peso na disputa principal.
Veículos de direita enfatizaram o simbolismo dos lugares vazios, lembrando que a emissora decidiu manter no cenário os púlpitos sorteados para Lula e Flávio Bolsonaro, e deram destaque ao cálculo eleitoral por trás das duas ausências, além da disputa por dinheiro público na campanha, com o pedido do Ministério Público Eleitoral para impedir que um candidato inelegível acesse recursos do fundo eleitoral. A cobertura de centro, por sua vez, registrou a agenda dos presidenciáveis na sexta-feira: o anúncio da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, coordenada pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques e pelo ex-ministro Adolfo Sachsida, com foco declarado em corte de despesas e redução do endividamento do Estado; as caminhadas de Romeu Zema e Ronaldo Caiado por áreas de comércio popular em São Paulo, com críticas à gestão fiscal do governo federal; e a viagem de Lula a Minas Gerais, onde visitou obras e participou de ato ao lado do candidato do PT ao governo estadual, Patrus Ananias. Essa mesma cobertura projeta segurança pública e economia como os temas dominantes do debate, com a violência citada por 33% dos eleitores como principal preocupação e 44% afirmando que a economia piorou nos últimos doze meses, além da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O que ainda não se sabe é se as ausências vão de fato se confirmar. As assessorias de Lula e de Flávio Bolsonaro não se manifestaram formalmente, e a de Romeu Zema não respondeu se ele estará presente. Também não há definição sobre quando o TSE julgará o registro de Pablo Marçal, nem sobre o efeito das duas ausências na audiência e na intenção de voto dos candidatos que ocuparão o palco.