Lula assina MP do Desenrola 3.0 para União comprar R$ 150 bilhões em dívidas
3 veículos de esquerda · 3 veículos de centro

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Veículos de esquerda leram o Desenrola 3.0 como intervenção do Estado para tirar do sufoco famílias endividadas que o mercado de crédito deixou sem saída. O argumento central é a escala do problema: 83,9 milhões de pessoas negativadas, 56% delas mulheres, média de quatro dívidas por pessoa e ticket médio de R$ 7 mil. Ao comprar a carteira com desconto de 90% e repassar o abatimento integral ao devedor, a União rompe com o modelo anterior, em que a negociação dependia da boa vontade do banco credor. O programa aparece como continuidade de uma política que já alcançou 25 milhões de pessoas nas duas primeiras fases, e o custo de até R$ 15 bilhões é apresentado como barato diante de R$ 150 bilhões de dívida potencialmente limpa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em 25 de setembro de 2026 a medida provisória 1.393/2026, que cria o Desenrola Brasil 3.0. A União passa a comprar em leilão carteiras de dívidas inadimplidas de pessoas físicas, com deságio mínimo de 90%, e a repassar integralmente o desconto ao devedor.
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6 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: viés de centro.
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Veículos com viés ao centro
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Todos os lados descrevem o mesmo desenho: a União compra carteiras de dívidas de até R$ 10 mil, atrasadas entre dois anos e quatro anos e meio, com deságio mínimo de 90%, e repassa o desconto integralmente ao devedor. Também há convergência no diagnóstico do problema, com R$ 592 bilhões inadimplidos e 83,9 milhões de pessoas negativadas, e no reconhecimento de que o desconto efetivo depende do leilão com os credores.
O Desenrola Brasil 3.0, criado pela medida provisória 1.393/2026, muda o método do programa: a União compra em leilão carteiras de dívidas de até R$ 10 mil, atrasadas entre dois anos e quatro anos e meio, com deságio mínimo de 90%, e repassa o desconto ao devedor. Abaixo, as regras e o calendário, e como a cobertura de esquerda, centro e direita divergiu sobre o custo e o momento da medida.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na sexta-feira 25 de setembro de 2026, a medida provisória 1.393/2026, que cria a terceira fase do programa Desenrola Brasil. A mudança central é de método. Nas duas primeiras versões o governo apenas facilitava a conversa entre o banco credor e o consumidor inadimplente, garantindo parte das operações. Agora a União entra comprando: adquire em leilão carteiras de dívidas não pagas e repassa ao devedor o desconto que conseguir na compra. O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis, que R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados e que até 15 milhões de pessoas possam ser beneficiadas, com custo máximo de R$ 15 bilhões para o Tesouro.
As regras aparecem iguais em toda a cobertura. Entram no programa dívidas de valor original de até R$ 10 mil, inadimplidas há mais de 720 e menos de 1.645 dias contados de 25 de setembro de 2026, o que corresponde a atrasos entre dois anos e quatro anos e meio. O deságio mínimo exigido do credor é de 90% sobre o valor de face da carteira, e as propostas são classificadas pelo maior desconto oferecido. Quem vende precisa entregar todos os créditos elegíveis de um mesmo devedor, sem escolher apenas parte deles. A operação pode envolver a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios em que a União participa como cotista. Depois da compra, o devedor pode quitar à vista com o mesmo percentual de abatimento ou parcelar o saldo com juros, em condições a serem fixadas pelo Conselho Monetário Nacional. O primeiro lote, cujo chamamento está previsto para novembro, alcança cartão de crédito rotativo e parcelado e crédito pessoal sem consignação em folha; dívidas de varejo, água, luz e telefonia entram em lotes posteriores. O Ministério da Fazenda ainda pode criar critérios extras de renda e de prioridade, e o programa vale até 30 de junho de 2028.
Os números do problema também são consensuais. Levantamento do Tesouro Nacional citado pelo governo aponta que, em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, com 83,9 milhões de pessoas negativadas, média de quatro dívidas por pessoa e cerca de R$ 7 mil em débitos por consumidor. Cerca de 55% desse estoque não é bancário.
A divergência começa no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de esquerda destacaram o retrato social por trás da dívida, com ênfase em que 56% das pessoas negativadas são mulheres e em que o programa dá continuidade a uma política que já alcançou 25 milhões de pessoas, somando 8 milhões de operações e R$ 53 bilhões renegociados na primeira fase e 5,5 milhões de operações e R$ 22 bilhões na segunda. Nessa leitura, a entrada do Estado como comprador corrige a assimetria entre o credor e o consumidor superendividado, e os R$ 15 bilhões são despesa pequena diante do alívio de renda familiar.
A cobertura de centro relatou o desenho operacional e o calendário sem adjetivos, com atenção ao que ainda depende do mercado: o percentual efetivo de deságio só será conhecido no leilão, o repasse do desconto começa em fevereiro de 2027 e o dinheiro está previsto nos Orçamentos de 2027 e 2028. Um dos textos explicou também a aritmética do abatimento, mostrando que uma dívida de R$ 10 mil comprada com 90% de desconto pode ser quitada por R$ 1 mil.
Veículos de direita enfatizaram o calendário político e a conta pública. Para essa cobertura, o ponto principal é que a medida foi assinada a nove dias do primeiro turno das eleições de 2026 e entra numa sequência de anúncios do Executivo federal em ritmo quase semanal, enquanto a despesa é empurrada para os dois exercícios seguintes. O escrutínio se estende à eficácia: cerca de três em cada dez dívidas renegociadas por parcelamento no Desenrola 2.0 já tinham parcelas em aberto, e comprar crédito privado com dinheiro do contribuinte é apresentado como transferência de prejuízo do banco para o Estado, com incentivo ruim para quem pagou em dia. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, defendeu a medida dizendo que o objetivo é limpar R$ 150 bilhões da carteira para que as famílias possam recomeçar.
O que ainda não se sabe é quanto do programa vai sair do papel. O desconto real depende de quantos credores aceitem vender a carteira, e o próprio governo reconhece que a adesão deve ficar abaixo do teto.
Pacote de medidas é voltado a MEIs, produtores rurais, pessoas físicas, empregadores e ex-bolsistas de pesquisa.

Medida foi lançada em junho deste ano e é focada na renegociação de dívidas de trabalhadores informais

Nova fase do programa prevê desconto mínimo de 90% na aquisição das carteiras e pode alcançar até 15 milhões de pessoas

As dívidas elegíveis são de cartão de crédito rotativo e parcela e de crédito pessoal sem consignação em folha, com atraso de 2 a 4,5 anos

Governo federal prevê gastar R$ 15 bilhões com a nova ação, que serão previstos nos Orçamentos de 2027 e 2028

Entenda como será o novo programa de renegociação de dívidas criado pelo governo Lula, o Desenrola 3

Nesta matéria: viés de direita.
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