Na terça-feira (13), primeiro pregão depois do feriado, o dólar subiu e a Bolsa brasileira caiu. Às 16h26, a moeda americana avançava 0,71%, cotada a R$ 5,021. Um minuto depois, o Ibovespa recuava 1,10%, aos 206.750 pontos, em movimento de realização de lucros depois dos recordes registrados na semana anterior, quando o índice chegou perto dos 210 mil pontos.
Os investidores repercutiram a nova pesquisa BTG/Nexus, que mostra o senador Flávio Bolsonaro, do PL, com 52% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos, e são a métrica que o Tribunal Superior Eleitoral usa para contabilizar o resultado final. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que configura empate técnico entre os candidatos.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e a cobertura é de perfil factual. Ele relata que analistas ouvidos ligam a cautela do dia a três fatores. O primeiro é a expectativa por novas pesquisas de segundo turno. O segundo é o ajuste técnico depois da forte valorização recente. O terceiro é a possibilidade de avanço de pautas como o fim da escala 6x1, que deve ser votada no Senado nesta quarta-feira, segundo um dos especialistas, que disse que o processo pode mexer com a corrida eleitoral. Outro analista citou o debate sobre cortes de gastos públicos como fonte de incerteza e afirmou que o movimento pode ser uma pausa ou correção, e não necessariamente o fim da euforia com o resultado do primeiro turno.
O mesmo relato informa que os juros futuros registravam leve alta, depois da forte queda da semana passada. Os contratos com vencimento em janeiro de 2028 subiam 0,15 ponto percentual, para 12,685% ao ano, e os de janeiro de 2035 avançavam 0,23 ponto percentual, para 12,580% ao ano. O resultado do primeiro turno contribuiu para a queda dos juros e foi recebido com otimismo por parte do mercado. Segundo o texto, investidores associam uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva, com maior controle dos gastos públicos e medidas para melhorar a trajetória das contas públicas.
Na agenda econômica, foi divulgado o Boletim Focus, o primeiro a captar os efeitos do resultado eleitoral. Os economistas elevaram a previsão de inflação e reduziram a estimativa para a taxa básica de juros neste ano. Para 2027, mantiveram inflação de 4,3%, juros de 12% e crescimento do Produto Interno Bruto de 1,4%. No cenário externo, as Bolsas de Nova York operavam em queda, o petróleo Brent recuava 0,70%, a US$ 105,90, e investidores acompanhavam as iniciativas do presidente americano Donald Trump para um acordo entre Rússia e Ucrânia.
Como há um único veículo na história, não é possível comparar enquadramentos entre esquerda, centro e direita. A cobertura disponível é de centro e não atribui interpretação ideológica ao movimento do mercado. Não há, no material, uma leitura de veículos de esquerda sobre o que significa o mercado precificar um possível ajuste fiscal, nem uma leitura de veículos de direita sobre o mesmo ponto.
O que ainda não se sabe: a pesquisa BTG/Nexus é citada sem detalhes de metodologia, data de campo e número de entrevistados. Também não está claro se a votação do fim da escala 6x1 no Senado ocorrerá de fato nesta quarta-feira, nem como o mercado reagirá às próximas pesquisas de segundo turno.