Eduardo Bolsonaro, condenado por coação, diz que não voltará ao Brasil para prisão
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Condenado por coação para intimidar o Judiciário, Eduardo Bolsonaro se recusa a cumprir a pena e ataca um ministro do Supremo Tribunal Federal, enquanto uma série de viagens ao Bahrein levanta dúvidas sobre transparência e interesses da família.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação, disse em Washington que não voltará ao Brasil para cumprir a pena. Ele defendeu a saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal e se encontrou com o presidente argentino Javier Milei.
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Os dois relatos tratam Eduardo Bolsonaro como ex-deputado sob pressão do Judiciário, com condenação no Supremo Tribunal Federal e atuação política a partir do exterior, ligada à campanha do irmão Flávio.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro disse em Washington que não vai voltar ao Brasil para cumprir a pena de quatro anos e dois meses por coação. Ele defendeu a saída de Alexandre de Moraes do Supremo e se reuniu com Javier Milei a dez dias do segundo turno.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou, na quarta-feira, 14 de outubro, em Washington, que não pretende voltar ao Brasil para cumprir a pena de quatro anos e dois meses de prisão a que foi condenado. "Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não", disse a jornalistas. Eduardo vive nos Estados Unidos desde o ano passado. A declaração foi dada durante um jantar de gala em celebração à cultura hispânica, com ingressos a partir de três mil dólares, que reuniu figuras da direita americana e brasileira e contou com a presença do presidente argentino, Javier Milei.
Na quinta-feira anterior, dia 8, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o cumprimento da pena imposta pelo crime de coação, praticado nos Estados Unidos com o objetivo de intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista. O ministro também mandou cancelar os passaportes de Eduardo.
A cobertura de centro relatou que Eduardo voltou a defender a saída de Moraes da Corte. Segundo ele, seria necessário "expurgar" o ministro para que o irmão, o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, consiga governar caso vença o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para 25 de outubro. Eduardo também comemorou o que descreveu como rejeição, pelo partido, de uma tentativa de acordo com integrantes do Supremo. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, nega qualquer acordo político com o tribunal. O texto lembra que ministros do STF temem pedidos de impeachment depois da eleição de uma bancada conservadora no Senado, com ao menos 49 parlamentares favoráveis, de 54 votos necessários.
Milei chamou Lula de "ditador comunista" em discurso de mais de 15 minutos e disse acreditar que Flávio vencerá. Eduardo falou em uma "era de ouro da América Latina", com aproximação entre governos de direita e os Estados Unidos, e citou o Escudo das Américas, iniciativa liderada pelo presidente Donald Trump contra o crime organizado. Negou ter pedido a Trump que apoiasse Flávio.
Veículos de esquerda destacaram outro ângulo. Um levantamento mostra que Eduardo esteve ao menos nove vezes no Bahrein desde 2019, a mais recente em 8 de outubro, recebido pelo príncipe herdeiro em Manama. Segundo essa cobertura, três das visitas mais recentes coincidiram com momentos de pressão judicial, como a denúncia da Procuradoria-Geral da República em outubro de 2025. Flávio e o deputado Mário Frias também viajaram ao país, sem informação pública sobre quem pagou as comitivas. A leitura da esquerda sugere falta de transparência e questiona quais interesses estariam em jogo, inclusive diante de promessas de Flávio a investidores bareinitas.
No conjunto analisado, não houve cobertura própria de veículos de direita. As posições do campo aparecem apenas nas falas de Eduardo e de Milei reproduzidas pela cobertura de centro, que mostram a recusa em cumprir a pena como resistência a uma perseguição judicial.
O que ainda não se sabe: se Moraes ou o Supremo responderão às críticas, quais medidas serão tomadas para fazer cumprir a pena no exterior, e quem financiou as viagens ao Bahrein.
Eduardo Bolsonaro esteve ao menos 9 vezes no Reino do Golfo Persico. Sempre em momentos de pressão judicial de acordo com levantamento

